Reportagem

Pequenas profissões são mais valorizadas

Edivaldo Cristóvão |

Reparar electrodomésticos, tratar do cabelo ou trocar a peça de uma viatura já não é uma profissão “qualquer.” A realização destas actividades nos últimos tempos faz parte do sector real da economia.

Muitas mulheres aperfeiçoam as suas habilidades nos pavilhões ocupacionais
Fotografia: Edições Novembro |

Com a implementação do programa do Sistema Nacional de Formação Profissional, o Executivo criou 12 pavilhões ocupacionais de prestação de serviço pro-trabalho para dar maior dignidade às profissões, bem como validar competências num contexto real de trabalho.
Os pavilhões ocupacionais de prestação de serviços “Pro-Trabalho” são serviços executivos indirectos do Instituto Nacional de Emprego e Formação Profissional (Inefop), vocacionados a auxiliar a realização de actividades profissionais especializadas nas comunidades bem como participar no processo de reconhecimento, validação, certificação de competências e a formação em contexto real de trabalho.
A missão deste programa é dignificar o exercício de profissões socialmente úteis no seio das comunidades, valorizar resultados de actividades profissionais economicamente rentáveis e servir os clientes em condições de decência e qualidade.
Estão em funcionamento até ao momento 12 pavilhões, nomeadamente nas provinciais de Luanda com quatro, “nas zonas do Zango/Viana, Centralidade do Kilamba, Panguila e Cacuaco”, Malanje com três na localidade da Carreira de Tiro, Catepa e Cangombo, Cabinda com dois pavilhões “em Victória é Certa e no bairro Gika” no Bengo, tem dois “na zona do Panguila e no Ambriz”. Huíla tem apenas um, localizado no Tchioco.
Nos pavilhões ocupacionais, as especialidades mais encontradas são as de mecânica, bate-chapa, pintura, electricidade, frio-auto, olaria e cerâmica, corte e costura, cabeleireiro, barbeiro, escultura pintura, serralharia, estofador e carpintaria.
Com a implementação destes pavilhões, já foram empregados cerca de 88 mestres e 145 aprendizes/ajudantes, perfazendo um total de 233 postos de trabalho criados.
O Sistema Nacional de Formação Profissional é um modelo que está inserido no programa de modernização e desenvolvimento do país, para estimular a criação de postos de trabalho e concretizar o sonho de muitos jovens e famílias.
O actual contexto do país aponta o sector empresarial público e privado como fundamental e decisivo para a qualificação e valorização da mão-de-obra nacional. Os investimentos no sector da economia têm a gerado, de postos de trabalho com destaque para as áreas da Agricultura, Pescas, Construção Civil e Obras Públicas, Geologia e Minas, Transporte, Comunicações, Indústria e Turismo.
Para melhor dinamizar o projecto, o ministro da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social efectuou uma visita de campo, onde pediu maior disciplina e ordem na manutenção dos equipamentos para manter o melhor funcionamento dos pavilhões e dos centros de formação.
Jesus Maiato pede maior divulgação dos projectos para que todos os munícipes participem neles. Um dos exemplos de superação é a jovem Anabela Pedro de 25 anos, que tem dois filhos e vive na zona do Avó Cumbe, Golfe I. Anabela Pedro faz o curso de Contabilidade Informática, mas já tem o de atendimento ao Público e Recepcionista e assim que terminar espera ser enquadrada no mercado de trabalho. “Graças a Deus, tem um centro aqui no bairro que facilita na deslocação, não preciso de apanhar táxi para assistir aulas. É importante que estas oportunidades sejam criadas em todos os municípios e bairros para facilitar a vida dos jovens”, disse.
Isulina João Kitumba tem 22 anos e faz o curso de Cabeleireiro e Estética, a jovem confessou à nossa reportagem que sempre gostou de trabalhar com beleza e, assim que terminar o curso em Dezembro, vai procurar divulgar os seus trabalhos nas redes sociais para obter clientes e futuramente abrir o seu próprio salão.

Papel dos CLESE
Os centros locais de empreendedorismo e serviços de emprego (CLESE) desempenham um papel importante, devido aos vários programas que estão a ser implementados para proporcionar ideias para negócios estruturados, abrir empresas e facilitar a colocação dos jovens no mercado de trabalho.
Implantados em dez províncias do país, o CLESE tem sido a “ponte certa” para o negócio. O centro capacita estudantes universitários e finalistas do ensino médio, no domínio do emprego, para disseminar a cultura do empreendedorismo nas comunidades.
O CLESE tem a finalidade de mudar as comunidades por via do empreendedorismo, ensina os jovens a ter um domínio básico na gestão da sua conta e de contabilidade básica para negócios e marketing. Com este programa, muitos vêem as suas vidas mudadas e tornam-se mais úteis à sociedade.
O CLESE ministra uma diversidade de cursos nas áreas de contabilidade, informática, electricidade, alvenaria, mecânica, serralharia, carpintaria, alumínio, construção civil, canalização, panificação, costura industrial e reparação de computadores. Estes cursos garantem uma melhor capacitação empresarial, assessoria jurídica, contabilística e financeira.

                                                               Programa de formação profissional
Após a Independência Nacional, a formação profissional esteve sob responsabilidade do Ministério da Educação, onde permaneceu até o ano de 1995. Em Dezembro do mesmo ano, a tutela da formação profissional passou para o Ministério da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social.
Até à data da sua transição para a Administração do Trabalho, o Sistema Nacional de Formação Nacional contava com 13 centros dos quais cinco pertenciam ao Inefop. Na altura, os centros estavam localizados nos centros urbanos de algumas províncias. De 1996 a 2002, a rede de centros de formação profissional aumentou de 13 para 214, que culminou também com a entrada de operadores privados.
Com o aumento de centros profissionais, foi possível matricular 10.536 candidatos, tendo aprovado 8.843 formandos.
Em 2008, o número de centros de formação elevou para 388, com particular destaque para o incremento de 61 centros do Inefop.
Este aumento deveu-se à implementação do Programa Nacional de Capacitação e Ofícios, que se traduziu na construção de 59 pavilhões de artes e ofícios em todas as províncias, com o objectivo de levar a formação a vários segmentos sociais e localidades do país.
Com a aplicação deste programa, foi possível aumentar a capacidade formativa de 10.533 para 36.738 postos formativos. No período 2008 a 2012, a capacidade formativa atingiu cerca de 60 mil formados por ano. Devido à adopção de algumas medidas de carácter técnico e pedagógico e com o propósito de melhorar o perfil de saída dos formandos para o mercado de trabalho (qualidade formativa), procedeu-se ao aumento da carga horária e foram introduzidas novas matérias, através de módulos transversais que abordam questões sobre cidadania, segurança, saúde e higiene no trabalho, gestão de pequenos negócios, empreendedorismo e doenças sexualmente transmissíveis, dentre outras.
Desde 2013 até ao primeiro trimestre de 2017, a rede de centros de formação aumentou em 17 por cento, passando de 541 para 635. Este acréscimo foi possível, por via da construção de centros no âmbito das políticas públicas, no domínio da elevação das qualificações dos activos laborais, bem como a participação activa do sector privado que durante este período cresceu  cerca de 24 por cento.
O Inefop conta com estruturas descentralizadas em todo o país, nomeadamente 18 serviços provinciais, 31 centros de formação profissional, 14 centros integrados de emprego e formação profissional, 35 centros móveis e 61 pavilhões de formação em artes e ofícios. Além dos centros públicos tem também registadas 35 instituições de outros organismos e 459 privados. OExecutivo tem como objectivo conceber e executar as políticas de emprego e de formação, bem como acompanhar as políticas globais e sectoriais.

Tempo

Multimédia