Reportagem

Perímetro irrigado aposta na produção de tilápia

Daniel Benjamim | Moxico

A empresa gestora do canal de irrigação denominado Luena Rega vai produzir  mais de 300 toneladas de tilápia por ano.  O projecto está em curso desde o passado mês de Maio e é assegurado por 30 trabalhadores, entre homens e mulheres.

O projecto Luena Rega construiu seis tanques em metros quadrados para produzir ovos de peixe em cada dois meses e criar alevinos e que até ao final deste ano levar o produto ao mercado
Fotografia: Samuel António | Luena

O projecto Luena Rega construiu seis tanques de 50 metros quadrados para produzir 150 ovos de peixe a cada dois meses e criar  alevinos. O presidente do Conselho de Administração da empresa “Rega Luena”, Jones Chitengui, disse ao  Jornal de Angola que o projecto está a ser desenvolvido com muito rigor técnico e que, até ao final deste ano, pretende colocar, numa fase experimental, 90 toneladas de peixe no mercado.
O projecto Luena Rega iniciou em 2012, para apoiar os camponeses em relação a boas práticas de cultivo e fornecer plantas aos agricultores e a empresas de exploração de madeira na região.
O gestor afirmou que o programa está a ser desenvolvido a pensar no apelo do Executivo de diversificação da economia e na melhoria das condições de vida da população. “A nossa ambição é aumentar cada vez mais os níveis de produção para garantir mais postos de trabalho, para os jovens locais, e diminuir a importação de peixe na região”, afirmou.Jones Chitengui, satisfeito pelos bons resultados do projecto nesta fase experimental, disse que acções concretas vão prosseguir para aumentar a quantidade de produtos e serviços para a população e produtores locais.

Produção diversificada


O projecto Luena Rega gere um perímetro irrigado de 23 quilómetros de extensão, que corresponde a 1.070 hectares, com mais de 30 agricultores inscritos pela Direcção Provincial da Agricultura que se dedicam ao cultivo de tomate, cebola, pimento, couve, repolho, mandioca, alface, pepino, jindungo, cenoura, batata, beringela, morango, mamão, maracujá, milho e  feijão.
Este ano, foram preparados 50 hectares de terra para o cultivo de feijão, 200 para milho, um hectare para mamão, quatro para morango e cinco para produtos diversos.
O  engenheiro agrónomo Jones Chitengi disse ainda que está na fase inicial a preparação de uma área para a plantação de maracujá  e de outras espécies de frutas que o solo da região pode oferecer.Em Setembro próximo, prevê-se a colheita de duas toneladas de hortícolas e, em Janeiro de 2017, o projecto vai colher 40 toneladas de mamão.

Falta de fertilizantes


Jones Chitengui afirmou que, apesar de alguns rendimentos, os camponeses enfrentam dificuldades, como a falta de fertilizantes e de outros meios para aumentar a produção.“A procura é maior que a oferta, mas, com os apoios necessários, podemos incentivar os camponeses, para aumentar os níveis de produtividade e inverter o quadro actual”, garantiu.
João Dinis beneficiou, em 2012, de 300 metros quadrados do perímetro irrigado.
O agricultor tem sob sua responsabilidade 10 trabalhadores, que se dedicam ao cultivo de vários produtos.O homem da enxada pediu ao governo local mais atenção, sobretudo, no fornecimento de fertilizantes e de tractores para facilitar o trabalho dos agricultores no perímetro irrigado.

Preservação ambiental

Além da piscicultura, o projecto Luena Rega dedica-se à criação de plantas típicas e exóticas, como o musivi, a acácia australiana e a peca.Foram criados viveiros com milhares de plantas para apoiar o sector florestal na preservação de espécies como omusivi, o mais procurado pelas empresas de exploração de madeira na região.A acácia australiana é uma planta que cresce até seis metros de altura num ano, além de fornecer madeira de alta qualidade, e também contribui para a produção de mel, devido à existência de néctar ao longo de todo o ano.
As suas folhas servem para apascentar gado bovino e caprino.O projecto foi concebido para preservar as espécies nativas e criar alternativas para combater a desflorestação, resultante do corte de madeira nos últimos anos.
No quadro das medidas a serem tomadas, consta, ainda para este ano, a plantação de oito mil árvores no perímetro irrigado do Luena, numa extensão de 20 hectares dos 200 previstos no projecto.
“A nossa intenção é cooperar com o Executivo na preservação do ambiente”, disse Jones Chitengui. O engenheiro apelou às empresas de exploração de madeira para colocarem novas plantas nos locais onde actuam, para se evitar a desflorestação.“Temos estufas com várias espécies de plantas e comercializamos a preço módico, tanto para empresas, como para pessoas singulares”, concluiu o engenheiro agrónomo. Na Feira Nacional do Criador do Gado, realizada no princípio de Junho, na localidade de Mulundola, comuna do Lucusse, o projecto “Luena Rega” disponibilizou dez mil plantas para exposição.

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