Reportagem

Pérola do Kikuxi comanda nos ovos

Yara Simão |

A produção de ovos consta das prioridades do Executivo angolano com vista a acabar ou diminuir a importação deste produto no Plano Nacional de Desenvolvimento (PND 2013-2017). Para contribuir para esse objectivo, muitas são a empresas que abraçaram projectos ligados ao sector avícola, para diminuir a importação e valorizar o produto nacional.

Fazenda Pérola do Kikuxi ostenta a principal marca de ovos de Angola e cobre 80 por cento do mercado nacional com um produto de reconhecida qualidade
Fotografia: Vigas da Purificação

A fazenda Pérola do Kixuxi é uma referência no sector avícola do país, com o seu projecto integrado, que engloba a fábrica de ração, o centro de clarificação de ovos, criação de pintos, galinhas poedeiras e frango fresco das marcas Nutrimix, Kikovo e Avikuxi.
Desde Fevereiro de 2012 a empresa posiciona-se entre os grandes protagonistas africanos na inovação e desenvolvimento do sector, com a produção de 5.500 toneladas mensais de ração, 700.000 ovos por dia e 100 toneladas de frango fresco, que perfazem uma facturação de 75 milhões de dólares norte-americanos por ano.
O sucesso atingido pelas empresas que compõem a fazenda Pérola do Kikuxi deve-se à integração dos vários negócios de ração, ovos e frangos.
A Nutrimix situa-se no topo, sendo a empresa responsável pela formulação e produção de alimentos das aves das empresas subjacentes.Actualmente, tem uma capacidade instalada que lhe permite o armazenamento de 24 mil toneladas de cereal e a produção de 20 toneladas de ração por hora, sendo 70 por cento vendida ao grupo, principalmente para aves de capoeira, frangos de carne e galinhas poedeiras em todos os ciclos e posturas.
Neste momento, existem 850 mil aves em postura, importadas da Holanda, que, ao fim de 80 semanas, vão para abate. Cada animal importado custa cerca de um euro e meio. Por ano, a empresa investe cerca de 850.000 euros em aves. Por dia, são produzidos 5.000 frangos. A produção é distribuída a 300 clientes. A empresa já ganhou o seu espaço no mercado nacional, fornecendo os produtos às grandes superfícies comerciais do país.
A empresa dispõe de uma linha de alimentação para suínos desde a gestação, aleitamento e engorda. Neste momento, a principal marca de ovos produzidos em Angola, Kikovo, representa 80 por cento do mercado com qualidade e segurança alimentar.
A criação de galinhas poedeiras é uma actividade de grande rentabilidade. Aliado a isso, há o facto do ovo ser um alimento de alto valor nutritivo e proteico, de baixo custo e acessível a todas as classes sociais.Pólo avícola da Fazenda Pérolas do Kikuxi ocupa uma área de 900 hectares, com espaços necessários para cumprir distâncias mínimas entre pavilhões de postura, recriação e matadouro de aves, energia, com capacidade instalada de 4,5 mW, e água produzida por uma estação de tratamento de 800 m3 por dia.A cadeia de produção começa na fábrica de ração, onde é processado o alimento para as galinhas. A unidade está dividida em duas áreas, que termina na classificação de ovos.

Fábrica de rações


A fábrica produz 20 mil toneladas de ração por hora. Os equipamentos são oriundos da Alemanha, Holanda e Israel.
Na parte superior da fábrica estão computadores programados para seleccionar os produtos através de uma fórmula que é inserida no sistema. O acesso é restrito ao operador, para evitar falhas. O operador selecciona a fórmula e a seguir identifica o número de lotes que pretende fabricar, e o processo entra em funcionamento autónomo, começando com a selecção dos ingredientes, designadamente, o milho, soja e girassol em cada silo.
O produto é, posteriormente, dirigido para a balança, onde é certificada a medida e, logo a seguir, canalizado para os moinhos, onde é triturado, e entra para o misturador de carbonato de sódio, fosfato, cálcio em pó, vitaminas e aminoácidos, para dar equilíbrio nutricional aos animais. Passados três minutos, o produto é canalizado para o destino final. Depois desta etapa, está concluída a ração que tem como marca a Nutrimix. Quando o produto fica concluído, pode ser processado em grãos ou farinha. A sala de comando é o “coração” da fábrica. É a partir dela que se pode controlar o tamanho do ovo, a cor da gema, a qualidade da casca, a qualidade das penas das galinhas e a alimentação.
Tendo em conta a capacidade de produção da fazenda, os empresários estabeleceram parcerias estratégicas com grandes e pequenos produtores de cereais, para responder às necessidades, que vão acima de 23.000 toneladas de ração por ano.
A fábrica de rações tem uma capacidade de produção de 250 toneladas por dia e está  dimensionada para as necessidades de fornecimento de clientes externos. A fábrica comporta uma torre com uma balança de duas toneladas. Os silos têm capacidade de armazenar 12.000 toneladas de milho, um pavilhão com capacidade para 6.000 toneladas de bagaço de soja, um pavilhão com capacidade para 6.000 toneladas de girassol ou farelo, reservatórios com capacidade de 250.000 litros de óleo de soja, e silos de produto acabado com capacidade de 500 toneladas.
O empreendimento tem pavilhões de reprodução e um centro de classificação de ovos. Todos os pavilhões de postura estão ligados por transportadores com o centro de classificação. A estrutura possui 8 pavilhões e cada um tem 130 mil aves.Os pavilhões são automatizados.
 A temperatura e a humidade são controladas por computadores. A temperatura é controlada por mecanismos que garantem o mínimo de erro. Por isso, foram instalados sensores para medir a temperatura ideal e assegurar que não ultrapasse os 25 graus centígrados.
Para o normal funcionamento da estrutura, o fornecimento de energia eléctrico é garantido durante 24 horas por dia.As galinhas chegam da Holanda recém-nascidas e permanecem durante 16 semanas numa encubadora, até serem transferidas para outro pavilhão, onde completam quatro meses, quando termina o ciclo de vida útil.

Aves e ovos


Desde que a galinha põe o ovo, até o produto ser embalado, não existe intervenção humana. O processo é automatizado, a começar pelo controlo da temperatura, o fornecimento de água e ração. Cada pavilhão é controlado para prevenir os contágios e os vírus.
O centro de classificação de ovos é a parte final do processo. Os ovos saem dos oito pavilhões e são transportados para o centro de classificação por esteiras feitas com alumínio e borrachas. Depois, são classificados por categoria, peso e tamanho, como XL, M, L e S, como no vestuário. Por exemplo, o ovo de tamanho S tem menos de 56 g, e o L tem 73 g.No aviário da Fazenda Pérola do Kikuxi, a caixa de ovos industrial custa 17.500 kwanzas. Os ovos vêm dos pavilhões, entram na máquina e são classificados e embalados nas respectivas caixas. Cada caixa contém 360 ovos, que devem ser consumidos até 28 dias.
O equipamento controla 60 mil ovos por hora e separa os que estão partidos.
Os cartões para empacotar os ovos são importados, ao passo que o milho para produção da ração é adquirido no mercado nacional.A fazenda encontra-se na sua quarta fase de desenvolvimento e estão a ser erguidos mais três pavilhões de postura de ovo. Até ao momento, a empresa investiu 94 milhões de dólares norte-americanos.A empresa possui um matadouro com capacidade para abate de 2.500 aves de descarte dos oito pavilhões, e uma câmara de refrigeração com capacidade de 600 toneladas.
A capacidade tecnológica e a procura constante de soluções inovadoras permitem estabilidade e resultados para a alimentação dos animais, e reforçar a sua posição no mercado angolano de rações, aumentando a quota de vendas externas ao grupo. O aumento dessa quota vai permitir disponibilizar mais ração à cadeia de distribuição.

Matérias-primas


A empresa faz uma selecção rigorosa de fornecedores e de matérias-primas, possui um moderno laboratório de química e de microbiologia, que garante e atesta a qualidade das matérias-primas utilizadas na produção dos alimentos, a partir de equipamentos de alta tecnologia fornecidos por especialistas na área da pesagem, moagem, mistura, prensagem e armazenamento em silos, que resultam em produtos de qualidade, apresentação e desempenho.
A empresa centrou a sua atenção, também, na segurança alimentar. Apesar de adquirir pequenas quantidades de produtos no mercado nacional, como o milho, farelo e soja, para a ração, a empresa utiliza cerca de 17 ingredientes, dos quais 15 são importados de Portugal e Brasil. Por este facto, a produção constituiu um dos grandes desafios da empresa, segundo o seu director de operações, Nuno Paulo, que anunciou a produção de 500 hectares de milho e soja nos próximos anos.A empresa investiu 30 milhões de dólares norte-americanos em tecnologia, essencial para produzir de forma rápida e eficaz. 

Mão-de-obra e formação


Para o crescimento e desenvolvimento do negócio, a empresa conta com o apoio de 560 angolanos, com idades que vão dos 18 aos 50 anos de idade. Angelina Chilumba tem 41 anos e está na empresa há cinco. A sua missão é separar os ovos antes de serem empacotados.
Angelina Chilumba gosta do trabalho e agradece à empresa por ter concedido a mulheres jovens e mães solteiras o primeiro emprego.
Quem também está satisfeita com o primeiro emprego é Marcelina Cassinda, de 29 anos, empregada há três anos. Outra empregada, Ana José, de 40 anos, é operadora de máquinas e sente-se privilegiada por fazer parte do quadro de trabalhadores da Nutrimix.
A empresa também emprega rapazes que trabalham de dia e estudam à noite. Minton Catanho, de 19 anos, é um deles. “É uma experiência boa. No princípio foi difícil, mas já estou habituado.“Depois, encontrei muitos jovens da minha faixa etária e ficou muito mais fácil adaptar-me ao trabalho”, explicou Minton Catanho.

Produção de ovos e frangos


Desde Fevereiro de 2012  a empresa posiciona-se entre os grandes protagonistas africanos na inovação e desenvolvimento do sector com a produção de 5.500 toneladas mensais de ração, 700.000 ovos por dia e 100 toneladas de frango fresco, que perfazem uma factura de 75 milhões de dólares  por ano.

Capacidade

A empresa possui um matadouro com capacidade para abate de 2.500 aves de descarte dos oito pavilhões, e uma câmara de refrigeração com a capacidade de 600 toneladas. A procura constante de soluções inovadoras permitem estabilidade e resultados para a alimentação dos animais e reforçam a sua posição no mercado angolano de rações, aumentando a quota de vendas externas.

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