Reportagem

Péssimo estado das vias no Moxico prejudica escoamento dos produtos

Samuel António | Luena

As péssimas condições em  que se encontram  as principais vias de acesso aos centros urbanos  constituem  um dos grandes constrangimentos para os  camponeses da região, o que  têm provocado perdas de colheitas, devido a dificuldade de  escoá-las  para os centros comerciais. 

A regularidade com que a chuva tem caído facilita a cultura de vários produtos hortícolas, principalmente os tubérculos, como a mandioca e a batata-doce
Fotografia: Daniel Benjamin | Edições Novembro | Moxico


O indicador de uma boa safra, diz o ditado popular, mede-se pela regularidade das chuvas e de outras condições postas em disposição. O Estado tem a responsabilidade de construir ou  requalificar as  estradas, para tornar exequível  a produção agrícola, a sua comercialização e garantir o crescimento da renda familiar.
Em entrevista ao Jornal de Angola, Mutaleno Cachala, responsável de uma associação de camponeses na localidade do Luculo, município do Leua, afirmou que desde o início das chuvas não se registou grandes interregnos como em outras épocas. “Temos  chuva regular para dar tudo, principalmente os tubérculos, como a mandioca, batata-doce e o inhame que necessitam muita água para  se desenvolverem”.
 
Apelo ao Executivo
Ele acrescentou que  “A cada ano agrícola estamos aumentar os níveis de produção com a diversificação de vários produtos, métodos que no passado não eram experimentados”, tendo solicitado ao Executivo a prestar maior atenção na requalificação das estradas, que é uma  condição essencial para o rápido desenvolvimento das zonas rurais.
A província do Moxico tem uma forte tradição na produção de mandioca em gran-de escala, como  principal fonte de alimentação da sua população, mas esta realidade, segundo o entrevistado, deve ser articulada com apostas  em outras culturas para garantir uma dieta mais equilibrada das famílias.
“A mandioca cresce no prazo de um ano e se o camponês não cultivar outros produtos como o milho, feijão, a batata-doce e leguminosas para assegurar o período em que a mandioqueira vai crescendo, dificilmente as famílias vão ter outras opções para garantir uma dieta alimentar mais eficaz”, referiu.
A reparação das vias de acesso vai facilitar o escoamento de produtos perecíveis como leguminosas, que devido a sua especificidade não pode permanecer muito tempo fora das câmaras frigoríficas. No seu entender, é impossível apostar fortemente na agricultura sem primeiro se resolverem os problemas das vias de acesso, porque o aumento dos níveis de produção vai depender das condições de transporte dos produtos do campo para os centros comerciais.
Com o apelo do Executivo sobre a diversificação da economia, o camponês não produz a contar apenas  para o  sustento familiar. Hoje 75 por cento dos produtos que sustentam os principais mercados da província são da produção local.
Apesar do Executivo ter apoiado os camponeses com instrumentos e insumos agrícolas, no inicio de cada campanha agrícola, estes esforços devem serem complementados com a requalificação das estradas, para que não haja impedimento no escoamento dos produtos.
O Moxico tem mais de 800 mil habitantes, segun-do o último censo, e grande parte desta população dedi-ca-se a agricultura e a garan-tia das vias de acesso é fundamental para o êxito do seu trabalho.
 
Requalificação de estradas
A requalificação das estradas não se traduz apenas na colocação do tapete asfáltico. Existe outros mecanismos para tornar uma via acessível como nos conta o ancião Pedro Samalesso que participou na construção de algumas estradas secundárias e terciárias no tempo colonial.
O Moxico, segundo o an-cião, é uma província que possui muitas britadeiras e, se o Governo Provincial aproveitar este recurso para requalificar algumas vias, seria mais vantajoso, porque vai exigir menos custos em relação às obras onde envolvem trabalhos de asfaltagem. 
“Temos muitas estradas que foram construídas com brita há décadas e apesar de não beneficiarem obras de manutenção ainda oferecem mínimas condições de transitabilidade,” disse o ancião, acrescentando que a reabilitação das estradas com re-curso à materiais locais pode trazer grandes benefícios, atendendo o momento de crise financeira que o país e a província em particular estão a atravessar.
Moxico é a maior província de Angola em termo de extensão. O programa de Reabilitação e Melhoramento de Estradas gizado pelo Executivo não conseguiu atingir até aqui pelo menos um terço do universo de 8.071 km da sua rede viária principal, se-cundária e terciária.

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