Reportagem

Plano estratégico ajuda a enfrentar crise de água

Arão Martins | Lubango

O município dos Gambos, situado a sul da cidade do Lubango, compreende uma das 14 regiões da província da Huíla. A escassez de chuva tem causado vários problemas à população local, por causa dos ciclos de seca.

Fotografia: Arão Martins| Edições Novembro||Huíla

Apesar da estiagem que tem assolado a região nos últimos dois anos, a agricultura continua a desenvolver-se com o aumento de áreas de produção de cereais e feijão.
Várias acções integradas no plano estratégico do município, concebido pelo Governo Provincial, contemplam o fornecimento de água potável às localidades de Tyitongotongo, Taka e à sede do município, em benefício de 6.597 pessoas.
Na região, referiu o administrador municipal Elias Sova, foram identificados 42.972 hectares de terras aráveis, mas a insuficiência de tractores e alfaias, de infra-estruturas de apoio ao sector produtivo e a inexistência de pequenas indústrias para a transformação dos derivados da pecuária, preocupam as autoridades locais.
A preocupação é ainda acentuada pela inexistência de uma fonte de energia eléctrica permanente, de um programa de requalificação do sistema de produção, tratamento e distribuição de água, assim como pelo estado precário das vias secundárias e terciárias. Para o ano agrícola 2017/2018, está prevista uma colheita de 18.743 toneladas de produtos em  29.376 hectares.

Crescimento produtivo

O aumento da produção de cereais, leguminosas e cucurbitáceas das actuais 75.400 toneladas para 109.000, em 27 mil hectares de terras aráveis, para garantir a disponibilidade, estabilidade e sustentabilidade da oferta de alimentos em benefício de 576 famílias até 2022, são acções que constam das linhas estratégicas do desenvolvimento económico do município dos Gambos.
A produção de feijão passou de 354 kg para 500 kg por hectare, constituindo, assim, a base da subsistência das famílias que vivem nas comunas do Chianje e Chibemba. Existe ainda o compromisso de fornecer água a 60 mil bovinos e 36 mil caprinos e a criação de seis hortas.
Segundo Elias Sova, existem 216.000 exemplares de gado bovino, caprino e suíno, com a previsão de aumentar para 500 mil, beneficiando 15.892 famílias até 2022.
Os objectivos e metas de desenvolvimento económico local estão inscritos nos Programas de Investimento Público (PIP) e no Programa Municipal Integrado de Desenvolvimento Rural de Combate à Fome e à Pobreza (PMIDRCP) do Executivo.
O município tem  51 fazendas pecuárias na Tunda dos Gambos, representando 10 por cento do efectivo de bovinos, constituído por autóctones e raças melhoradas, como Brahaman, Nelor e Cimental.
Circulação deficiente
Circular no interior do município dos Gambos é uma preocupação. O caso mais preocupante está na ligação entre a sede da comuna do Chianje e a localidade da Taka, numa distância de mais de 70 quilómetros, e entre a localidade da Luvota, a 23 quilómetros da sede do município.
O soba da Luvota, Tchombe, disse que a situação complica-se quando é preciso transferir um doente para a sede do Chianje, onde está situado o Centro de Saúde de referência e a unidade de tratamento da tuberculose.
Para facilitar a circulação de pessoas e mercadorias, está programada a reabilitação de 153 quilómetros dos troços Chiange/Pokolo, Pokolo/Tala, Pokolo/Tyiko e o desvio do Tyipeio à localidade de Tyitongotongo, na distância de 10 quilómetros.

Potencial mineiro

A região dos Gambos dispõe reservas mineiras no subsolo. Actualmente, existem quatro pedreiras de granito negro, nomeadamente Angostone, Rodang, DFG África e Geo-valor, que produzem  aproximadamente 300 metros cúbicos mensais.
A nível produtivo, há  ainda três moagens e uma cozinha comunitária, que também confecciona pão.
A rede comercial é constituída por estabelecimentos privados de venda a retalho de comércio misto, mas não abrange todas as áreas do município.
Além da rede retalhista, existe na sede municipal um mercado formal com 84 bancadas e 12 estabelecimentos comerciais.
O administrador municipal referiu que a região desenvolve poucos negócios. O apoio aos pequenos empreendedores é o primeiro passo a ser dado para promover a economia local, evitar o êxodo rural e garantir uma porta de saída para os programas sociais, afirmou Elias Sova.

Acções específicas

A curto e médio prazos, estão prevista a aquisição de 270 pequenos ruminantes, e  implementação de hortas de culturas resistentes à seca nas localidades do Dongue, Katoho, Panguelo, Taka, Tyitongotongo e Tyiku 50.
Também está prevista a aquisição de inputs agrícolas para apoiar 29 associações de camponeses e cooperativas nas localidades da Tunda I, Tunda II, Granja, Munailongo, Tyipeio, Rio d’areia Manhengo, rio Caculuvar e Fimo.
A administração municipal programou também, como acção imediata, a instalação de sistemas de água nas localidades do Vihaendwa, Ngandje e Mukalano, e a reabilitação de três tanques nas localidades da Taka, Rio d’areia e sede do município.

Rede eléctrica

O fornecimento de energia eléctrica é ainda deficiente no município dos Gambos, admitiu o administrador municipal. Para colmatar a situação, existe um projecto de expansão da rede eléctrica para alavancar a economia e beneficiar 79.462 habitantes e três pequenas indústrias transformadoras de rochas ornamentais e de lacticínios, e pequenos artesãos até 2022.
Nas acções de curto e médio prazos, está prevista a expansão da rede de energia eléctrica proveniente do município da Chibia, com a criação de um ramal de 106 quilómetros, bem como a aquisição de kits de serralharia, carpintaria, recauchutagem e padaria, para beneficiar 180 jovens e 17 antigos antigos combatentes.

Linhas estratégicas

O governador provincial da Huíla, João Marcelino Tyipinge, revelou que as linhas estratégicas de desenvolvimento económico dos municípios visam estabelecer um quadro de referência dos instrumentos de planeamento.
O governador disse que Gambos é um município com  forte potencial agro-pecuário e por isso, é necessário o investimento nesta área, na agricultura e no comércio.
“Pretende-se implementar de forma integrada e gradual os programas de rendimento mínimo e outras formas de protecção social, bem como valorizar a família e apoiar a geração de rendimentos e sustentabilidade económica”, declarou o governador.
“Nesta conformidade, as linhas estratégicas são acções fundamentais estipuladas para alcançar os indicadores de objectivos de nível provincial e metas nacionais relacionadas com a produção, emprego e produtividade com menos custos, tempo e prejuízo e maior benefício para as populações e empresas que residem e visitam os municípios”, referiu.
Várias acções integradas no plano estratégico do município, concebido pelo Governo Provincial, contemplam o fornecimento de água

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