Reportagem

Polícias em bicicleta dão segurança

André da Costa |

A Brigada Bicicleta constitui um novo modelo de patrulhamento de proximidade lançado pelo Comando-Geral da Polícia Nacional. São 70 efectivos, 21 dos quais mulheres, que dão corpo a esta força policial concentrada na Primeira Esquadra da Ilha de Luanda, afecta à Divisão da Ingombota.

Polícia Nacional faz patrulhamento de proximidade na orla marítima de Luanda com agentes de uma brigada de bicicleta
Fotografia: Mota Ambrósio

O combate à criminalidade e a manutenção da ordem e tranquilidade nos espaços públicos  constituem os motivos essenciais da sua criação.  
A equipa tem vários roteiros para patrulhar, do Ponto Final na Ilha do Cabo até ao Porto, divididos por várias equipas. A patrulha é extensiva à Nova Marginal, Memorial Agostinho Neto e Assembleia Nacional. 
Um dos objectivos desta Brigada é interpelar cidadãos suspeitos que circulam na calçada e retiram a tranquilidade dos cidadãos que se encontram a relaxar pelos bancos ao longo da Baía de Luanda. A interpelação dos agentes é virada também para cidadãos que circulam com pastas volumosas ou com bolsos com enormes volumes susceptíveis de  transportarem armas de fogo ou outros objectos proibidos, como facas e catanas.
Indivíduos apanhados sentados a fumar ou a comercializar liamba e outras drogas na calçada também são autuados pelos agentes da ordem que se fazem transportar em bicicletas. A Brigada deteve já vários jovens que acabaram por ser processados por crimes de posse e venda de estupefacientes, tendo sido instaurados processos-crime e encaminhados a tribunal para julgamento.
Outras apreensões feitas por efectivos da Brigada Bicicleta são de motorizadas que circulam no passeio, quando são interpelados por agentes da ordem pública e tentam fugir, violando o estipulado no Código de Estrada. As motorizadas e os utentes são detidos e encaminhados ao piquete de Polícia para formar processo-crime. A Brigada Bicicleta atende também preocupações de cidadãos ao longo da via pública, que sentem que a sua segurança corre risco. A actuação dos elementos da Brigada depende muito da gravidade do problema. Caso seja urgente, a actuação é imediata. Caso não seja de intervenção imediata é anotada a preocupação para posteriormente se tomarem as medidas mais adequadas, mediante informação enviada ao comandante do território correspondente, segundo o comandante da Brigada, inspector David João.
A Brigada Bicicleta funciona com 70 efectivos, dos quais 21 são do sexo feminino, em dois turnos e várias patrulhas de manhã e à noite. 
Na época balnear, sobretudo aos finais de semana, o trabalho é redobrado devido ao afluxo de pessoas que procuram o lazer na praia. A fraca iluminação nocturna dificulta o trabalho.
O comandante da Primeira Esquadra da Ilha de Luanda, superintendente chefe João Tomás, frisou que os efectivos da Brigada Bicicleta têm dado um enorme contributo para a manutenção da ordem e tranquilidade pública.

Prontidão das tropas

Antes de saírem para mais uma missão, os efectivos recebem orientações do comandante, inspector David João, sobre o trabalho a realizar em distintos postos. 
Ladislau Mendonça, Júlia Bambo, Angélica Nascimento, Hamilton Francisco, Beatriz Salvador, Cácio Hebo, Helena Bernardo, Adilsom Jorge, Etsom Joaquim, António Gomes, Manuel Barros, Admilsom Neves recebem instruções antes de começarem o trabalho. Cada um ouviu as recomendações do comandante e procura colocá-las em prática, visando manter a ordem e tranquilidade públicas ao longo da orla marítima. Mesmo o sol abrasador não retira a determinação dos jovens que somente pretendem contribuir para a segurança dos cidadãos. António Gomes, recém-formado, começou a trabalhar na Esquadra do Maculusso. Foi seleccionado para a formação de três meses na Unidade Operativa de Luanda e agora pertence à Brigada Bicicleta. Gosta do trabalho que faz apesar das dificuldades de adaptação. O conhecimento adquirido permite-lhe fazer manutenção da bicicleta, o principal meio de trabalho. A jornada laboral é árdua. Já deteve cidadãos suspeitos de andar com arma branca e causar desordem na Ilha.
A agente Helena Bernardo está na Polícia Nacional há quase um ano e patrulha a orla marítima, mantendo a ordem e tranquilidade públicas. A agente olha de um lado para o outro, enquanto descansa. Aos finais de semana o trabalho é árduo devido à presença de muitas pessoas que procuram o lazer na Ilha de Luanda. Os distúrbios na via pública, como as rixas entre grupos de jovens, chamam a atenção para a sua intervenção, com a ajuda da patrulha automóvel, e consegue evitar situações piores.

Interpelação de suspeitos


O Jornal de Angola acompanhou o trabalho desenvolvido pela Brigada Bicicleta na Ilha de Luanda. Alberto Chitula e Admilsom Neves interpelam dois jovens com mochilas às costas, identificados como Anacleto Francisco, 24 anos, e José Vicente, da mesma idade. Os agentes revistam as pastas no sentido de encontrar objectos proibidos por lei, como armas de fogo. Encontram material de canalização e uniforme de serviço. Os agentes explicaram aos dois jovens o motivo da interpelação e desejaram boa caminhada.
Anacleto Francisco disse ao Jornal de Angola que é importante o papel que os jovens da Polícia Nacional têm estado a levar a cabo em prol da segurança e ordem pública em Luanda. José Vicente considerou a revista à sua mochila um acto normal que visa fundamentalmente prevenir actos delituosos. Bartolomeu Guimarães considerou que o surgimento desta Polícia constitui novidade para muitos munícipes da Ilha, e mostrou a sua satisfação pelo trabalho que tem sido realizado. Os agentes Beatriz Correia e Cácio Hebo aconselharam o cidadão Armando José, de 51 anos, vendedor ambulante de medicamentos de ratos, a encontrar um espaço apropriado para realizar as vendas. O cidadão agradeceu a forma educada como os agentes o abordaram.

Vendedores ambulantes

O comandante da Brigada Bicicleta, inspector David João, considera que os seus efectivos têm uma vertente pedagógica, que passa essencialmente por aconselhar os vendedores ambulantes para comercializar produtos em locais próprios e evitar fazer pracinhas ao longo do passeio da orla marítima. O inspector acrescentou que todos os efectivos têm primado pelo respeito aos cidadãos, sendo que o diálogo tem sido uma arma fundamental para a sensibilização dos cidadãos. Arnaldo José, vendedor ambulante, aprecia o trabalho feito pelos efectivos da Brigada Bicicleta e sente-se seguro, quando caminha pela Baía de Luanda, porque está convencido de que em caso de assalto, os jovens da Brigada Bicicleta podem intervir em sua defesa.
Domingas António vive na Nocal e vende óleo e massa alimentar. A forma como foi abordada pelos efectivos da Brigada Bicicleta deixou-a contente e faz comparações com os fiscais. Normalmente, os fiscais só sabem  receber o negócio, “mas estes polícias conversam e sensibilizam para encontrar um lugar ideal para vender”, disse.  

Brigada Bicleta

A Brigada Bicicleta foi lançada no dia 25 de Maio deste ano e é composta por 70 efectivos, dos quais 21 são mulheres. Os efectivos foram submetidos a uma formação de três meses na Unidade Operativa de Luanda, onde aprenderam técnicas inerentes ao domínio da bicicleta. A bicicleta está equipada com material apropriado, como um kit com ferramenta, caderneta de patrulha, onde está o roteiro de trabalho a desenvolver, e um kit completo de chuva. A criação desta Brigada constitui uma novidade na grelha do policiamento de proximidade. Os efectivos têm vestes diferentes das demais especialidades da Polícia Nacional. A indumentária é constituída por calção, camisola e ténis de cores diversas.  O comandante da Brigada Bicicleta acrescentou que o objectivo fundamental das forças é o combate à criminalidade e manutenção da ordem pública ao longo da orla marítima, transmitindo segurança aos cidadãos.

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