Reportagem

Ponte degradada cria caos no trânsito Luanda-Bengo

Edson Fontes | Panguila

O estado da ponte sobre a lagoa do Panguila está a criar sérios transtornos aos automobilistas e transeuntes que circulam diariamente no sentido Luanda/ Bengo/-Uíge/ Zaire e vice-versa, de-vido às fissuras que ameaçam a estrutura física da infra-estrutura.

Até ontem, o cenário era desolador, com o registo de longas filas de viaturas, chegando o engarrafamento a atingir mais de dez quilómetros. A situação já se arrasta há alguns dias, o que está a deixar os automobilistas irritados. Passar pelo trajecto acaba por ser uma aventura, em função do actual qua-dro, referiram, ao Jornal de Angola, motoristas e transeuntes.
“Tudo parado, desde as primeiras horas do dia. Está difícil e não temos outra saída para chegarmos ao nosso destino”, disse Tomás Miguel, ao volante da sua viatura, visivelmente agastado.         
Rafael Paulo, taxista há mais de dez anos, lamenta a situação e diz não concordar com os trabalhos que estão ser feitos pelos técnicos do Ministério da Construção. Antes, prosseguiu, deviam criar uma via alternativa para garantir a livre circulação de pessoas e bens, mas, infelizmente, fez-se ao contrário.
Grande parte dos funcionários e estudantes da província do Bengo que se deslocam a Luanda e outros que saem da capital para a cidade de Caxito chegam fora da hora normal aos postos de trabalho e em instituições escolares.
A população solicita o apoio urgente das autoridades para a resolução do problema, pois, muitos funcionários correm o risco de perder o emprego e os estudantes reprovarem por faltas.
“Será que os empregadores vão entender as razões que levam os empregados a chegarem tarde ao serviço?”, questiona-se Rafael Paulo, que solicita a resolução do problema o mais rápido possível. José Guerreiro trabalha em Caxito e desde que a situação da ponte se agravou, com os engarrafamentos à mistura, nunca mais chegou cedo ao local de trabalho. “ Vivo numa zona de risco e não me atrevo sair de casa à madrugada, para apanhar os primeiros táxis”. 
Tomás Miguel, que circula pela via há mais de seis anos, reconhece que a ponte precisa de obras de manutenção, que já deveriam ser feitas há muito tempo. “Tenho um veículo pesado,  transporto inertes e sempre que passo por aqui sinto que a ponte treme”, contou.
Tal como a ponte do Panguila, a do Quifangondo precisa também de obras urgentes de manutenção, alerta o automobilista Tomás Miguel, que considera ser grave a situação actual, tendo em conta que muitos cidadãos passam boa parte do tempo no engarrafamento, para poderem chegar ao destino, a tempo e hora e com segurança.

 Decorrem desde ontem trabalhos de manutenção

O Jornal de Angola constatou que a empresa Mota Engil Angola está a montar um estaleiro na zona, para o início das obras, enquanto decorrem, desde a manhã de ontem, trabalhos de reparação e manutenção de uma ponte alternativa, do lado oposto da ponte do Panguila, para facilitar a circulação dos veículos que saem do Panguila para Luanda.
Um dos técnicos assegurou que o INEA pediu à Mota Engil no sentido de apoiar, para que os  trabalhos terminem o mais rápido possível, para melhorar a circulação rodoviária.
O ministro da Construção e Obras Públicas, Manuel Tavares de Almeida, disse que vai ser lançado um concurso para a construção de uma nova ponte, de maior capacidade, para tornar mais fluido o trânsito na via que liga directamente Luanda à vizinha província do Bengo.
Manuel Tavares de Almeida assegurou que foi autorizada, desde segunda-feira, a utilização de uma das faixas de rodagem da ponte sobre a lagoa do Panquila, enquanto a outra está interditada. “A interdição de uma das faixas de rodagem leva a este constrangimento, que é o congestionamento”, disse o ministro, acrescentando que “já encontramos uma solução técnica e vamos lançar um concurso público para uma ponte nova, mais robusta, com maior capacidade”.
Enquanto isso, o Instituto de Estradas de Angola (INEA) vai reabilitar a ponte ao longo dos próximos 30 dias, tendo condicionado o trânsito a uma das suas faixas de rodagem, além de abrir uma via alternativa à faixa com problemas. Durante esse período, das 6 às 18 horas, o trânsito Luanda/Caxito será feito normalmente, devendo ser utilizada a parte da ponte disponível, enquanto o trânsito Caxito/ Luanda passará por uma via indicada no local.
Entre as 18 horas às 6 da manhã, o trânsito no sentido Luanda/Caxito e Caxito/ Luanda será feito de forma alternada, devendo ser utilizado apenas o lado disponível da ponte.

Taxistas sobem o preço da corrida

Quem está a tirar partido da situação são os taxis-tas, que subiram o preço da corrida, cobrando 500 kwanzas do mercado dos Kwanzas, em Luanda, para Caxito, contra os 300 kwanzas que eram cobrados anteriormente.
Outros, da ponte do Panguila a Caxito pedem 300 kwanzas, bem como da ponte do Panguila à zona do ex-mercado do Roque, contra os 200 kwanzas cobrados anteriormente. Para quem sai de Luanda, antes da ponte do Panguila, encontra quatro faixas de rodagem, duas para cada sentido. Alguns automobilistas desrespeitam as normas de trânsito, fazendo outras filas, com o objectivo de se livrarem do engarrafamento o mais rápido possível e chagar a tempo aos seus locais de trabalho.
Jandira Ramos, que estu-da em Caxito, no período da manhã, diz que não arrisca sair de casa cedo, preferindo suportar o trânsito, o que faz com que chegue tarde e não assista todas as aulas, porque o guarda da sua escola já não a deixa entrar.
Luzia Inácio considera difícil a situação vigente. “Precisamos chegar cedo ao destino, mas não temos como. Sou vendedora de peixe e perco muito dinheiro com isso, pois, quando chego à área onde adquiro os produtos as outras que moram próximo já compraram tudo, o que me deixa sem possibilidade de adquirir algo para revender”.
Augusto Narciso é motorista, transporta brita, há cinco anos, do Bengo para Luanda. Referiu que a inoperância das duas pontes estratégicas é um contratempo que vem atrasar o desenvolvimento da região.
“O INEA devia efectuar um estudo para depois executar a obra e não de um momento para o outro, uma situação que acaba por paralisar a vida dos outros, a julgar pelo tempo que se fica retido no engarrafamento”, acrescentou Augusto Narciso.

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