Reportagem

Pontes destruídas provocaram isolamento

Joaquim Aguiar | Dundo

A província da Lunda Norte tem cerca de seis mil quilómetros de rede viária. O programa  das estradas, iniciado em 2013, permitiu a recuperação de milhares de quilómetros e de 32 pontes, o que tem facilitado a circulação de pessoas e bens.

Depois do conflito armado o Executivo teve como uma das prioridades a reabilitação das pontes e pontecos
Fotografia: José Soares | Edições Novembro

A província da Lunda Norte é das regiões com uma rede viária extensa, devido à implantação, no passado, dos serviços da antiga companhia de Diamantes de Angola (Diamang), que teve necessidade de construir estradas em torno dos interesses de pesquisa e prospecção de diamantes.
Essas estradas existem actualmente e interligam as diferentes localidades da região e totalizam mais de seis mil quilómetros da rede viária, entre nacionais, secundárias e terciárias.
A recuperação dessa extensa malha rodoviária é hoje um imperativo, uma vez que ela permite dinamizar a actividade económica, a mobilidade das pessoas e serviços para diferentes localidades. O governo provincial pretende garantir, brevemente, o desenvolvimento sustentável da província e reduzir as assimetrias regionais.
Durante o período do conflito armado, muitas dessas vias ficaram profundamente degradadas, com pontes e pontecos destruídos, o que provocou o isolamento de povoações e o êxodo da população para zonas urbanas em busca de segurança e melhores condições de vida.
O vice-governador provincial para o sector Técnico e Infra-estruturas, Lino dos Santos, disse ao Jornal de Angola que o processo de reabilitação das principais vias rodoviárias na província da Lunda Norte iniciou em 2013, o que permitiu a reabilitação de mais de mil quilómetros de estradas. “A Lunda Norte é a terceira maior província do país e, por este facto, a malha rodoviária é também das mais extensas”, disse Lino dos Santos, que citou os esforços até agora realizados, para melhorar as condições da circulação de pessoas e mercadorias, quer a nível do interior da província, quer na ligação com outras regiões, principalmente do litoral.
A primeira fase do programa de recuperação das infra-estruturas rodoviárias, iniciado em 2013, teve como prioridades as estradas nacionais, devido à sua importância na melhoria do abastecimento de bens e serviços para os diferentes sectores da economia local, como explicou o vice-governador provincial, Lino Santos.
A implementação deste programa permitiu a reabilitação da estrada nacional 180 que faz a ligação Dundo-Saurimo, capital da província da Lunda Sul, num percurso de 300 quilómetros, faltando apenas a conclusão de 20.
A outra estrada nacional que também beneficiou de obras profundas de requalificação é a 225, que interliga a cidade do Dundo a várias sedes municipais, como Lóvua, Cuilo, Caungula, Cuango e Xá-Muteba. Dos 504 quilómetros de extensão, falta apenas concluir 26.
A empreitada de recuperação das estradas inclui ainda a reabilitação da estrada nacional 180-A entre o Dundo e a vila mineira do Nzagi, no município de Cambulo, com 95 quilómetros totalmente concluídos.
O vice-governador para sector Técnico e Infra-estruturas mostrou-se optimista quanto à conclusão dos troços ainda caóticos nas estradas 180 e 225, tendo em conta as garantias dadas pelo ministro da Construção, que recentemente visitou a província da Lunda Norte.
Os investimentos realizados no sector rodoviário permitem hoje circular sem sobressaltos nas dez sedes municipais. Deste modo, o abastecimento de bens e serviços essenciais à população e o incremento das actividades económicas e produtivas das circunscrições administrativas são já um facto.

Recuperação precária

   
Apesar dos avanços conquistados na recuperação das infra-estruturas rodoviárias da província nos últimos três anos, Lino dos Santos reconheceu que algumas obras se encontram paralisadas devido a dificuldades financeiras. A opção encontrada para garantir a circulação nesses troços rodoviários foi a recuperação, numa primeira fase precária.
Entre as obras paralisadas, encontram-se a estrada nacional 170, que interliga a comuna de Camaxilo, sede municipal do Lubalo e a comuna do Xinge, em Capenda Camulemba. Essa estrada considerada estratégica, tendo em conta o traçado da sua rota, sofreu uma intervenção parcial, mas, ainda assim, garante uma circulação fluida.
“A crise financeira do país não permitiu a conclusão do nosso programa de reconstrução das principais estradas, mas continuamos a trabalhar na recuperação de algumas estradas secundárias para melhorar os acessos às diferentes localidades da província”, disse Lino dos Santos.
Apesar de manifestar receio, por não serem, tecnicamente recomendáveis as intervenções precárias, devido à inconsistência dos terrenos que acabam por degradar ainda mais as vias, por causa das constantes chuvas, Lino dos Santos disse ser uma opção que permite, temporariamente, resolver o problema e facilitar a vida da população.
Deu como exemplo a estrada Cafunfo-Caungula, em que, depois da intervenção sofrida, a circulação foi fluida, mas que actualmente está intransitável devido à acentuada carga pluviométrica.
A estrada secundária entre Cassanje Caluca-Yongo, no município de Xá-Muteba, está também profundamente degradada devido à falta de manutenção, depois de ter beneficiado de obras de recuperação paliativas.
 “Na região leste, a carga pluviométrica é bastante elevada, o que altera a topografia e as linhas de água, acabando por degradar completamente a estrada”, explicou o vice-governador para o sector Técnico e Infra-estruturas.
Esperar a retomada do crescimento económico do país, para que a província da Lunda Norte possa dar prosseguimento ao programa de recuperação das principais estradas, é um dos pressupostos indispensáveis para concretizar os programas sociais e melhorar a qualidade de vida da população.

Fundo rodoviário

Uma das questões essenciais para garantir a durabilidade das estradas é a manutenção constante dessas infra-estruturas, que deve a princípio ser da responsabilidade das empresas específicas com fundo específico. Sobre esta matéria, Lino dos Santos mostrou-se também tranquilo, ao anunciar que o Ministério da Construção criou um fundo rodoviário que tem como objectivo garantir a manutenção e a conservação das estradas, principalmente das que estão a ser reconstruídas.
“A nível da Lunda Norte, já enviamos a descrição das estradas que devem constar do fundo rodoviário que começa a ser implementado este ano”, disse Lino Santos. No entanto, o Executivo vai dar uma resposta definitiva aos problemas que se levantam sobre a durabilidade das estradas que as empresas contratadas pelo Estado colocam à disposição da sociedade.

Pontes

Uma das características particulares da província da Lunda Norte é o facto de ter uma enorme bacia hodográfica. Os principais eixos rodoviários são atravessados por rios com grande caudal, o que torna os investimentos direccionados para a reconstrução das estradas mais dispendiosos por causa da construção de pontes.
A tarefa do Executivo aponta programas de construção de estradas mais consistentes, duradoiras e que possam ter uma repercussão positiva na vida da população.
Na província da Lunda Norte, foram construídas, nos últimos três anos, mais de 32  pontes, a maior parte delas construída ao longo dos 540 quilómetros da estrada nacional 225. “Felizmente, os contratos firmados para a reconstrução de estradas na província da Lunda Norte levam a componente de construção de pontes. Isto aconteceu com as estradas nacionais 225 e 180”, afirmou Lino dos Santos.
Quanto à estrada nacional 180-A, o governante disse haver alguma preocupação, por não ter sido incluída a construção das pontes sobre os rios, que a atravessam ao longo do seu percurso de 95 quilómetros.
A questão da construção de pontes na estrada nacional 180-A está acautelada, tendo em conta a garantia dada pelo director nacional de Infra-estruturas do Ministério da Construção, aquando da sua recente vista de trabalho à província da Lunda Norte.
A estrada 180-A tem duas importantes pontes, em que se destacam as dos rios Luachimo e Chihumbue. As pontes sobre os mesmos já não se adequam ao actual perfil do traçado das estradas modernas, com duas faixas de rodagem, uma vez que foram erguidas pela Diamang no início dos anos 60.

Troço Nzagi-Cachimo

O troço rodoviário que liga a sede municipal do Cambulo à comuna do Cachimo, passando pela localidade mineira de Maludi desperta o interesse das autoridades locais, devido à importância deste corredor na garantia do controlo, pela forma de defesa e segurança, da faixa fronteiriça do nordeste da província da Lunda Norte.
“Temos estado a ser recomendados pelos órgãos de defesa e segurança, principalmente a Polícia de Guarda Fronteira, que tem a missão de proteger e manter a inviolabilidade do nosso espaço territorial, para a necessidade daquele troço rodoviário na garantia da segurança fronteiriça”, justificou Lino dos Santos.
A importância estratégica na garantia da segurança passa por esse troço rodoviário, logo, é uma propriedade do Governo Provincial da Lunda, no âmbito da reabilitação das principais vias rodoviárias.
Outro factor importante apontado por Lino dos Santos, pela necessidade de se incluir nos programas de investimentos públicos, é a reconstrução da estrada Nzagi-Maludi-Cachimo, que liga o nordeste da Lunda Norte e o município do Luau, província do Moxico, passando pelo Muconda na província da Lunda Sul.
A recuperação dessa estrada pode proporcionar o incremento do intercâmbio comercial entre as três províncias do leste do país e criar um acesso rápido da província da Lunda Norte ao Caminho-de-Ferro de Benguela, por intermédio do município do Luau.
A recuperação da malha rodoviária da província é ainda um desafio para as autoridades locais. Mas os passos até aqui dados permitem criar perspectivas de desenvolvimento regional, garantir a ligação entre os principais aglomerados urbanos e as zonas rurais, de forma a facilitar a actividade económica e o intercâmbio comercial.

 

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