Reportagem

Primeira época agrícola regista bons resultados

Carlos Paulino | Menongue

A província do Cuando Cubango colheu 138.100 toneladas de produtos agrícolas diversos na primeira época da campanha agrícola 2016/2017.

Fotografia: Carlos Paulino| Menongue-Edições Novembro

Os resultados são considerados satisfatórios, sobretudo nas culturas do milho, mandioca e massambala.
A época agrícola envolveu 43.745 famílias camponesas dos nove municípios da província, que cultivaram 100.613 hectares. Para realizar a tarefa, foram distribuídas 40 toneladas de semente de milho, dez de massango, igual quantidade de massambala, quatro de feijão, 50 de adubo 12-24-12, dez de ureia e 50 charruas de tracção animal, entre outros instrumentos.
O director provincial da Agricultura, Manuel Alexandre, disse ao Jornal de Angola que a primeira época agrícola, de Setembro de 2016 a Fevereiro deste ano, superou as campanhas de anos anteriores, em que a província viveu situações de seca severa.Na campanha agrícola 2015/2016, foram colhidas no Cuando Cubango 178.494 toneladas de produtos diversos.
A primeira época agrícola de 2016/2017 atingiu quase 80 por cento dessa produção.
“Com os resultados alcançados nesta primeira época agrícola de 2016/2017, acreditamos que, juntando com a segunda, a decorrer de Fevereiro a 31 de Agosto, vamos ultrapassar em muito a produção alcançada durante a campanha de 2015/2017”, assegurou.
A segunda época agrícola é voltada para os produtos hortícolas, sobretudo, nas zonas ribeirinhas, pois a província regista já alguma estiagem, em particular nos municípios fronteiriços, como Calai, Cuangar, Dirico e Rivungo.
Devido à chuva regular na primeira época, os camponeses apostaram no cultivo de leguminosas, além de cereais. Manuel Alexandre afirmou que a mandioca é a cultura mais resistente à falta de chuvas na província.
Por este facto, os agricultores são aconselhados a apostar no produto para evitar prejuízos em caso de estiagem. “É necessário que os agricultores apostem mais nas zonas baixas ou próximas dos rios”, defendeu.
 
Praga da lagarta

A província é assolada por uma praga de lagartas no município do Cuangar e sul do Menongue, que atingiu já dezenas de hectares. O director provincial da Agricultura disse que, segundo informações dos camponeses, a praga teve origem na Namíbia e ataca, sobretudo, o milho na fase de desenvolvimento.
Técnicos do Instituto de Desenvolvimento Agrário (IDA) realizam estudos para apurar a real situação do fenómeno, encontrar soluções e evitar que a praga se alastre. Manuel Alexandre disse ser a primeira vez que a província é assolada por algo do género.

Produção de mel

O director provincial da Agricultura lamentou que, apesar do grande potencial para a produção em grande escala de mel, o Cuando Cubango conte apenas com 831 apicultores no sector familiar, que desenvolvem a actividade de forma tradicional.
Nos últimos anos, a direcção provincial foi contactada por vários empresários nacionais e estrangeiros, mas nada se concretizou até ao momento.
Os apicultores registados na província recebem assistência de técnicos do Instituto do Departamento Florestal (IDF).
“Continuaremos a trabalhar para que as famílias tenham boas colheitas e resultados nas vendas para garantir a sustentabilidade dos agregados familiares”, disse.

Arroz do Longa


A produção de arroz na Fazenda Agro-industrial do Longa, no município do Cuito Cuanavale está parada este ano.
O director provincial da Agricultura afirmou que a instituição cria as condições necessárias para dinamizar a produção de arroz na fazenda.A Fazenda Agro-Industrial do Longa custou mais de 75 milhões de dólares aos cofres do Estado e antes era gerida pela Gesterra.
 O projecto possui um forno de secagem, máquinas de descasque e embalagem, três silos com capacidade para três mil toneladas de arroz cada, 14 pivôs de irrigação, dormitório para 30 trabalhadores, refeitório e dois campos multi-uso.A fazenda funciona há mais de quatro anos. No primeiro, realizaram-se os testes para determinar as variedades que melhor se adaptavam ao terreno. A comuna do Longa fica a 86 quilómetros do Menongue.
O tipo seleccionado foi “KK-1”, que tem um ciclo vegetativo de seis meses. A área cultivada foi de 1.050 hectares, com uma colheita de mais de quatro mil toneladas.
Na campanha agrícola 2015/2016, devido à escassez de divisas para a compra de sementes, foram cultivados apenas 500 hectares para uma produção de duas mil toneladas. Para dinamizar o projecto, o Executivo angolano passou a sua gestão para o Fundo Soberano.
  Manuel Alexandre acrescentou que a perspectiva é ultrapassar os 1.050 hectares de arroz.
O projecto foi concebido para abranger cinco mil hectares e uma colheita anual de mais de 15 mil toneladas.

Perímetro do Missombo

O perímetro irrigado do Missombo, a 18 quilómetros da cidade de Menongue, começa a ser explorado durante a campanha 2017/2018 pela Agro-88, empresa de direito angolano.
Numa primeira fase, vai produzir milho, soja e trigo.O projecto tem um canal de irrigação de 1.047 hectares para regar uma área de 250. O coordenador do perímetro, Agostinho Dias, disse que a Agro-88 procura melhorar as condições do canal de irrigação e dos solos.
“O atraso no arranque deste projecto deve-se também à crise económica e financeira que o país vive”, disse o técnico.
O estudo de viabilidade demonstra que a região do Missombo tem também grande potencial para o cultivo de hortícolas e para avicultura.
DA SILVA

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