Reportagem

Produção da tilápia diversifica a economia

Casimiro José | Sumbe

A produção da tilápia na província do Cuanza Sul caminha em bom ritmo e está alinhada com o programa da diversificação da economia lançado pelo Executivo e os indicadores de organização e captura mostram uma  pujança promissora.

A prática da aquicultura na província dá um forte impulso ao combate à fome e à pobreza e a produção da tilápia e de outras espécies melhora a dieta alimentar da população e gera mais postos de trabalho
Fotografia: Fernando Camilo | Edições Novembro | Cuanza Sul

Estão constituídas ao nível da província do Cuanza Sul um total de 26 empresas que se dedicam à produção da tilápia (peixe cacusso), dentre elas as de pequeno e médio porte e aquicultores singulares, espalhados nos municípios de Porto Amboim, Cela, Conda, Cassongue, Ebo, Quibala e Libolo.
Para a produção da tilápia e alevinos estão criadas 75 gaiolas e 136 tanques, onde estão envolvidos 198 trabalhadores, uns com postos de trabalho directos e outros indirectos. Das pessoas que se encontram na aquicultura, destacam-se as mulheres viúvas e ex-militares incorporados em cooperativas.
Desde o início da actividade, foram produzidas 156 toneladas de tilápia e 32 de alevinos em 420 unidades. O director provincial das Pescas, Adão   da Silva, disse à reportagem do Jornal de Angola que a produção da tilápia envolve todos os municípios e  denota a vontade das populações em tirar o máximo proveito dos rios espalhados pelo Cuanza sul. “A mensagem sobre os benefícios da prática da aquicultura foi passada e as pessoas aderiram, o que faz da província uma das que mais cresce em termos de produção da tilápia”, disse.
Adão da Silva considerou que a prática da aquicultura, a par da pesca continental, constitui uma mola impulsionadora para o combate à fome e à pobreza junto dos membros das comunidades.
“A produção da tilápia e de outras espécies prossegue fins económicos e o melhoramento da dieta alimentar e a geração de mais postos de trabalho”, frisou, para acrescentar que na medida em que as pessoas aderem são criadas condições necessárias para solucionar os problemas que os aquicultores enfrentam.
Quanto à questão da falta de rações, o responsável local das Pescas assegurou que está em construção uma fábrica na localidade de Cambalo, município de Porto Amboim, enquanto a fábrica de rações do projecto “Terra do Futuro”, implantado no município da Quibala produz actualmente 30 toneladas de peixe por dia.
 “O problema da falta de rações que os aquicultores enfrentam tem os dias contados, tendo em conta as iniciativas privadas que têm surgido, e a mais expressiva é o projecto “Terra do Futuro”, que tem uma produção diária de 30 toneladas de rações”, disse Adão da Silva, que adiantou: O complexo do Quicombo, explorado pela empresa Omatapalo também contempla no seu projecto o fabrico de rações, a partir dos resíduos de camarão e cacusso.
Adão da Silva revelou que a província do Cuanza Sul conta com sete projectos cadastrados e 176 cidadãos registados para exercerem a aquicultura, e que destes, quatro concorrem  para os dez melhores no país. Quanto às potencialidades que a província oferece, Adão da Silva disse que o Cuanza Sul é caracterizado por uma condição edafoclimática, que permite o surgimento de iniciativas aquícolas em toda a extensão da região.
O director das Pescas considerou de baixa a produção actual, e explicou que as potencialidades que a província oferece estão longe da sua real exploração, tendo em conta que a província conta com uma população  de 1.881.873 habitantes.

Aposta na produção


Durante a recente visita de trabalho efectuada ao Cuanza Sul, a ministra das Pescas, Victória de Barros Neto, incentivou os aquicultores da província no sentido de apostarem mais na aquicultura
para que se tirem proveito das potencialidades nos domínios de terras propícias e água abundante que a localidade apresenta.
A titular da pasta das Pescas assegurou que o Executivo tem uma aposta séria no fomento da aquicultura. “O fomento da aquicultura através do Ministério das Pescas é uma prioridade do Executivo que tem como objectivo garantir a segurança alimentar das populações, para diversificar a produção e complementar o rendimento das famílias.” 
 A ministra das Pescas  explicou que o fomento e desenvolvimento sustentável da aquicultura é crucial e também considerado a nível mundial  uma alternativa para o aumento do pescado, e oferece um enorme potencial para responder a procura de alimentos ricos em proteínas, o que reduz as importações. Como ponto de partida, realçou a ministra, o envolvimento institucional, no âmbito da investigação científica, formação de quadros, bem como o incentivo ao investimento privado para o desenvolvimento da aquicultura comercial e o fomento da  pequena produção comunal é uma das grandes apostas do Executivo.

Criação de estruturas


A ministra Victória de Barros Neto defendeu a cração  das estruturas de apoio à piscicultura no país, como os centros de larvicultura de tilápia e estações experimentais, capacitadas para produzir os alevinos de cacusso, que concorre para o fomento da piscicultura no país.
O Cuanza Sul, referiu a ministra, é uma boa opção para a instalação de fábricas de rações, por possuir quantidades consideráveis da matéria-prima, como o milho, massambala, farinha de óleo de peixe e óleo de palma .
Na sua recente visita  ao Cuanza Sul, a ministra das Pescas procedeu ao lançamento da primeira-pedra para a construção de dois empreendimentos ligados ao sector de exploração de sal.
Trata-se do Centro Integrado de Apoio à Pesca Artesanal, que vai ser construído na localidade das Salinas da Ngunza, implantada numa área de 1.2 hectares, e no Complexo do Quicombo com 67 hectares, que abrange as áreas de pesca de camarão e cacusso numa área de 30 hectares para a exploração de sal pela empresa Omatapalo.

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