Reportagem

Produtos são consumidos em todo o território nacional

Francisco Curihingana | Malanje

A Fazenda Promoção de Investimentos e Participação Empresarial (PIPE) existe desde 2010 e assenta a actividade na produção de milho. Dedica-se também, em menor escala, ao cultivo de massambala, feijão e batata, inserida num projecto social em parceria com membros da comunidade local.

Um campo agrícola com o desenvolvimento em vários cereais na região de Malanje
Fotografia: Edições Novembro

Localizada em Cambunze, província de Malanje, cuja fertilidade atraiu os mentores do empreendimento, a PIPE contribui para o desenvolvimento económico do país. A produção é escoada para o mercado nacional. A actividade agrícola é garantida por setenta trabalhadores, maioritariamente angolanos, e quatro brasileiros, que colaboram essencialmente nas áreas de produção e de manutenção. A fazenda conta ainda com 30 colaboradores que trabalham temporariamente.
O administrador Victor Palma disse que, nos primeiros anos, “a produtividade foi relativamente baixa porque estava no início. Havia muito trabalho de desmatação e havia a preparação de terras e implementação de sistemas de rega. Para o milho, temos agora uma estimativa de produção de 10 mil toneladas por ano”.
A crise financeira assolou todos os sectores da economia nacional e a agricultura ressentiu-se mais. Actualmente, segundo Victor Palma, “há uma maior dificuldade para a aquisição de sementes (importadas do Brasil) e adubos que escasseiam no mercado”.
Os resultados da produção são satisfatórios, apesar dos constrangimentos iniciais, com algumas quebras acentuadas pela estiagem. “No ano passado foi possível atingir 10 mil toneladas de milho e prevemos alcançar a mesma cifra no presente ano agrícola”, disse Victor Palma.
Apesar do período de estiagem que a região viveu nos meses de Fevereiro e Março deste ano, o administrador da fazenda acredita que “não vamos ficar muito longe” daquele objectivo. “A expectativa é que a produção por hectare ronde as oito toneladas. Vamos ver se conseguimos atingir esse objectivo”, afirmou.
 
Apoio à comunidade
 
A PIPE constituiu uma associação integrada pelas populações vizinhas, com as quais estabeleceu uma parceria, através da disponibilização de parcelas de terra. “O que fizemos foi uma parceria no sentido de cedermos a terra e os equipamentos. Demos os produtos para o tratamento das terras e os camponeses devem tratar da sementeira”, referiu. “Tratam do desenvolvimento de todo o plantio dessas terras que lhes são atribuídas, fazem a colheita e comercializam (os produtos). O resultado da comercialização é partilhado com a gestão da fazenda, com uma divisão de cinquenta por cento para os membros da comunidade e igual percentagem para a fazenda”, explicou.
Os terrenos são irrigados através de sistemas autónomos. “Temos água canalizada por tubagem subterrânea para os tanques de distribuição”, disse Victor Palma.
De momento, a fazenda tem a sua actividade condicionada pela dificuldade de acesso por via rodoviária, o que condiciona o escoamento dos produtos. “Os compradores vêm com camiões e adquirem os produtos. Toda a nossa produção vai para as outras províncias, para os grandes centros urbanos, nomeadamente Luanda”, referiu o administrador.
Outro problema prende-se com as elevadas despesas de combustível para desenvolver a actividade produtiva. Quando acabar o racionamento de energia eléctrica a partir da Barragem de Capanda, os custos operacionais vão diminuir. “Reduzindo os custos operacionais, é natural que haja mais investimento em equipamentos, em meios humanos e, por conseguinte, o desenvolvimento cabal da fazenda”, disse Victor Palma.
A fazenda ocupa dez mil hectares, mas apenas três mil são aproveitados, por enquanto. “Vamos cultivar milho e soja”, afirmou o administrador. “Nos anos transactos apostámos forte na produção da soja, mas este ano não temos soja porque, devido ao período de estiagem que vivemos, tivemos que centrar as atenções na área dos pivots (de irrigação)”, acrescentou.
Apesar de as atenções estarem viradas para a produção de milho, a PIPE está a programar a diversificação agrícola. “Como não temos necessidade de cultivar sempre o mesmo tipo de planta, usamos o feijão e a soja como elementos para a rotatividade”, explicou.
 
Oportunidades de trabalho
 
Wilson António tem 33 anos. Terminou a formação em Ciências Agronómicas e o mestrado em Ciências dos Solos na Roménia, onde estudou durante sete anos. “Vim para Malanje por intermédio de certas amizades e, por outro lado, sendo uma das províncias com uma aposta maior na agricultura, foi mais fácil encontrar uma oportunidade de emprego”, disse.
Cristiano José Cláudio, 26 anos, é operador de pulverização. Trabalha há oito anos na fazenda. “Estamos aqui a trabalhar sem nenhum problema. Por mais que a seca danifique um pouco daquilo que produzimos, conseguimo-nos impor”, garantiu.
Augusto Ulombe, 26 anos, é natural do Huambo. Chegou a Malanje à procura de uma oportunidade de trabalho e encontrou-a na PIPE. Está satisfeito com o trabalho que faz como operador de máquinas.
Os jovens não escondem a satisfação pelo facto de a fazenda lhes proporcionar formação profissional, além de outras regalias. “Todos eles, na sua grande maioria, são residentes nos bairros dentro do perímetro da fazenda e, com o processo de aprendizagem a que foram submetidos, já operam máquinas com esteiras e pneus, além de outras que requerem mais técnica, que é o caso dos equipamentos para desinfestação dos campos. Todos recebem formação aqui. Começam na base, depois, como auxiliares e com o decorrer do tempo, vão subindo de categoria”, realçou.
 
 
 

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