Reportagem

Projectos integrados melhoram a qualidade de vida da população em Cabinda

Bernardo Capita | Cabinda

A cidade de Cabinda e bairros periféricos podem, nos próximos dias, ver resolvidos os graves problemas de saneamento básico e de acumulação de enormes quantidades de água nas  zonas residenciais e nas artérias, em  consequência de aluimentos de solos a partir do morro do Tchizo, principal causa de assoreamento das poucas valas existentes na urbe, para escoamento de águas pluviais para o mar, com a conclusão final de quatro grandes projectos integrados que o Executivo leva a cabo há cerca de seis meses.

Fotografia: Rafael Tati |Edições Novembro|Cabinda

As  quatro empreitadas estão a evoluir de modo integrado e têm três objectivos essenciais, sendo o primeiro ligado à construção das valas de macro drenagem e de estabilização do morro do Tchizo, onde o objectivo geral consiste na implementação de um projecto de macro drenagem integrado com uma estrutura ecológica natural, para resolver todos os problemas
Um dos objectivos da construção  das valas de macro drenagem é o desassoreamento de valas a partir do morro de Tchizo, passando pelo rio Luvassa, incluindo todos os seus afluentes e pequenos canais que desagoam nesta bacia hidrográfica, para reduzir os graves problemas de inundação e de assoreamento que não só afectam à população, mas também algumas instituições, quer públicas quer privadas no casco urbano.
A empreitada, ligada ainda à construção das valas de macro drenagem e de estabilização do morro do Tchizo, prevê igualmente entre outras acções, e sempre na perspectiva ecológica, revestir as encostas do morro do Tchizo, com recurso a material não muito nocivo, como gaviões, relva e árvores e, ao longo da trajectória da principal  vala de drenagem de uma extensão de dez quilómetros, instalar-se também zonas de lazer, comunitárias, lojas, travessias para peões e vias de circulação numa extensão de 17 quilómetros para permitir a mobilidade, quer da população quer dos operários e máquinas envolvidos nas obras.
A segunda acção inserida nos três objectivos previstos a serem executados, no âmbito dos quatro grandes projectos integrados, que o Executivo leva a cabo há cerca de seis meses na cidade de Cabinda e bairros periféricos, para resolver o grave problema de saneamento básico e de acumulação de enormes quantidades de águas pluviais em zonas residências e artérias, consiste na reabilitação e construção das vias do casco urbano numa extensão de 17 quilómetros, com a introdução de todas as redes técnicas, nomeadamente de iluminação pública, de esgotos, de telefone e de água, incluindo lancis e passeios.
As obras de reabilitação abrangem as ruas Duque de Chiazi, das Forças Armadas, da Missão e o troço rodoviário que parte da ponte sobre o rio Lucola até a rotunda da República, no bairro Cabassango. O terceiro e último objectivo consiste na construção de 12 mil casas sociais. Nesta  primeira fase, estão a  ser construídas três mil moradias para acomodar parte das famílias que vão ser retiradas do morro do Tchizo, cujas casas estão abrangidas no perímetro do projecto.

Evolução positiva das obras

O nível de execução física das obras alegrou o ministro da Construção, Artur Fortunato. A satisfação foi manifestada por aquele governante durante a sua breve estadia nesta província, onde além de presidir aos trabalhos do primeiro Conselho Consultivo do Ministério da Construção, inspeccionou a evolução de todas as obras públicas a cargo do pelouro que dirige na província.
O titular da pasta da Construção visitou os locais onde decorrem os trabalhos e recebeu dos empreiteiros, na sua maioria chineses, todas as  informações atinentes aos projectos, como a reconfirmação sobre o tempo de conclusão das empreitadas.
O ministro reafirmou o compromisso e o empenho pessoal de tudo fazer no sentido de levar até ao fim as obras que o Executivo está a realizar na cidade de Cabinda, porque, no seu entender, elas “vão proporcionar  a Cabinda, no seu todo, uma transformação profunda da sua imagem e maiores benefícios aos seus habitantes.” 
Questionado se a crise financeira que assola o país, derivada da queda do custo do petróleo no mercado internacional, não será um handicap que poderá retardar a conclusão das obras, o ministro Artur Fortunato, sem vacilar, afirmou que as obras “não vão parar jamais, por estarem enquadradas na linha de financiamento da China”, estratégia que o Executivo encontrou para tirar a província do marasmo de degradação de maior parte da sua rede viária com vista à melhoria da qualidade de vida da sua população.
Os recursos financeiros estão garantidos, reafirmou o ministro Artur Fortunato, para quem o mais importante neste momento “é a execução segura e gradual das obras e  não as pressões sobre o incumprimento ou não de prazos contratuais.”

Satisfação da governadora

A governadora da província de Cabinda qualificou as obras em curso na cidade de Cabinda como sendo uma mais-valia para a população, porque, no seu entender, é a primeira vez que se constrói nessa cidade vias estruturantes com todas as infra-estruturas técnicas, desde redes de esgotos, de iluminação pública e eléctrica domiciliar, de telefone e de água.
Com a conclusão das obras, segundo a governadora, a cidade de Cabinda e bairros periféricos vão deixar de ter graves problemas de falta de sistemas de drenagem de águas pluviais, de inundações que frequentemente ocorrem, quer na baixa da cidade quer no interior dos bairros, quando chove e, sobretudo, de saneamento básico derivado da acumulação de aguas residuais.
A governadora Aldina da Lomba Catembo fez lembrar que as obras ora iniciadas na cidade de Cabinda “não surgiram por acaso, mas resultaram do diagnóstico feito pelo governo provincial há cerca de três anos e estão plasmadas no Plano de Desenvolvimento da Província de Cabinda, no que se refere ao sector da Construção e das Obras Públicas, mas que, por falta de recursos financeiros, nunca tinham sido antes concretizadas.”
Juntando o útil ao agradável, a governadora Aldina da Lomba Catembo aproveitou a ocasião para enaltecer os ganhos que a província de Cabinda registou durante os quinze anos de paz que se assinalam hoje, dia 4 de Abril. A governante disse que sem paz não seria possível ao governo provincial, nem tão pouco ao Executivo, desenvolver um conjunto  de obras sociais, particularmente nas localidades do Miconge e do Alto Sundi (Alto Maiombe), que, em consequência da guerra, ficaram durante longos anos inacessíveis e com todas as infra-estruturas comunitárias totalmente degradadas.
Fruto da paz, disse Adelina da Lomba Catembo, hoje, essas localidades e tantas outras da província já têm escolas, estradas totalmente reabilitadas, postos e centros médicos de referência, energia eléctrica e sistemas de captação e de distribuição de água à população, residências para enfermeiros e para professores e centros de lazer, entre outros empreendimentos, que elevam a auto estima dos seus habitantes.
Ainda assim, a governadora entende que muita coisa há ainda por se fazer para se melhorar a qualidade de vida da população. A governadora agradeceu ao Ministério da Construção, na pessoa do seu titular Artur Fortunato, por ter escolhido a província de Cabinda para acolher o primeiro conselho consultivo daquela instituição, que, no seu entender, serviu de grande oportunidade para avaliar de modo particular e profundo os problemas das infra-estruturas da província de Cabinda no âmbito do plano de desenvolvimento superiormente a­provado dentro do contexto macro económico actual, permitindo o enquadramento de diferentes projectos da província nas linhas de  crédito da China.

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