Reportagem

Quedas de Calandula potenciam o turismo

Francisco Curihingana | Malanje

Visitar Malanje e não se deslocar às majestosas Quedas de Calandula, é o mesmo que ir a Roma e não ver o Papa. Esta frase vai-se tornando frequente nos últimos dias, quando o assunto é a visita à província da Palanca Negra.

Potencialidades turísticas do país são um grande suporte para o desenvolvimento acelerado do turismo e a captação de receitas para os cofres do Estado
Fotografia: Kindala Manuel | Edições Novembro

As Quedas de Calandula, belo encanto natural do nosso território e uma das Sete Maravilhas de Angola são indiscutivelmente um verdadeiro pólo de atracção turística.
Em dias normais, diz o administrador Pedro Sebastião Dembue, os números não passam de uma dezena. Mas nos feriados e fins de semana prolongados, os números sobem significativamente. “Na casa dos 300 a 500 turistas. Vezes há em que não há espaço para parquear as viaturas”, completou.
Localizadas no rio Lucala, o mais importante afluente do rio Cuanza, as Quedas de Calandula, são as maiores de Angola e as segundas maiores de África, depois das Quedas Victória, entre a Zâmbia e o Zimbabwe, com 410 metros de comprimento e 105 de altura.
 
Rentabilização financeira

O administrador Pedro Sebastão Dembue defende a rentabilização daquele local turístico, o que na sua óptica, vai contribuir positivamente para o município, em termos de receitas financeiras. Mas, para que tal aconteça, o responsável defende o surgimento de serviços diversos, para acomodar e distrair mais os turistas, porque, justifica, “o que acontece é que o turista depois de contemplar a maravilha da natureza, não tem outros atractivos. Na verdade se fossem implantados outros serviços de lazer no local, áreas de prestação de serviços hoteleiros, acho que estariam criadas as condições para que as pessoas pudessem ficar mais tempo ali”, realçou.
A questão do saneamento básico no local é outro desafio das entidades administrativas de Calandula, por constituir o cartão de visita do município, em particular e da província em geral.
“Nós temos um excelente local, como cartão de visita do município e da província, mas no entanto, reconhecemos a necessidade de se prestar mais atenção, no que toca ao saneamento básico”, realçou. Chamou a atenção para a observância de regras de higiene, preservando o local e tornando-o mais convidativo e atractivo.
Deplorou o comportamento de alguns turistas que depois de conviverem, deixam à deriva o lixo. Disse que o Governo da província de Malanje, na pessoa do seu titular, Norberto dos Santos “Kwata Kanawa”, criou por despacho, uma comissão liderada pelo vice-governador Domingos Eduardo, no sentido de traçar estratégias de rentabilização do espaço.
“Esta comissão está a fazer o seu trabalho. A seu tempo serão apresentados resultados das mudanças operadas”.
De lembrar que é no perímetro das Quedas que está  implantado o Pólo de Desenvolvimento Turístico de Calandula de dois mil hectares, criado por decreto presidencial. O espaço reservado ao perímetro, recorda-se, inclui as Quedas, cuja responsabilidade em termos de gestão recai ao Pólo.
O município de Calandula, localizado no norte da província de Malanje, faz fronteira a sul, com o município de Cacuso, através da comuna do Lombe, a norte com Massango, a leste com Kiwaba Nzoge, próximo de Cacuso; a nordeste com o Uíge e Cuanza Norte, e conta com 87 mil habitantes, que se dedicam fundamentalmente à produção agrícola.
Mas, Calandula em termos turísticos, não se limita às Quedas. Possui outros atractivos.
O roteiro turístico de Calandula estende-se igualmente para a Mesa da Raínha Njinga Mbandi, na comuna do Cuale, que é um outro potencial, o Makata-a-Luando, uma extensão de quase um quilómetro de pedras sobrepostas, localizado na sede do município, Mbango-a-Nzenze, que alberga as cataratas de  Musseleje e as Quedas do Rio Luenze. Não há de facto dúvidas se afirmarmos que Calandula é a “menina” mais bonita de Malanje, pelos ricos encantos que apresenta. A ausência de investimentos no sector do Turismo penaliza sobremaneira, a região.
 
Resposta do empresariado

O administrador municipal de Calandula confirmou as solicitações por parte dos investidores, mas tudo não passa de meras intenções. “Têm surgido intenções de investimento nesta área. O que acontece é que, depois dos primeiros passos, oa promotores desaparecem”, lamentou.
Pedro Sebastião diz desconhecer as causas que levam ao “sumiço” dos investidores. mas como disse, “nós temos estado a cumprir com o nosso papel, que é o de servir, encaminhar, motivar, sensibilizar, atrair. Mas a verdade é que depois não nos voltam a contactar”, desabafou.
 
Potencial agrícola

O município de Calandula é potencialmente agrícola. Possui gente bastante trabalhadora, solos férteis e uma bacia hidrográfica bastante equilibrada. Para além de terras adequadas para o desenvolvimento da agro-pecuária familiar e industrial, Calandula dispõe de óptimas condições para o desenvolvimento de outros sectores complementares da nossa economia.
Nas comunas do Cateco Cangola e Cuale, os agricultores produzem em grande escala, o café. Durante algum período desinteressaram-se da produção devido aos baixos preços então praticados. De acordo com o administrador Pedro Sebastião, a tabela para aquele produto fez com que os agricultores abdicassem da actividade.
 
Energia eléctrica

A luz eléctrica que ilumina as noites da vila de Calandula é garantida por dois grupos geradores de grande potência com 650 kilovóltios. As comunas do Cota, Cuale, Kinge e Cateco Cangola têm cada uma, um grupo gerador de 125 kva, que fornece iluminação às respectivas sedes comunais.
O barulho ensurdecedor dos grupos geradores e a preocupação na aquisição do combustível (gasolina e gasóleo), vai deixar de existir em breve. O Governo da província está a trabalhar no sentido de, ainda este ano, a vila de Calandula ser abastecida de energia eléctrica, a partir do Aproveitamento Hidroeléctrico de Laúca.
“Os trabalhos estão a ser realizados. Estamos informados pelos nossos superiores de que, provavelmente este ano, o ramal poderá chegar até à subestação, cujo local necessita, entretanto, de ser desminado. Tudo aponta para que ainda este ano, Calandula receba energia a partir de Laúca”, revelou.
A partir da barragem do Laúca, Pedro Sebastião acredita que com o fornecimento de energia, o desenvolvimento económico  do município ganhe outro impulso.  
O  município de Calandula comporta cinco comunas incluindo a sede. A saber: Cuale, Cota,  Kinge e Cateco Cangola, ocupando uma superfície de 7.032 quilómetros quadrados.

Programas operativos para o sector

O Ministério da Hotelaria e Turismo anunciou, para breve, a implementação do programa operativo do sector para o período 2016-2017, ao nível do país, com  o objectivo de contribuir para a captação de receitas para a saída da crise, segundo o titular da pasta, Paulino Baptista.
O ministro, que prestou a informação durante um encontro com os agentes económicos e empresários locais, disse que o programa foi já aprovado pelas Comissões do Conselho de Ministros e contempla quatro aspectos fundamentais, designadamente, a captação de receitas, o fomento do turismo interno, a formação profissional e a promoção do turismo.
Paulino Baptista referiu igualmente as prioridades traçadas pelo Chefe do Executivo para o desenvolvimento do sector. Acrescentou que na primeira fase está a ser feita a avaliação para a implementação do programa operativo do sector do turismo ao nível das províncias.
O governante destacou o potencial turístico da província de Malanje, com realce para as Quedas de Calandula, as Pedras Negras de Pungo a Ndongo e o Parque Nacional de Cangandala que podem ser promovidos e rentabilizados para a captação de receitas através da prática do turismo doméstico.
Na sua visão, o turismo interno pode servir de suporte ou socorrer o Orçamento Geral do Estado fundamentalmente nesta fase de crise financeira internacional.
Paulino Baptista disse que independentemente de algumas províncias apostarem forte em outros sectores, como a Agricultura e Geologia, Malanje está bem privilegiado no que ao turismo diz respeito, para contribuir para o processo de desenvolvimento económico do país. Os locais de atracção turística, disse Paulino Baptista,  não existem nas cidades, mas sim, “nos municípios e para tal torna-se necessário a concorrência do sector privado, se for tido em conta que são os principais actores aos quais o Governo deve apoiar as suas iniciativa criadoras através de parcerias público-privadas”.
O objectivo, frisou, é a rentabilização dos lugares turísticos, o que passa pela organização de outros serviços rent-a-car no domínio hoteleiro, infra-estruturas, água, electricidade, sistemas de telecomunicações e de rentacar ou de táxi, bem como  a existência de guias turísticos  em que os operadores e empresários jogam um papel crucial. O ministro da Hotelaria e Turismo referiu, também, que este desiderato pode ser materializado tendo em conta que o turismo consta da lista de prioridades do Executivo a par da Agricultura, Geologia e Minas e Indústria, referindo a aprovação do programa operativo do turismo 2016- 2017 que constitui um privilégio para o desenvolvimento do sector que dirige.
Paulino Baptista disse que é preciso aliar a teoria à prática através dos operadores económicos, referindo que apenas eles vão saber como ganhar dinheiro de diversas formas.
O ministro realçou a assinatura de um contrato de cooperação com o Banco Sol para a promoção de pequenas e médias empresas para a criação de agências de viagens, entre outros serviços de apoio ao turismo.

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