Reportagem

Ravinas ameaçam milhares de famílias

Samuel António | Luena

A progressão de ravinas na periferia da cidade do Luena coloca em risco milhares de famílias e várias infra-estruturas podem ser engolidas caso não haja alguma intervenção para atenuar os efeitos deste fenómeno.

Fotografia: Daniel Benjamim | Edições Novembro

Estão contabilizadas ca­torze ravinas em avanço nas zonas Leste, Sul e Sudoeste da cidade do Luena, capital provincial do Moxico, ameaçando engolir os bairros Sangondo, Santa Rosa, Zorró e 4 de Fevereiro, na periferia da cidade.
A principal ravina que par­te nas mediações do bairro Bomba, junto do antigo matadouro, está ramificar-se por várias direcções. A que está progredir em direcção ao centro da cidade, ameaça destruir importantes infra-estruturas como por exemplo o Coman­do da Polícia Nacional, a Escola Técnica de Formação profissional, a Delegação Provincial das Finanças, o Comando Provincial dos Bombeiros e a Emissora Provincial do Moxico.
Alguns moradores já abandonaram as suas casas, en­quanto outros continuam in­-
sistentes a espera  que a situação venha a normalizar-se. Muitas residências estão a beira de desaparecerem,  se não forem accionadas medidas para atenuar a fúria deste monstro.     
A situação está tornar-se cada vez mais insustentável. O medo e a incerteza apoquentam, a cada dia,  corações de famílias inteiras que coabitam diariamente com o fenómeno.
No terreno, o drama continua inalterável, à medida que a ravina aumenta a sua extensão, o pânico toma conta de quem será a próxima vítima. Famílias completamente arrasadas clamam diariamente por um grito de socorro.
Devidos as constantes chuvas que caiem diariamente na região, os solos tornaram-se insustentáveis e a possibilidade de abertura de no-
vos buracos tem sido cada vez maior.
O fenómeno está a deixar preocupada a população local, que teme pelo pior, caso a chuva continuar a cair com a mesma intensidade nos próximos meses.
A reportagem do Jornal de Angola tentou ouvir alguns moradores do bairro Aço, local mais atingido por ravinas, mas foi vaiada acusada de estar a fazer propaganda barata que não ajuda em nada. “Vão fazer a vossa banga lon­ge, porque estão nos deixar cada vez mais irritados”, disse um cidadão com semblante enfurecido, que recusou dizer o seu nome.
Quando meu colega fotógrafo tentou direccionar a máquina para captar a imagem de um grupo de moradores, foi compulsivamente impedido de o fazer sob pena de sofrer represália.
“Possa essa gente está mui-to má, em nenhum momento fomos tratados assim, o que está se passar”? replicou o fotógrafo.
Quando tentamos acalmar os ânimos, ouvimos uma voz ao fundo que tentou devolver-nos alguma tranquilidade: “Eles não são culpados do que está se passar, apenas vieram para cumprir com sua obrigação. Com estas palavras ganhamos o novo fôlego para permanecer no local e observar tudo que serviria para a nossa reportagem.          
Enquanto nos preparávamos para escrever esta reportagem, fomos surpreendidos por uma chuva acompanhada de fortes ventos e trovões, o que obrigou a ENDE desligar a corrente eléctrica em toda a cidade. O sinal mostra que as chuvas não querem dar  nenhuma trégua,  apesar de tanto clamor dos moradores.
A região não recebe tanta chuva nestes últimos anos como está acontecer nesta época. Além de ser um sinal de bênção da mãe natureza, para os moradores das zonas arrasadas, o fenómeno vem colocar em risco as suas vidas.
O local é um perigo a céu aberto, não só para os moradores, mas também para várias crianças que por curio­sidade chegam próximo dos terrenos susceptíveis de deslizamentos.
Como diz o adágio popular o cavalo engorda com olhar do dono. O ministro da Construção e Obras Pública, Ma­nuel Tavares de Almeida, dispensou o convívio familiar no dia do Natal e aproveitou o momento para atender o grito de socorro da população e do Governo Provincial.
Durante a sua visita de algumas horas ao Luena, o ministro,  ladeado pelo governador Manuel Gonçalves Muandumba, garantiu que só é possível combater a ravina quando as chuvas terminar, mas, até lá, vão ser feitos alguns trabalhos para atenuar a situação.
 Para tentar minimizar a situação, o Governo Provincial destacou no local uma equipa de técnicos que está trabalhar para evitar  o deslizamento de terra. A  reportagem do Jornal de Angola constatou que tal medida não está a surtir efeitos desejados, na medida em que as chuvas caiem, elas retiram todo o betão que está a ser posto para impedir novos desabamento de terra.
 A situação é bastante crítica, o vice-governador para área Técnica e Infra-Estruturas, Manuel Lituai, que está acompanhar o trabalho dos técnicos no local, considerou de insustentável o que está a se  passar no terreno.
“É triste ouvir todos os dias o clamor da população, temos poucas alternativas por en­quanto, e o mais importante neste momento é accionarmos mecanismos para evitar que haja percas de vidas humanas”, disse preocupado o governante que apelou os moradores para não caírem no desespero. 
 
 

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