Reportagem

Reabertura do aeroporto do Dundo acelera desenvolvimento económico

Armando Sapalo |

As obras de reabilitação, ampliação e modernização da pista do Aeroporto do Dundo, na capital da Província  da Lunda Norte, ficam concluídas já no primeiro semestre do próximo ano.

A obra em fase avançada de execução está enquadrada nos projectos estratégicos e estruturantes do Executivo destinados a garantir maior mobilidade às pessoas e mercadorias entre a capital do país e as demais províncias

A garantia é do ministro dos Transportes, Augusto Tomás, que na segunda-feira visitou o empreendimento. Aguardado com bastante expectativa pela população, o projecto prevê a ampliação da pista de 1.500 metros para 2.500 metros de comprimento e de 30 metros para 60 metros de largura, tendo em conta os padrões globais estabelecidos pela Organização Internacional da Aviação Civil (OIAC), para aterragem de aeronaves do tipo Boeing 737-7700, um dos mais utilizados  pela companhia área angolana (TAAG) nas ligações domésticas.
A obra, a cargo da empresa Andrade Gutierrez, enquadra-se nos projectos estratégicos do Executivo, destinados a garantir maior mobilidade às pessoas e mercadorias, entre a capital do país e a província da Lunda Norte, separadas por estrada cerca de 1.200 quilómetros.
Augusto Tomás recebeu garantias do empreiteiro de que o grau de execução física das obras ronda os 60 por cento.
As intervenções incidem neste momento na construção da rede de drenagem das águas pluviais e no aumento da camada asfáltica da pista, que deve comportar um volume de 21 centímetros.
A empreitada começou a ser executada em 2014, mas a crise financeira que o país atravessa interferiu negativamente no ritmo das obras. Desta vez, o ministro dos Transportes garante que,  não obstante os atrasos significativos da parte do Estado em honrar os compromissos assumidos no âmbito da execução financeira do projecto, existe “uma excelente cooperação” entre o empreiteiro e o Executivo sobre a necessidade de se concluir a obra e a importância de que se reveste.
O período estimado para a conclusão das obras, de acordo com o ministro dos Transportes, tem em conta as fortes chuvas que, por essa altura, se registam na Província, com repercussões no ritmo dos trabalhos.
O programa de modernização do aeroporto do Dundo  começou em Abril de 2012, com a construção de um novo terminal de passageiros, cuja primeira fase foi inaugurada em Agosto do mesmo ano, pelo ministro Augusto Tomás.
O terminal de passageiros do aeroporto do Dundo foi erguido numa aérea de 2.558 metros quadrados, com capacidade para 300 passageiros em hora de embarque e desembarque.
A infra-estrutura aeroportuária tem dois pisos, sendo que o primeiro aloja vários serviços, entre os quais quatro balcões para “check-in” , o mesmo número destinado a Serviços de Migração e Estrangeiros, além de zonas especificas de tratamento de bagagens com tapete rolante e equipamento de raio-X destinado ao rastreio da carga. O segundo piso alberga as áreas administrativas da ENANA e a torre de controlo de operações aéreas, devidamente equipadas com tecnologias avançadas de comunicação recomendadas internacionalmente.
Na nova aerogare os passageiros têm igualmente disponível um restaurante, lojas para venda de produtos diversos, prevendo-se também a abertura de serviços de aluguer de automóveis para facilitar a vida dos viajantes.
A pista do aeroporto do Dundo foi interdita pelo Instituto Nacional de Aviação Civil (INAVIC), em 2008, devido ao avançado estado de degradação, tendo na altura sido projectada a sua reabilitação e ampliação, de forma a compatibilizá-la com as medidas de segurança para aeronaves e passageiros.
O projecto de reabilitação e ampliação da pista do aeroporto da capital da Lunda Norte representa um enorme ganho para o desenvolvimento da Província  por  viabilizar as ligações com outras Províncias   de Angola e contribuir significativamente para a redução das assimetrias regionais. A ENANA, empresa tutelada pelo Ministério dos Transportes, tem estado a executar, desde 2008, um programa de recuperação, modernização e apetrechamento de cerca de 30 aeroportos de grande, média e pequena dimensão.

Aeroportos do Leste

A região leste de Angola, onde se inclui a Província  da Lunda Norte, é servida por quatro aeroportos, o último dos quais inaugurado em 2014 pelo Presidente da República, José Eduardo dos Santos, na vila do Luau, a mais de 300 quilómetros da cidade do Luena, Província  do Moxico. Com características internacionais, a infra-estrutura tem capacidade para 70 passageiros, dos quais 20 na área  VIP. A pista tem um comprimento de 2600 metros e 45 metros de largura.
O empreendimento contempla instalações e serviços para acomodação de passageiros e bagagem, tendo  na sua envolvente uma zona administrativa, restaurante, bares e outros serviços, ocupando uma área de aproximadamente 1.030,80 metros quadrados. O aeroporto está  apetrechado com circuitos de iluminação normal e de emergência, sinalização de saída, iluminação exterior, bem como sistemas de UPS, ar condicionado, sistema terra, protecção contra descargas atmosféricas, de bombagem  e tratamento de água.
Sistemas de telefone/dados, detecção de incêndio, controlo de acesso, entre outros serviços completam a infra-estrutura.
Já a pista do aeroporto da capital da Província  do Moxico,  Luena, foi ampliado para mais de 4.000 metros de comprimento. Possui uma nova torre com equipamentos modernos e serve de placa giratória para voos regionais.
Em 24 meses foi construído um novo terminal de passageiros para atender 300 pessoas em horário de pico, sendo 150 no embarque e outros tantos no desembarque, colocados tapetes rolantes, aparelhos RX, equipamentos de controlo de bagagens e outros meios técnicos.
Mais de 35 milhões de dólares foram investidos pelo Executivo na reabilitação e modernização dessa infra-estrutura aeroportuária, de elevada importância para os projectos de integração no espaço da SADC (Comunidade dos Estados da África Austral). O novo aeroporto de Saurimo, na Província  da Lunda Sul, construído numa área de ­doze mil e setecentos metros quadrados, respeita os parâmetros internacionais de aviação civil. As obras custaram mais de 43 milhões de dólares. O terminal de passageiros foi reabilitado e modernizado e tem agora todos os requisitos exigidos pela Organização Internacional da Aviação Civil, segundo a ENANA. A pista  tem 3400 metros de comprimento e 45 de largura.
Não muito distante de Saurimo, existe um aeródromo da Sociedade Mineira de Catoca,  capaz de receber aparelhos do tipo Boeing 737-700 e que serve de alternativa ao da capital da Lunda Sul. A pista, com 3 mil e 500 metros, vem melhorar a qualidade e segurança de transporte aéreo dos trabalhadores da própria Sociedade Mineira de Catoca e de outros passageiros que se deslocam àquela região do Leste de Angola.
A recuperação da pista do aeródromo de Catoca levou oito meses e com um custo de cerca de oito milhões de dólares.

Plataformas Logísticas

À margem da visita de constatação das obras da pista do Dundo, o ministro dos Transportes animou uma conferência sobre a Rede Nacional de Plataformas Logísticas no “ Caso Lunda Norte”.
No evento que contou com mais de 200 participantes, o ministro destacou a importância da Rede Nacional de Plataformas Logísticas para o desenvolvimento da economia do país, assegurando que a  sua implementação na Lunda Norte vai ter um impacto positivo, desde a criação de novos postos de trabalho, o incremento dos níveis de produção e produtividade e as trocas comerciais através das exportações e importações.
Participaram na conferência, realizada no auditório da Escola Superior Pedagógica, empresários locais, quadros do Ministério dos Transportes, representantes do Conselho Nacional de Carregadores das Forças de Defesa e Segurança, da Administração Geral Tributária e comunidade académica. De nível primário, são criadas  Plataformas Logísticas de carácter nacional em Luanda, Lobito-Benguela e Huambo, sendo que Cabinda, Soyo, Porto Amboim e Namibe são designações de carácter portuário. Malanje, Cuito e Lubango são classificadas como regionais.
Também com carácter de plataformas regionais são criadas plataformas em MBanza Congo (Zaire), Uíge (Uíge), Luena (Moxico) e Ondjiva (Cunene), enquanto nas cidades de Ndalatando (Cuanza Norte), Saurimo (Lunda Sul) e Menongue (Cuando Cubango) vão ser erguidas infra-estruturas intermodais.
Quanto às Zonas de Actividade Logística, Luanda é contemplada com duas plataformas, Benguela e Huambo têm cada uma, enquadrada na tipologia de urbanas. Soyo, Luanda, Lobito e Huambo vão ter Pólos Industriais Intermodais de carácter nacional.
Como portos secos, o plano a ser implementado pelo Conselho Nacional de Carregadores  contempla duas infra-estruturas para o Soyo, três para Luanda, duas para o Lobito e uma para o Namibe, tudo enquadrado na tipologia aeroportuária, enquanto o Huambo e o Lubango têm, cada um, uma com cariz regional.
Os Centros de Carga Aérea estão sedeados em Luanda (dois) e um para as cidades de Catumbela, Huambo e Lubango. O Porto Seco do Soyo encontra-se neste momento em construção naquela localidade.
As Plataformas Logísticas servem de corredores definidos como o do CFL para o Lombe, do CFB para as PL do Luau, no Moxico, e Caála, no Huambo, bem como o corredor do CFM para as PL de Menongue e Huíla. A plataforma do Soyo serve o futuro Corredor Norte.

Integração regional

A integração regional é uma das ambiciosas metas deste megaprojecto que visa construir uma malha de redes rodo-ferroviárias. A malha ferroviária interliga Angola à Namibia, RDC, a partir do Nóqui e Lucapa que liga  a Kananga, Zâmbia e Victoria Falls, no Zimbabwe.
Segundo explicações do director do CNC, Francisco Itembo, a rede ferroviária deve  ser expandida partindo das regiões com poucas infra-estruturas do território nacional, transpondo as fronteiras angolanas.
Para Itembo, obtém-se  uma melhor ligação entre as principais áreas produtivas, os centros de consumo e portos e aeroportos angolanos e de outros países da região. Já a rede nacional de auto-estradas prevista deve  conferir altos níveis de acessibilidade territorial entre as principais cidades do país e zonas de grande potencial económico. Francisco Itembo explicou que um dos eixos liga  a Kinshasa, passando por Caxito, Uíje e Mbanza Congo, enquanto um outro liga a capital angolana à região mineira de Kamina, cruzando todo o corredor Luanda-Saurimo.
A  partir do corredor do Lobito a auto-estrada vai até Lusaka, mas do Huambo ela pode  bifurcar para Menongue e ainda para a Namíbia passando pelo Lubango e Ondjiva. A norte, a estrada chega ao Soyo, de onde liga com Cabinda, por via marítima, e daí para o Congo-Brazzaville.

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