Reportagem

Reintegração social tem acompanhamento

Leonor Mabiala | Cabinda

As 80 famílias dos ex-combatentes da FLEC, constituídas por 250 pessoas, foram instaladas no aldeamento do Yabi, onde o Governo Provincial construiu 87 casas do tipo T3 para a sua acomodação.

Delegação multisectorial visitou a província de Cabinda para constatar a situação real dos ex-militares
Fotografia: Rafael Tati | Edições Novembro | Cabinda

Foram também construídos no aldeamento um cento médico e uma escola com sete salas de aulas, área administrativa e uma cantina. No ano lectivo passado, 120 alunos frequentaram as aulas do primeiro ciclo numa escola de madeira improvisada, enquanto não se inaugura o novo estabelecimento. 

A ministra da Acção Social, Família e Promoção da Mulher visitou o aldeamento do Yabi para se inteirar das condições e do nível de execução dos projectos destinados à sua integração social e produtiva.

Victória Correia da Conceição encabeçou uma delegação multisectorial composta pelos secretários de Estado dos ministérios da  Saúde, Acção Social, Agricultura, Pescas, Educação e  da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social.

O coordenador do aldeamento apresentou as dificuldades por que passam os ex-militares da FLEC, desde a falta de medicamentos, fornecimento de energia eléctrica e água potável e dificuldade de acesso devido a má qualidade das vias terrestres.

Os ex-combatentes e seus familiares solicitaram à ministra o seu enquadramento na administração pública, já que nos concursos públicos realizados a prioridade sempre recai aos professores, bem como a inserção de todas as crianças do aldeamento no sistema de ensino no ano lectivo 2018.

Para tal, solicitaram à delegação visitante a envidar esforços para  a inauguração da nova escola de sete salas com capacidade para albergar 300 alunos em três períodos.

Apesar dos constragimentos vividos, Pedro Chimbumba, em nome dos demais habitantes do aldeamento, mostrou-se satisfeito com os esforços do Executivo que visam criar condições para a sua reinserção social e profissional.

Os ex-militares da Flec beneficiam de um subsídio de contingência que tem servido para resolver as suas necessidades básicas.

O programa, como disse a ministra, tem como objectivos proporcionar aos ex-militares da FLEC e suas famílias uma renda que satisfaça as suas necessidades básicas no quadro do programa do Executivo que visa melhorar a qualidade de vida dos cidadãos. Após visitar o aldeamento do Yabi, localizado a 12 quilómetros a Sul da cidade de Cabinda, Victória Correia da Conceição mostrou-se satisfeita com o nível de materialização das orientações emanadas pelo Chefe do Executivo que visam conformar as acções multissectoriais para uma reintegração efectiva das famílias vulneráveis no país, em particular as famílias dos ex-militares da FLEC.

A ministra da Acção Social, Família e Promoção da Mulher ressaltou que o principal papel do sector que dirige é o de traçar políticas que resultam no bem-estar das famílias angolanas, consubstanciada na sua felicidade em termos de saúde, educação, agricultura, fornecimento de energia eléctrica e água,  e em actividades de pescas e comércio para  tirar as famílias da condição de pedintes.   

O apoio do sector ao Governo Provincial de Cabinda está garantido. Victória Correia da Conceição referiu que a acção social do seu sector contém tarefas que visam a prevenção e educação sanitária às famílias em relação a determinadas doenças e a higiene do meio, bem como orientar os jovens para a formação profissional, artes e ofícios e o empreendedorismo emprendendorismo e a promoção do auto emprego.

Cultura de arroz

As famílias dos ex-militares da FLEC vão ser inseridas num projecto de plantação de arroz a ser desenvolvido no vale do Yabi pelo Governo Provincial.

Para além deste projecto, segundo garantiu o secretário de Estado da Agricultura, os habitantes do aldeamento vão ser apoiados em outras acções como o cultivo da batata, mandioca, amendoim, feijão, hortícolas  para assegurar a sua subsistência. 

André Moda referiu que o Ministério da Agricultura e Florestas vai apoiar o projecto de desenvolvimento agrícola do Vale de Yabi concebido pelo Governo Provincial, que visa instalar no local infra-estruturas agro-industriais de pequenas e médias dimensões. 

As famílias dos ex-militares da FLEC, segundo André Moda, vão beneficiar de lotes de terrenos e assistência técnica para praticarem a agricultura no quadro do seu processo de reintegração produtiva e social. 

Ano lectivo

Mais de 300 alunos do primeiro ciclo vão frequentar o ano lectivo 2018 no complexo escolar do aldeamento do Yabi, garantiu ao Jornal de Angola o secretário provincial da Educação, Ciência e Tecnologia.

Ernesto Barros André disse que as condições para a escola entrar em funcionamento estão criadas, aguardando-se apenas da sua inauguração aprazado ainda para este ano. Apesar do sector reclamar por mais de mil professores para cobrir as necessidades do momento, Ernesto Barros André assegurou que o corpo docente para a referida escola está garantida bem como o material didáctico.

O secretário de Estado da Educação, Jesus Baptista, que visitou o aldeamento, deu luz verde para que a escola entre em funcionamento neste ano lectivo,  já que estão criadas todas as condições para o efeito, apelou aos pais, encarregados de educação e alunos a cuidarem bem a referida infra-estrutura.

Por seu turno, o secretário de Estado da Saúde, José Cunha, visitou o centro hospitalar do Povo-Grande que vai servir de unidade de referência do posto hospitalar do aldeamento do Yabi.

Esta unidade sanitária, a ser inaugurada em breve, vai comportar os serviços mínimos de saúde para atender a população do aldeamento e os casos mais complicados vão ser encaminhados para o centro de saúde do Povo-Grande.


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