Reportagem

Relançamento da produção de trigo

Casimiro José | Cassongue

O relançamento da produção do trigo no município do Cassongue, província do Cuanza Sul, iniciado em 2014, enfrenta  algumas dificuldades por falta de apoios com meios técnicos, como tractores e respectivas alfaias,  disse o administrador municipal Germano Armando.

O município de Cassongue consta de um programa do Executivo para a produção de cereais em grande escala onde está incluído o trigo
Fotografia: Edições Novembro

Desde a era colonial, o município de Cassongue produz cereais e a retoma da sua produção começa a ganhar corpo no seio das 302  famílias camponesas. 
O administrador municipal de Cassongue, Germano Armando, disse à reportagem do Jornal de Angola que a produção do trigo concorre para o combate à fome e à pobreza no seio das famílias camponesas por se tratar de produto de alto rendimento, a par do café. “Nós pensamos revitalizar a cultura do trigo no nosso município por ser um produto de alto rendimento, que pode gerar rendimentos às famílias, ao mesmo tempo em que pode alavancar a economia do município”, disse o administrador municipal de Cassongue.
Para o alcance das metas preconizadas, Germano Armando considera o concurso do empresariado local e nacional no apoio às famílias envolvidas na região de Cassongue. “Pedimos que os empresários ligados ao ramo agrícola apoiem a iniciativa, como fazem com a cultura do café para que possamos atingir resultados animadores”, referiu Germano Armando que garantiu que a Administração Municipal vai apoiar a instalação dos empresários que se predispuserem em trabalhar em prol do projecto.
Germano Armando referiu que o município de Cassongue, a par da Cela e Quibala, foi eleito em 2013 pelo Executivo como parte da implementação do programa de produção em larga escala de cereais, através do Programa Angola Investe.
Germano Armando considerou ser uma oportunidade de integrar nesta gama a cultura do trigo. “O município de Cassongue consta de um programa do Executivo para a produção de cereais em grande escala, por isso, pretendemos incluir a cultura do trigo, a par do  milho, feijão, amendoim e outras leguminosas”, disse Germano Armando, que explicou que a região possui uma rede hidrográfica e solos propícios para a cultura de qualquer produto: “Além dos investimentos públicos, através do Programa Angola Invest, o sector privado também  é chamado para a concretização do programa.”
Germano Armando fez saber que a intenção da Administração Municipal sobre a revitalização da cultura do trigo na região de Cassongue visa resgatar o potencial que ostentou em tempos idos, mas também criar riqueza junto dos camponeses. “O trigo é um cereal de alto rendimento, com custos que rondam  200 a 250 kwanzas o quilograma, por isso, vamos continuar a incentivar os agricultores e, ao mesmo tempo, mobilizar os investidores para que os objectivos sejam preconizados”, concluiu Germano Armando.

São necessários apoios

O responsável local da Agricultura, Johnson Morais Segunda, disse à reportagem do Jornal de Angola que os produtores de trigo na região estão agrupados em associações que podem facilitar o apoio técnico com microcrédito junto das instituições bancárias. Johnson Morais Segunda reconheceu  que a cultura do trigo requer um tratamento adequado, com um conjunto de acções que incidem nos processos de cultivo, irrigação, ceifa e armazenamento para proteger o cereal dos coelhos, pássaros e outros roedores, potenciais danificadores do trigo.
Johnson Morais Segunda referiu que o programa de relançamento da produção de trigo, desde o seu arranque, conheceu uma adesão significativa das famílias camponesas das localidades de Massoia e Januário e aos poucos outras que na época colonial tinham tradição da produção começam a solicitar apoio técnico da Secção Municipal da Agricultura para o efeito. Para isso, Johnson Morais Segunda considera serem necessários apoios em instrumentos e equipamentos, tais como tractores e respectivas alfaias, foices para colheita e meios de transportes para o escoamento dos cereais dos campos para locais de armazenamento e comercialização. />Outras necessidades,  disse Johnson Morais Segunda, são os fertilizantes, gado para tracção animal, uma vez que algumas áreas de cultivo se situam nas zonas acidentadas e moageiras para a transformação do cereal na região.
O historial do processo do início do cultivo do trigo na região, segundo o chefe de Repartição Municipal da Agricultura, começou com a aquisição de uma tonelada de sementes compradas pela Administração Municipal de Cassongue na localidade de Calenga, província do Huambo, e sementes foram distribuídas inicialmente à 19 famílias camponesas da aldeia de Massoia. Os resultados das colheitas foram animadoras, disse Johnson Morais Segunda, que falou em 4,6 toneladas de trigo, para acrescentar: “Seguiu-se a adesão de mais 102 famílias camponesas em anos seguintes e actualmente  há 302 famílias das aldeias de Massoia, Januário, Munene e Liapunda e do Dumbi, numa extensão trabalhada de 145 hectares.”

Centenas de toneladas de trigo vão ser colhidas


O resposável local da Agricultura Johnson Morais Segunda garantiu que a previsão de colheitas para o corrente ano aponta para 604 toneladas de trigo. “A força anímica dos camponeses envolvidos é maior, por isso, a cada ano que passa estamos a obter os resultados satisfatórios”, disse para em seguida explicar: “A falta de meios mecanizados de cultivo constitui uma grande dor de cabeça”.
Johnson Morais Segunda garantiu que a instituição que dirige já efectuou no ano passado os testes das duas variedades,  X7 e Imbulo, produzidas na região,  que se mostraram rentáveis. “Já determinámos que as variedades X7 e Imbulo se adaptaram bem na região e o poder germinativo de ambas as variedades mostraram-se  rentáveis”, garantiu. Na época colonial, o município de Cassongue foi uma potência na cultura do trigo, e a estagnação  deveu-se à guerra  que se seguiu a Independência. Os membros da Administração garantem que, o Executivo está a investir com força no sector agrícola.
Os camponeses ouvidos pela reportagem do Jornal de Angola consideraram que já têm terra e água abundante, e o que precisam são apoios com tractores e gado de tracção animal para a lavoura, meios de transporte para escoarem os produtos para os mercados solidários e fertilizantes para alargarem a produção do trigo na região.
Lucas Venâncio é agricultor e disse que começou a produzir o trigo por vontade própria, numa área de 3,5 hectares de terra com apoio da família e este ano espera colher duas toneladas de trigo, mas pensa em duplicar a produção o próximo ano: “Eu comecei a produzir trigo porque os meus pais já praticavam o cultivo e estou em crer que com apoio técnico e financeiro vou atingir as metas preconizadas.”  Abel Adelino,  presidente da Associação de Produtores de Trigo na região , disse que para alargar a produção do cereal, os agricultores  necessitam de instrumentos de trabalho, adubos e meios de transporte para apoiar o processo de produção. “Estamos a trabalhar em força, falta apoios em termos de microcrédito e os imputes agrícolas para atingirmos níveis satisfatórios.”
Teresa Chipita Lino também está integrada na Associação da aldeia de Massoia e corrobora  as opiniões de Lucas Venâncio e Abel Adelino: “A produção de trigo na região do Cuanza Sul está dentro do quadro da diversificação da economia mas  cada um deve fazer a sua parte, quer os agricultores, Governo Provincial e os bancos comerciais, e assim saímos todos a ganhar, para o bem de todos os angolanos.”

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