Reportagem

Repovoamento florestal preserva o meio ambiente

Sampaio Júnior | Benguela

Os habitantes de Benguela devem primar por manter o ar puro que detêm, afirmou o governador provincial. Isaac dos Anjos, que abria, no município do Balombo, a campanha de reflorestamento, com a plantação da primeira muda de eucaliptos.

Autoridades apostam no eucalipto
Fotografia: Sampaio Júnior |Benguela-Edições Novembro

Defendeu a preservação do ambiente como tarefa de todos os membros da sociedade.Agrónomo de formação, Isaac dos Anjos referiu-se à silvicultura. As plantas dessa espécie contribuem para a protecção do ambiente, através do pouco consumo de água e da retenção dos solos, o que representa um bom caminho para o repovoamento florestal. Para o governador provincial, o repovoamento florestal na província deve mobilizar os grandes e pequenos agricultores, em particular a indústria madeireira. O projecto tem como meta atingir num ano um milhão de árvores. Na fase inicial, foram colocadas cinco mil em quatro hectares.O engenheiro referiu o abate indiscriminado de árvores na região, que leva ao desgaste da fauna e flora locais. Os prevaricadores, afirmou, “só pensam no interesse pessoal”, pelo que o Governo Provincial de Benguela deve fazer aplicar a lei e manter um “controlo cerrado para evitar este tipo de acções que se encaminham para o crime organizado.”
A grande produção madeireira na província deu origem à Companhia de Celulose e Papel de Angola, localizada no município da Ganda, 202 quilómetros a Sul da cidade de Benguela. O complexo foi destruído pelo conflito armado. O Executivo, adiantou, pretende recuperar o antigo complexo, pelo que a plantação de eucaliptos é uma empreitada com mercado garantido.

Situação alarmante


“Cuidar dos perímetros florestais da Companhia de Celulose e Papel de Angola consiste em travar as ­situações anárquicas que têm acontecido, com realce para as queimadas e exploração de madeira não autorizada. Devemos também criar condições que permitam começar a fazer plantações de espécies, para, quando arrancar uma indústria de celulose e papel, haver matéria-prima para a produção”, disse Isaac dos Anjos.
O governador apresentou o passo dado no Balombo como um exercício que visa, sobretudo, diminuir a pressão sobre as florestas nativas, viabilizando a produção de madeira para atender às necessidades da sociedade. Admitiu a existência de pessoas a praticarem o abate indiscriminado da floresta, inclusive concessionários autorizados. Para inverter o actual quadro, exortou as autoridades administrativas, tradicionais e concessionários a colaborarem com o Governo para se pôr cobro a esta prática.
“O projecto de regeneração do eucalipto vai gerar emprego e riqueza”, garantiu. Para Isaac dos Anjos, há que desbravar a terra, pois existem condições para levar adiante tal iniciativa. “Temos que ser teimosos e fazer bem as coisas”, disse.
Benguela cumpre as suas tarefas no quadro do processo de industrialização e inovação tecnológica, do qual a agricultura tem um importante papel na produção e preservação do ambiente, mas, afirmou o governador, se as necessidades de madeira eram, até agora, supridas quase que em exclusivo, pelas florestas nativas, é preciso revitalizá-las com espécies novas e adaptáveis. Isaac dos Anjos afirmou mesmo que a situação actual “é alarmante”, pois as “florestas nativas, antes abundantes, estão cada vez mais escassas e ameaçadas de desaparecer”, enquanto a “sociedade necessita de produtos de base florestal para a sua sobrevivência e conforto”.

Decisão justa


Júlio Kapitango afirma que a floresta nativa está cada vez mais comprometida devido ao desmatamento para o comércio de madeira, fabrico de carvão ou lenha e agricultura familiar. O agricultor do Balombo considera “justo” que as principais aldeias implicadas no desaparecimento das matas se preocupem com o repovoamento florestal para manutenção da biodiversidade.
 A região apresenta diversos factores favoráveis, acrescenta o agricultor, que destaca o clima e a disponibilidade de áreas para plantio e a mão-de-obra.  A escolha do eucalipto deve-se ao rápido crescimento da espécie, à grande adaptação e ao grande leque de aplicações, como referiu o governador. 
O eucalipto está entre as árvores mais recomendadas para o cultivo comercial devido ao facto de desenvolver-se num período de tempo razoável, quando comparado a outras árvores, levando entre seis e dez anos para estar pronto para o corte. Uma única árvore pode ser aproveitada para várias actividades, o que maximiza a lucratividade do negócio.

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