Reportagem

Saurimo celebra aniversário com o verde da esperança

Adão Diogo | Saurimo

Saurimo prepara-se para as celebrações do 58º aniversário da sua ascensão à categoria de cidade, a 28 de Maio de 1956.Nessa época chamava-se Henrique de Carvalho. A capital da Lunda Sul oferece hoje uma imagem de ordem e arrumação, com as ruas asfaltadas e sinalizadas, iluminação pública, água corrente, escolas e hospitais novos ou reabilitados.

Entre os muitos progressos que a antiga cidade Henrique de Carvalho hoje Saurimo regista encontra-se a construção e modernização do seu novo aeroporto dando uma nova imagem à capital
Fotografia: Joaquina Munji | Saurimo


Calumbi Mahuli, dos Serviços Comunitários, pinta de branco o lancil do passeio que contrata com o verde dos jardins, as duas cores da  “Cidade Diamante”.
O empenho de Mahuli em manter a cidade limpa e bonita confere-lhe o direito de criticar aqueles que, por desleixo ou mesmo por desaforo, pisam a relva e o pavimento acabado de pintar. Fica triste quando verifica que ainda existem pessoas a deitar o lixo para o chão quanto têm locais próprios para o fazer.
Para ele, os principais ganhos alcançados na cidade e na província são as escolas, que vieram retirar centenas de alunos das precárias condições em que estudavam, em muitos casos à sombra de árvores, para colocá-los em salas confortáveis e com direito a merenda escolar.
Mufuca Mimi, que regressava a casa ao fim de mais uma jornada de trabalho, reclama da “agitação” provocada pelos motociclistas. Para ela, o aumento de motorizadas na cidade levanta preocupações em relação à segurança no trânsito.
Em poucos minutos de conversa, repete várias vezes a expressão “cidade bonita” quando se refere a Saurimo, para cuja limpeza contribui todos os dias, num emprego que lhe permite ajudar o marido taxista, no sustento da casa e na criação dos cinco filhos.
Antes de retomar a caminhada, num passo apressado, pois já é hora de preparar o jantar, realça o asfaltamento das ruas do bairro Txizaínga, onde vive, e o facto de já não ter de ir acarretar água longe de casa, porque já corre nas torneiras.
As jovens Silvana Pina e Augusta Rosa, que fazem venda ambulante de cremes, desodorizantes e produtos de desinfestação, reconhecem a mudança trazida pela expansão das redes de abastecimento de água e electricidade, construção e reabilitação de escolas e centros de saúde nos bairros de Candembe e Passa Bem, onde residem.

Crescimento populacional

Nestes dias que antecedem os festejos da data em que a então vila Henrique de Carvalho foi elevada à categoria de cidade, Saurimo vive um verdadeiro frenesim. Os Serviços Comunitários procedem à poda das árvores e à colocação de plcas e letreiros luminosos.
A cidade, que foi a capital da extensa província da Lunda até 1978, quando se procedeu à divisão administrativa que criou as duas Lundas, Norte e Sul, regista um grande crescimento desde a conquista da Paz, em 2002.
Com o fim da guerra também acabou o  isolamento a que Saurimo esteve submetida. Hoje é a porta de entrada para a região leste do país, através da Estrada Nacional 230, e ponto de passagem para o Dundo, Luena e ponto de passagem para a fronteira com a República Democrática do Congo, a partir do município do Luau. Essa condição de placa giratória da região e a retoma das atividades económicas, com destaque para a indústria mineira, a capital da Lunda Sul registou um rápido crescimento populacional. Projectada para 18 mil habitantes, Saurimo tem hoje 200 mil.
Esse aumento da população obrigou o Governo a gizar estratégias para atender às necessidades básicas dos seus habitantes, como a construção de uma barragem, uma nova central térmica e outra de captação e tratamento de água. Foi também necessário aumentar a oferta em termos habitacionais, pelo que as autoridades locais fizeram arruamentos e outras infra-estruturas  nas reservas fundiárias. Também foram estabelecidas normas de construção, de modo a permitir a instalação de infra-estruturas de base.
O Bairro da Juventude, a escassos quatro quilómetros do centro da cidade, tem cem casas habitadas e dezenas de outras em construção, por iniciativa de instituições públicas ou de pessoas singulares. As habitações estão ligadas às redes de saneamento básico, água e electricidade. Todas as ruas estão alfaltadas. Ainda em construção, estão dezenas de habitações no bairro Cawazanga, onde também se construíram os arruamentos. Os proprietários foram informados sobre as normas a seguir para erguerem as suas casas. O grande projecto habitacional é a nova centralidade, localizada junto à Estrada Nacional 180 (Saurimo-Luena) a quatro quilómetros da cidade, cujas obras devem arrancar em breve.
Na zona decorre a construção dos Pavilhões Pró Ttrabalho, suportados pelo Ministério da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social, e a Sonangol marca presença com a instalação de bombas de combustíveis.

Ordem no trânsito


A expansão da cidade e o crescimento demográfico aumentaram as necessidades em meios de transporte, pois as distâncias outrora curtas, que podiam ser percorridas a pé, tornaram-se longas. Saurimo viu crescer o número de viaturas e as ruas, antes quase sempre desertas, registam hoje um fluxo de trânsito considerável.
Com isso, abriu-se um mercado para o serviço de moto-táxis, nem sempre desempenhado por pessoas habilitadas para conduzir uma motorizada. Os moto-taxistas, na sua maioria jovens, são os principais protagonistas dos acidentes de trânsito na cidade.
Na corrida pelo lucro, ignoram as regras de trânsito, pondo em risco a sua vida, a de quem transportam  e dos peões, também estes ainda pouco habituados ao actual frenesim nas artérias da capital da Lunda Sul.
O aumento dos acidentes preocupa as autoridades da província e a governadora Cândida Narcisa entregou ao Comando Provincial da Polícia Nacional, equipamento para a fiscalização e controlo do trânsito na cidade de Saurimo e vias circundantes.
Por estes dias, a movimentação de pessoas é maior devido aos preparativos para as festas do aniversário da cidade e à realização do Censo Geral da População e Habitação, que decorre em todo o país.
Campanhas de limpeza, actividades desportivas, entrega de donativos a instituições de saúde e assistência social e dois espectáculos públicos constam do programa comemorativo, aprovado pela Administração Municipal de Saurimo.
Os festejos mobilizam, além das autoridades provinciais e municipais, outras instituições da sociedade, entre as quais a Igreja.
O arcebispo da arquidiocese da Lunda Sul, D.José Manuel Imbamba, exortou esta semana os munícipes de Saurimo a contribuírem “de forma valiosa e pronta” para o desenvolvimento da cidade.
“Cada cidadão deve trabalhar de forma honesta, comparticipando no processo de reconstrução, construção, unidade e reconciliação nacional para o bem-estar de todos os munícipes”, afirmou o arcebispo.
D. Manuel Imbamba convidou os habitantes de Saurimo a lançarem iniciativas que ajudem o Governo  a reduzir as taxas de desemprego, erradicação da pobreza e no combate à pobreza nas comunidades.
Além da sede municipal, Saurimo tem duas comunas, Sombo e Mona Quimbundo, que se associam à festa dos 58 anos da “Cidade Diamante”, engalanada com o branco da paz e o verde da esperança num futuro melhor.

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