Reportagem

Sinais de melhorias assinalados em vários sectores

Casimiro José / Quibala

A Quibala foi elevada à categoria de Vila ainda no tempo colonial, em 15 de Janeiro de 1974. É uma das localidades da província do Cuanza Sul que vai marcando passos animadores, fruto da recuperação das infra-estruturas sociais, apesar de ter pela frente um imenso trabalho para ostentar a sua imagem do passado colonial.

Fruto da recuperação das infra-estruturas sociais, o município tem agora uma nova imagem
Fotografia: Edições Novembro

Quanto a origem do nome, fontes orais e escritas revelam que o nome surge quando Thumba pretendeu visitar sua irmã Samba e no encontro de cortesia com as autoridades coloniais lhe foi perguntada a razão da sua vinda à região, tendo respondido em língua local que “Ngatoca

Kutala Kipala Kya Samba, que traduzido em português significa “Vim cá ver a face da minha irmã Samba”. Em função da influência da língua portuguesa, o termo  Kipala deu lugar a Quibala, que predomina até aos dias de hoje.

A reportagem do Jornal de Angola apurou que o Concelho da Quibala, foi fundado à luz da Portaria nº 4678, a 1 de Março de 1944 pelo então Governador-Geral da Metrópole e passou a ter sua autonomia, sob o comando do tenente José Figueira de Sousa, tendo sido apelidado pela população de Kipiaca. Por isso, as autoridades administrativas da Quibala estão a pensar em celebrar a data de 1 de Março de 1944, pelo facto de ser o dia da fundação do então Concelho e actualmente com categoria de município.

 

Preservação da cultura

Os quibalas conservam até aos dias de hoje a sua cultura, nas mais variadas manifestações. O ritual de embalsamar os sobas, depois de falecerem segue a sua rotina sem retirar a veneração da pedra de Mbanza-Katumbi onde se encontram erguidas as campas de pedras com a forma geométrica peculiar, jamais vista em qualquer parte do território nacional.

Outro poder, só exercido pelas autoridades tradicionais da Quibala, tem a ver com o domínio da chuva, estando instituída uma autoridade chamada Kuku- A-Tchoko,  a quem está incumbida a responsabilidade de velar pelo fenómeno chuva. Cabe a essa autoridade controlar os efeitos nefastos das chuvas.

Mas, no passado, essa autoridade tinha o poder de aplicar a sentença de morte com trovoadas da chuva aos que roubavam haveres de outrem e que se recusavam em confessar a autoria da acção, uma prática que actualmente já é pouco comum.

 

As obras seguem e somam

Os programas e projectos gizados pelo Governo Provincial do Cuanza Sul e da Administração municipal da Quibala estão a resultar,  apesar do abrandamento registado nos últimos três anos, devido a crise financeira que o país atravessa. As acções são visíveis e constam da lista de prioridades definidas pelo Governo Provincial para os sectores da Educação, Saúde, Turismo e do sector produtivo.

O administrador do município, Isaías Bumba Luciano, considerou que sendo uma placa giratória, que liga a capital do país ao Planalto Central e o Leste, a Vila da Quibala e o município em geral devem desenvolver-se nos mais variados domínios para conferir aos munícipes e transeuntes uma vida digna. 

“Estamos a trabalhar para pormos em marcha o programa de desenvolvimento da Vila e do município em geral em todos os domínios, com destaque para a dinamização do ramo do turismo, construção de infra-estruturas sociais e industriais, habitação e outras que vão conferir dignidade aos munícipes”, disse Isaías Bumba Luciano.

O responsável mostrou-se optimista quanto à resolução dos problemas sociais que afligem as populações, tendo em conta as várias ac­ções do sector privado que estão a ser desenvolvidas no município, com destaque para os projectos agrícolas Nova Agro-Líder, Fazendas Santo.

António, Cambondo, Mato Grosso, Rosa Bela, Nuviagro, Mena, além do projecto “Terra do Futuro” que apesar de estar a atravessar um mo­mento menos bom, promete para o futuro bons indicadores . Para o administrador municipal da Quibala com vários empreendimentos do sector privado na região, a fome e o desemprego têm os dias contados.

Além dos projectos de iniciativa privada em curso no município, o administrador Isaías Luciano  pede aos empresários nacionais e estrangeiros para escolherem a região da Quibala como destino dos seus investimentos para a oferta de bens e serviços às populações.

Outro ganho registado na região  tem a ver com o facto de terem as operações bancárias garantidas pela existência de três agências, sendo uma do Banco de capital público, o BPC, e outras duas agências afectas aos bancos comerciais, nomeadamente, Sol e Bic.

 

Saúde e Educação

No sector da Saúde, as autoridades sanitárias garantem o abastecimento razoável de  medicamentos essenciais que proporcionam o atendimento normal dos pacientes que acorrem ao Hospital Municipal e nos quatro centros e 15 postos de saúde espalhados pelo município. O município conta com um corpo clínico que integra dez médicos, sendo sete nacionais e três expatriados, 102 enfermeiros e cinco técnicos de diagnóstico e terapeutico.

O sector da Educação também está em crescimento, dispondo de 37 escolas, correspondentes a 287 salas de aulas em funcionamento na sede, na periferia e nas comunas, para atender os vários subsistemas de ensino no município. O sistema de ensino funcionou no ano transacto com um universo de 21 mil e 114 alunos, assegurados por 504 professores.

A falta de energia eléctrica como condicionante ao desenvolvimento é uma das dificuldades que o município atravessa, como apontou Isaías Luciano.

“Temos um grande potencial em termos de terras aráveis, mas sem energia eléctrica  os custos de produção tornam-se onerosos”. No entanto, "o programa de electrificação da região é aguardado com grande expectativa pelas autoridades e populações em geral".

 

Perspectivas animadoras

As perspectivas para o desenvolvimento do município da Quibala são animadoras, a julgar pelo potencial que a região possui. 

Uma das apostas para o ano de 2018 prende-se com a melhoria do desempenho dos sectores da Saúde e da Educação bem como do sector produtivo, rumo á diversificação da economia.

Outra aposta mencionada pelo administrador da Quibala tem a ver com o incentivo ás iniciativas privadas para a oferta de bens e serviços e diminuir o desemprego, a reabilitação das vias secundárias e terciárias para encorajar o comércio rural, entre outras acções viradas para o desenvolvimento das comunidades.

O município da Quibala, na província de Cuanza Sul, tem uma superfície de 10.280 quilómetros quadrados, conta com uma população estimada em 142 mil e 57 habitantes, segundo dados do último censo realizao em 2014. 

É limitado a Norte pelo município de Libolo, a Este pelos municípios do Mussende e Andulo, a Este pela província do Bié, a Sul pelos municípios da Cela e Ebo, e a Oeste pelos municípios de Quilenda e Quiçama. É constituído pelas comunas sede, Cariango, Dala Cachibo , Lonhe e o posto administrativo de Katofe.


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