Reportagem

Troço Soyo-Nzeto pode encerrar

João Mavinga e Jaquelino Figueiredo | Soyo

O troço entre a cidade do Soyo e a vila do Nzeto, na Estrada Nacional (EN) nº 100, precisa de intervenção urgente para evitar o corte total da circulação rodoviária, que pode acontecer a qualquer momento.

O cenário é desolador ao longo da via Soyo-Nzeto com camiões atrelado e basculantes carregados com produtos avariados e presos na lama causando enormes prejuízos para os proprietários
Fotografia: Garcia Mayatoko | Zaire

A situação, que há muito preocupa as autoridades da província do Zaire, agravou-se nos últimos 15 dias devido às chuvas torrenciais. Dezenas de viaturas ficam atoladas todos os dias no lamaçal que tomou conta de vários pontos dos 150 quilómetros de estrada entre as duas localidades, hoje apenas em terra batida.
O tráfego rodoviário naquela via, que antes registava a passagem de mais de 500 veículos por dia, entre ligeiros, médios e pesados, incluindo máquinas, ficou reduzido à metade, segundo apurou a reportagem do Jornal de Angola.
Os automobilistas encontram maiores dificuldades nas localidades do Quimbriz e Quivanda (comuna do Mangue Grande) a cerca de 70 quilómetros da cidade do Soyo, onde o estado da via impede a transposição do conhecido Mongo a Matadi.
Nas povoações de Quizanza e Cacongo, nem carros comtracção às quatro rodas conseguem superar o lodo provocado pelas enxurradas. Além dos que acabam enterrados, outros são obrigados a parar com avarias graves.

Noites na estrada

Alguns automobilistas ficam vários dias na estrada à espera de serem socorridos pelos operários chineses, detentores de máquinas retroescavadoras, que cobram entre cinco a 15 mil kwanzas para ajudar a retirar as viaturas do lodaçal.
“Estamos aqui desde ontem (segunda-feira, 28) por volta das 16h00. Não conseguimos passar, enquanto não houver uma máquina que remova o lamaçal e entulhe o sítio com pedras para sairmos”, disse Carlos Salomão, 43 anos, automobilista que viajava com destino a Luanda em busca de mercadorias para a quadra festiva.
Celestino Paulo, que ia do Soyo para a comuna de Mangue Grande, era também um homem muito insatisfeito devido ao calvário por que passava. Parado há mais de 24 horas, queixava-se de dores no corpo causadas pelos solavancos, além do ataque dos mosquitos durante a noite.
A grande preocupação de momento, além da lama, reside na progressão de ravinas em algumas aldeias. O carro de reportagem do Jornal de Angola, um todo-terreno, teve imensas dificuldades na volta a Mbanza Congo, a partir do Soyo, com o motorista Raimundo Joaquim a ser obrigado a arriscar desvios pelo capim para evitar danos maiores na viatura. Ao longo da via Soyo-Nzeto, é triste o cenário de camiões com atrelado e basculantes avariados ou atolados, muitos dos quais carregados, o que acarreta enormes prejuízos para os proprietários particulares e empresas do Estado.

Via estratégica

A estrada Soyo-Nzeto é considerada estratégica por fazer a ligação com uma das mais importantes bases logísticas de apoio à atividade petrolífera e zona de grande atividade económica, além de ser um interposto para a capital da província.
O administrador adjunto de Mbanza Congo, Henrique Luzolo, considera grave o actual estado da via SoyoNzeto, porque a sua inoperância priva o fornecimento de energia eléctrica aos municípios do interior, incluindo a sede provincial. “O gasóleo que usamos vem do Soyo e, se a via fica intransitável, os camiões cisternas não têm como chegar aos destinos”, afirmou.
Perante este quadro, Henrique Luzolo lançou um veemente apelo a quem de direito para direccionar especial atenção EN 100, que liga o município do Nzetoà cidade do Soyo, para prevenir situações desagradáveis para a população, porque a ausência de combustível no Zaire obrigada a cortes e restrições no fornecimento de energia.
“Quando a circulação rodoviária na via do Soyo sofre interrupções, esgotam-se as reservas de combustíveis nos municípios e isso complica toda actividadeeconómica e social da região”, disse.

Acordo alterado

A EN 100 foi consignada em Maio de 2008 às empresas Sino-Hydro, CMC e Carmon. Nessa altura, as obras de asfaltamento dos 150 quilómetros foram aprovadas pelo Executivo, para serem executados através dos recursos ordinários do Tesouro Nacional do Ministério das Finanças, o que não funcionou em virtude da crise financeira mundial, que afectou o país.
O director provincial do Instituto de Estradas de Angola (INEA), Manuel Diangany, que revelou o facto à nossa reportagem, assegurou que a paralisação das obras pelas três empresas contratadas deve-se a problemas de falta de dinheiro. Apesar disso, admitiu o reatamento dos trabalhos em Janeiro próximo, quando estiver disponível a linha de financiamento da China, negociada ao mais alto nível entre os dois países.
“Quando chove, basta que um camião atrelado fique enterrado na via para provocar o engarrafamento de mais de 50 camiões”, referiu o Eng.º Manuel Diangany, para quem a gravidade da situação implica uma solução rápida. Para aquele responsável,o fechamento da via é iminente.

Obras retomam em Janeiro


O director provincial do INEA pediu calma à população ao garantir o reatamento das obras em Janeiro. “Quero que as pessoas se acalmem porque as obras podem arrancar a partir do dia três de Janeiro do próximo ano em ritmo acelerado”, disse.Manuel Diangany acrescentou que o assunto foi negociado pelo Executivo com o Governo chinês aquando da ida do Chefe do estado à China.
“A via não está abandonada. O que acontece é que as empresas a que foram consignadas as obras não estão a fazer os trabalhos para garantir o tráfego. Eles estão a trabalhar de forma muito lenta, o que nos preocupa, porque as chuvas não perdoam”, afirmou. 
Para avaliar o actual quadro da EN 100, o ministro da Construção, Valdemar Pires, visitou a província do Zaire em Outubro último e prometeu rever todos os condicionalismos que estavam na base  da paralisação das obras e estudar mecanismos para o reatamento dos trabalhos, uma vez quese desenhavam soluções para ultrapassar o problema de forma objectiva, o que ainda não aconteceu.

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