Reportagem

Tubarões sob ataque!

Osvaldo Gonçalves

Estudos de várias sociedades científicas apontam que os tubarões são cada vez menores e mais raros em águas perto de zonas urbanas, devido à captura intensa e à poluição.

Fotografia: DR

A raridade com que a espécie é encontrada nos mercados de peixe junto de aglomerados populacionais demonstra o impacto dos seres humanos nos habitats naturais dos peixes, no geral. Com a destruição das colónias de outras espécies, nomeadamente de crustáceos e placton, os peixes menores, em particular os pelágicos, imigram, reduzindo, dessa forma, a quantidade de predadores.

Capturas cada vez menores

Os índices de captura de atum, incluindo a de espécies associadas, como a merma (kimbumbu), vêm decaindo nos últimos anos e, como é lógico também os de tubarão. Mais do que prejudicial aos ecossistemas marinhos, a pesca predatória é um claro sinal da degradação do ambiente e das mudanças climáticas a que vimos assistindo.
Em regiões à volta da cidade de Luanda, é notória a presença cada vez menor de todo o tipo de crustáceos, em particular dos bivalves. Os mangais estão a desaparecer por causa da poluição generalizada, seja devido aos derrames de combustíveis, ao grande volume de vasilhames (latas, garrafas,etc.), de sacos de plástico, e outras embalagens, seja por causa dos sons dos motores e da música alta.
Os pescadores reclamam por serem obrigados a percorrer distâncias cada vez maiores para encontrarem os cardumes. Os pesquisadores notam que o tamanho dos predadores diminui muito com a aproximação de cidades com mais de 10 mil habitantes, facto que, associado às frotas e à proximidade entre as pessoas e as zonas de pesca, tem grande impacto na sua sobrevivência e aparição.

Milhões de anos de evolução

Com 400/500 mil milhões de anos de evolução, os tubarões diversificaram-se em 350 espécies, que não podem ser agrupadas simplesmente e muitas delas, incluindo o chamado tubarão-baleia – o maior mamífero dos mares - não são animais de ataque.
As notícias de ataques de tubarões a seres humanos aumentam nos últimos tempos, dando a impressão errada de uma presença maior desses predadores nos oceanos. Mas, de acordo com os oceanógrafos, apenas cerca de 13 por cento dos mares podem ser considerados “selvagens” e ainda aí a presença do ser humano faz-se sentir das piores formas, nomeadamente, através dos plásticos despejados nos oceanos aos milhões de toneladas todos os anos.
Os cientistas afirmam que a actividade humana é a maior influência na eliminação de tubarões, superando todos os outros factores ecológicos. Só os pescadores portugueses e espanhóis capturam, por ano, cerca de 25 mil tubarões do tipo anequim, classificados na Lista Vermelha de espécies ameadas de extinção.
A pesca do tubarão é, no mínimo, medonha. A cada exemplar capturado, são cortadas a cauda e as barbatanas e é, depois largado no Mar à sua sorte, sem se poder locomover. A famosa sopa de barbatanas de tubarão, tradicional nos países asiáticos, em particular na China e no Japão, é responsável pela matança de milhares de exemplares.
As capturas são feitas sem se levar em consideração as épocas e tamanhos de reprodução. Peixes que poderiam representar o sustento de numerosas famílias, são deitados fora, quando o mais correcto era serem trazidos para terra para serem consumidos assim frescos ou escalados e salgados, para depois irem para a panela secos ou em meia-cura.

Filme de Spielberg entre as causas da fama

A má fama que persegue este animal se deve em grande parte ao filme “Tubarão” (“Jawls”, título original) de Steven Spielberg. Baseado do livro homónimo de Peter Benchley, co-autor do roteiro, com Carl Gottlieb, o filme, de 1975, conta a estória de um grande tubarão branco que aterroriza banhistas nas praias da fictícia Amity Island, na Nova Inglaterra.
O chefe da polícia local, papel interpretado por Roy Scheider, redobra-se em esforços para caçá-lo, para o que conta com a ajuda de um biólogo marinho (Richard Dreyfus) e de um caçador de tubarões profissional (Robert Shaw).
Distribuído pela Universal Pictures, “Tubarão” teve uma produção inicial complicada de quatro milhões de dólares que esgotou e as filmagens atrasaram-se. Os custos finais foram de nove milhões.
Contando com cenas que tiveram a presença do predador e um tema musical ameaçador, criado pelo compositor John Williams, o filme foi lançado a 20 de Julho de 1975, tornando-se um grande sucesso de crítica e comercial. Conseguiu à época o maior facturamento da história com mais de 470 milhões de dólares. Obteve a maior bilheteria de todos os tempos até ao lançamento de “Star Wars”, em1977.
Premiado várias vezes, incluindo três Oscar, “Tubarão” teve três sequências -“Tubarão II” (1978), “Tubarão III” (1983) e “Tubarão IV – A Vingança” (1987).
Considerado “culturalmente, historicamente e esteticamente significante”, “Jawls” foi seleccionado em 2001 pela Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos da América, para preservação no National Film Registry.

 

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