Reportagem

Turismo económico tem base de sustentação e crescimento

Sampaio Júnior | Benguela

Existem empresários nacionais com recursos financeiros disponíveis e com vontade de aplicar capitais neste segmento de mercado, que é particularmente estratégico para a diversificação da economia e o que o Governo da Província de Benguela está a fazer é  facilitar a cedência de parcelas de terra depois de cumpridas  as disposições legais,  anunciou o governador provincial Isaac dos Anjos. 

O turismo em Benguela tem sido uma fonte de receitas para o Estado e contribui para o aumento da economia e a diminuição da pobreza
Fotografia: JaImagem

“O turismo, enquanto actividade económica, tem no património natural e cultural a base da sustentação, ou seja recursos permanentes para a melhoria dos produtos e serviços, de forma que a organização seja competitiva permaneça no mercado, proporcione empregos e a Baía dos Elefantes tem quase tudo  para a sua afirmação progressiva, basta haver vontade empreendedora e que já ficou demonstrado pela empresa angolana Lacitur, com as obras em curso”, disse à reportagem do Jornal de Angola o governador provincial Isaac dos Anjos.
Na região vai ser erguida uma imponente instância turística numa extensão territorial de cerca de mil hectares, que representarão um investimento global de 2.636 milhões de dólares com a criação de milhares de postos de trabalho directos e indirectos, pela Lacitur.
Benguela esta na linha da frente na área turística, possui muitos locais lindos ao longo da costa marítima e o projecto Elefantes Bay Resort é um marco referencial no desenvolvimento do turismo de lazer e de desporto, pois é um projecto criado de raiz, segundo as mais modernas soluções estéticas e arquitectónicas, além de ser um empreendimento imobiliário exclusivo.
O governador provincial Isaac dos Anjos disse que a Baía dos Elefantes se vai tornar numa região conhecida mundialmente pelas suas praias paradisíacas quanto, a sua morfologia apresenta uma península larga  e comprida, invejável aos olhos do cidadão comum.
“Temos a certeza de que muitos turistas vão visitar a Baía dos Elefantes para passar férias neste local onde desagua o Rio Koporolo, é um local de paisagem mística que nos reporta à magia da cultura bantu na comuna do Dombe Grande”, disse o governador.
As arribas em torno da praia, que lhe conferem a sua real beleza, fazem lembrar a paisagem das melhores Baías existentes pelo mundo, salientou.
A popularidade da região do Dombe Grande não é de agora, mas remonta a vários séculos atrás na historia natural dos “mundombes”,   assim chamados os naturais do Dombe Grande, uma  região onde    se encontra  ampla informação oral  sobre texturas simbólicas, o imaginário e as estruturas sociais que caracterizam os povos bantu, cuja cultura é inserida no contexto das trajectórias de longo curso do continente africano.
O lançamento da Baía dos Elefantes, enquanto projecto urbano-turístico de grande dimensão na província de Benguela, tem impacto significativo no desenvolvimento do tecido empresarial na criação de emprego e na promoção do turismo nacional.
O Executivo começou a expandir a estância turística na orla marítima de Benguela  no sentido de captar divisas provenientes do turismo. As águas calmas, límpidas e pouco profundas banhando a praia com declive suave e com temperaturas médias de   26º C na água e  a  localização tropical permitem uma luz solar diária de 12 horas durante todo o ano, com refrescantes ventos alíseos.
Todos estes ingredientes são perfeitos para quem procura um ambiente relaxante e que proporcione uma recuperação das energias depois de um ano de trabalho. São cerca de 1.000 hectares, no coração de Benguela, com boas vias de acesso e proximidade ao Aeroporto Internacional da Catumbela, abrangendo a totalidade da Baía dos Elefantes e parte do Vale da Equimina, representando um investimento global de 2.636 milhões de dólares que dinamiza  a criação de emprego qualificado, a promoção do turismo na Província e o investimento estrangeiro.
O Elefantes Bay Resort é composto por um núcleo central com espaços comerciais e de lazer, com lojas, casino, cineteatro, supermercado, centro de Saúde, restaurantes, bares e discotecas. Dispõe  do fantástico Praia Eco Resort e SPA e do luxuoso Hotel Central. Em termos de oferta residencial vai ter apartamentos de várias tipologias e dimensões, de T0 a T4, duplexes e penthouses, bem como moradias implantadas em diversas zonas do empreendimento, como as integrantes do Condomínio Oásis ou as exclusivas Casas da Falésia, com diferentes configurações, em termos de área e projecto arquitectónico, tendo sempre em comum a alta qualidade dos materiais utilizados na sua construção.
O empreendimento compreende  duas marinas onde podem atracar 400 embarcações de recreio e esplêndidas moradias com acesso directo às embarcações e uma fabulosa vista para o Oceano Atlântico e para apraia. O projecto contempla  um campo de golfe de 18 buracos com Club House e área de Academia e Ginásio para treino.
O Elefantes Bay Resort está concebido para preservar o espaço natural envolvente e a vida animal, denotando uma elevada consciência ecológica, tem pouca densidade habitacional por área ocupada, sendo um projecto sustentável, com dessalinizador para o fornecimento de água, painéis solares para energia e um sofisticado sistema de reaproveitamento da água. A excelente e extensa praia, com áreas de apoio, completa este luxuoso cenário, convidando ao lazer e também à prática de desportos náuticos. O Elefantes Bay Resort é um empreendimento de luxo para usufruir ou para investir e rentabilizar. Estão disponíveis para venda lotes com áreas entre os 1.000 metros quadrados  e os 1.662 metros quadrados.
Toda a periferia do projecto é envolta por uma cintura verde, uma vastíssima área de terreno, que abrange parte do rico vale da Equimina e abraça a totalidade da Baía dos Elefantes, onde se pretende proteger a flora existente e reintroduzir a fauna autóctone.
O presidente do conselho de administração da Lacitur, Manuel João, “o projecto da Baía dos Elefantes constitui um pólo turístico relevante na geografia do país, com impacto significativo em termos sociais e macroeconómicos, que permite aumentar a oferta hoteleira existente e a respectiva qualificação dos trabalhadores, assim como estimula a procura turística e cria condições para a captação de investimento estrangeiro". Acima de tudo, o projecto tem a capacidade de, além de criar riqueza para a região e para o país, melhorar e apoiar a população actualmente residente na Baía dos Elefantes, que desde o primeiro dia do projecto, há já quatro anos, tem tido oportunidades de emprego e a possibilidade de melhorar as suas condições de vida, disse Manuel João, para acrescentar: "No futuro, a Lacitur prevê a construção de um bairro para os moradores locais com escola, igreja, posto de saúde e campo de jogos.”

Percurso

A reportagem do Jornal de Angola fez-se à estrada num percurso de 94 quilómetros de tapete asfáltico e de bom piso saindo de Benguela para sul, passando pelo Dombe Grande. Com a devida sinalização dá-se conta da picada que ronda uma distância de 25 quilómetros e chegamos a Equimana, a sede administrativa.
A caravana virou à direita saindo de Equimina e tomou outra picada com destino à Baía dos Elefantes, percorrendo mais 12 quilómetros, com um acesso de roer as unhas, devido à poeira levantada pelas viaturas, numa estrada em obras com curvas e contracurvas.
A picada que liga a sede comunal da Equimana à Baía dos Elefantes atravessa uma paisagem agreste e semi-árida, a anunciar o deserto do Namibe, que começa a ganhar forma, terra seca, castanha-clara, moldada em morros mordidos pelo vento. Céu gigante a cobrir terra inóspita. Benguela ficou a quase duas horas, entrámos para a Baía dos Elefantes e encontrámos  um mar calmo e transparente.
A administradora municipal da Baía Farta, Maria João, depois de fazer as honras casa, revelou que a comuna regista avanços significativos a nível económico e social, com a construção de infra-estruturas administrativas, casas, escolas, postos e centros de saúde e a recuperação de várias vias de acesso.
Com forte aposta de revalorização os sectores do turismo pesca e da agricultura, a  comuna vai conquistar um certo destaque na vida económica da região predomina nos mares da localidade o carapau, cachucho, sardinha, garoupa e corvina.

Baía dos Elefantes

Durante séculos a Baía dos Elefantes serviu de fundeadouro seguro, prestando grande serviço à navegação marítima, o recôncavo na costa do mar, pouco explorada pelo homem, comporta um arco   com cerca de três quilómetros de praia, conhece agora outro desafio, a aposta no turismo interno com fortes perspectivas de internacionalização e melhoria da qualidade de vida dos seus habitantes e turistas, revelou o governador provincial Isaac dos Anjos.  
A Baía dos Elefantes representa um esforço significativo para estruturação e qualificação da oferta turística disponível e potencial em Benguela, é um projecto novo e ambicioso que vai arrancar por iniciativa de entidades singulares, salientou. 
O soba local, Marcolino Tomás, espera que os promotores do projecto cumpram com a promessa, que visa a construção das casas para os residentes e solicitou que a implementação do projecto salvaguarde a pesca artesanal, única actividade de sobrevivência das 480 pessoas que vivem actualmente na baía.
Os cerca de 480 habitantes da aldeia piscatória, outrora ligada à fábrica de conservas Atlântico, que no passado controlava as pescarias a sul da Baía Farta até Catara, enfrentam dificuldades de sobrevivência mas  começa a renascer a esperança de uma vida melhor com o projecto de urbanização da Baía dos Elefantes, que vai revitalizar a actividade económica e produtiva da comuna, criando postos de trabalho.
Os habitantes tiveram muitos problemas de locomoção e durante anos a fios viviam  como nómadas, numa localidade onde só se podia chegar por via marítima e onde faltava tudo, desde estradas,  água potável, escola e posto médico, para não falar de géneros alimentares, o único produto que havia era o peixe.
Com o projecto em curso já começou a ver-se os primeiros benefícios com algumas empreitadas que   proporcionam empregos aos jovens da região e está a tirar a população da miséria em que se encontra mergulhada, por falta de actividade produtiva.
Marcolino Tomás, soba da Baía dos Elefantes, diz que tem fé em que o Executivo e os empresários que estão a investir na região  ajudem a população a sair do marasmo. “Pois enquanto houver vida, há esperança, depois de muito tempo a olhar apenas para o mar, estão a surgir  investimentos que vão melhorar vida da população”, afirmou.
Da comuna da Equimina à aldeia da Baía dos Elefantes o percurso era feito por via marítima, em lancha ou chatas a remo. Numa chata a viagem demora cerca de duas horas. No local apenas existiam meia dúzia  de casas de construção colonial e as pescarias que alimentavam a fábrica de conservas Atlântico e empregavam centenas de pessoas entre pescadores e trabalhadores que efectuavam a escala e salga de peixe. O sofrimento esta a chegar ao fim e os empresários já abriram uma estrada em terra batida que liga a Equimina à Baía dos Elefantes, trouxeram água potável.
 Enquanto os homens pescam, as mulheres    tratam dos trabalhos domésticos, e esperam que as embarcações regressem carregadas de peixe, para o sustento da família. O peixe que sobra é escalado para a salga. O peixe seco é o único rendimento desta comunidade. O quadro  está a ser invertido na Baía dos Elefantes, onde até há pouco tempo era impossível concentrar quadros na aldeia, ninguém aceitava ir trabalhar lá. 

Comuna do Dombe

Dombe Grande é localidade tida como bastião das artes diabólicas ou de espíritos maléficos, acolhe gentes de qualquer parte do país, em busca de personagens sobrenaturais, deuses e heróis, através de rituais cerimoniais como  danças, sacrifícios e orações, para alcançar o melhor posicionamento profissional, riqueza, ou ter a mulher mais bonita. Isto prevaleceu numa altura que país vivia um dos piores momentos da sua História, o conflito armado.        
Aí encontravam os remédios para a alma que podiam ser usadas para curar a saudade, uma dor de cotovelo, impotência sexual e até mostrar o que estava oculto na vida das pessoas.
Ao contrário do que se diz, o Dombe Grande não é o berço da feitiçaria, é sim um território que se distingue pelas suas potencialidades climatéricas, por produções próprias, desde agricultura, pesca e turismo.    

Dombe Grande tem o espírito de luta na conquista da melhoria de vida dos seus habitantes, de lá saem produtos para abastecer os mercados da região centro, sul e norte, tem uma população desbravadora, é uma vila que valoriza o trabalho e não quer nada de graça.

 

 

 

 

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