Turismo na Huíla potencia economia

Domingos Mucuta | Lubango
17 de Março, 2017

Fotografia: Edições Novembro

A província da Huíla é conhecida pelo grande potencial turístico que detém. O sector está apostado em tirar o máximo proveito da situação para contribuir na diversificação da economia e no desenvolvimento do país.

O Instituto Superior Independente junta-se aos esforços com um trabalho de pesquisa.
Jeniffer Clemente mantém-se atenta aos movimentos da pequena Antónia. Empoleirada numa rocha, a filha de 7 anos abre os braços a imitar a estátua do Cristo Rei, no Lubango. Pede-lhe para ficar quieta, antes que caia. Aluna da 2ª classe, a menina chama pelo irmão Novaz de cinco. Sorridentes, os dois e mais um terceiro irmão pequenino posam para a câmara fotográfica do pai, que regista o momento.
Os cinco sobem a seguir a escada interna da base da estátua até à plataforma onde ficam os pés da estátua. Ali podem ter uma visão completa da cidade. Do alto, reconhecem a zona da casa da família e outros pontos do Lubango. As crianças mal conseguem esconder a emoção.
“Viste a nossa casa?”, pergunta Domiclas ao Novaz, que retruca: “Viste o prédio castanho?E o branco?”. São os edifícios do Lubango Center e do BCI.
A mãe afirma que, sempre que podem, levam os filhos a visitar os locais turísticos da província. “Algumas vezes viemos aqui, noutras à Fenda da Tundavala, cascata da Huíla, minha terra natal, ou à Serra da Leba”.
Jennifer Clemente reclama da falta de restauro dos locais, antes de se juntar à família junto ao letreiro com letras garrafais a identificar a cidade, para mais uma sessão de fotos.
O movimento de visitantes aumenta aos finais de semana. Muitas famílias deixam-se levar pelos encantos do monumento. A brisa fria dá a sensação de se estar a voar sob as asas do Cristo Rei.
O monumento, um dos locais mais frequentados do Lubango, está entre as muitas atracções turísticas da província da Huíla e é o cartão postal de eleição dos visitantes, pelo fácil acesso por estrada, a exemplo da Fenda da Tundavala.
A Huíla tem 20 centros turísticos, entre os quais o Miradouro da Boca da Humpata, os Barracões, barragem das Neves, Cascata da Ungiria, Cordilheira da Leba e o Complexo da Nossa Senhora do Monte.
Muitos cidadãos escolhem o lugar para momentos de descontracção e laser após cada semana de trabalho. O acesso às zonas turísticas é livre e gratuito. Para passeios em família, com amigos ou sozinho, os encantos da Huíla são ideais para quem precisa relaxar.

Pesquisa académica


O Instituto Superior Politécnico Independente (ISPI) da Huíla realiza um estudo para determinar o impacto das visitas à zona do Cristo Rei e determinar o volume de receitas que o Estado pode obter.
A pesquisa, que envolve estudantes do curso de Gestão e Marketing da instituição, localizada na estrada do Cristo Rei, pretende fazer um levantamento do número de visitantes por mês e analisar a viabilidade da cobrança dos acessos ao complexo turístico.
À luz deste projecto, a direcção do ISPI promoveu, na abertura do ano académico 2017, a palestra subordinada ao tema “Pelo Crescimento Económico de Angola, Promovamos a Diversificação da Economia Apostando no Turismo”.
O director-geral do ISPI, Francisco Chocolate, referiu que o país tem um mosaico turístico muito rico, parte desse potencial está na Huíla e pode ajudar o país reduzir o impacto da crise e acabar a dependência das receitas com a exportação de petróleo e diamantes.
Com 4219 estudantes, o instituto, que lecciona os cursos de Ciências da Comunicação, Direito, Ciências de Educação, Contabilidade e Finanças, Sociologia, Gestão e Marketing, Informática e Gestão de Empresas e Engenharia Informática, quer ser um exemplo de investigação e contribuir de forma prática para o desenvolvimento local.
O director-geral do ISPI reafirmou o afinco dos 130 docentes na formação de quadros capazes de enfrentar os desafios do presente e do futuro.

Diversificação da economia

A revitalização do sector do Turismo exige a criação de infra-estruturas capazes de atrair e estimular os visitantes.
Ao intervir na palestra organizada pelo ISPI, Adalberto Sukumula, assessor do gabinete do vice-governador da Huíla para o sector económico, defendeu um olhar sério para o sector do Turismo. O turismo leva ao fomento do sector de serviços, estimula as trocas comerciais e deve ser encarado como factor de diversificação da economia. A principal vocação do sector é o desenvolvimento económico, social e cultural, porque provoca a interacção entre as pessoas e o conhecimento mútuo.
“Além do desenvolvimento comunitário, promove a gestão de recursos naturais”, disse o assessor. O sector do Turismo contribui com três mil milhões de dólares para o produto interno bruto, estimado em cem mil milhões, adiantou.
Além de permitir que nacionais e estrangeiros desfrutem das riquezas paisagísticas de cada região, o turismo favorece a troca de experiências, hábitos e costumes, que aumenta o nível cultural das pessoas envolvidas.
Os agentes económicos do sector são os principais beneficiários de uma actividade turística intensa porque dinamiza os negócios, mas também o Estado, com o aumento do volume de receitas, disse.
As receitas mundiais do Turismo são de 1,3 triliões de dólares, referiu. O turismo representa sete por cento de todas as exportações registadas nas balanças comerciais.

Actividade transversal


O turismo é uma actividade transversal a outros sectores da vida económica e produtiva, como hotelaria e restauração, transportes, vias de comunicação, cultura, comércio, telecomunicações.
O economista afirma que o sector promove e estimula o desenvolvimento da agricultura, construção, transportese até das novas tecnologias, e tem impacto ao nível do mercado cambial e na arrecadação de divisas. Adalberto Sukumula apontou como desafios do sector desenvolver os pontos turísticos de referência internacional, para o que precisa de investimentos. A província deve apostar na preservação dos valores culturais, históricos e ambientais das comunidades locais, por serem elementos de atracção para os visitantes. “O cidadão europeu ou americano não vem aqui para fazer compras no shopping, mas com o interesse de conhecer ou aprofundar conhecimentos culturais, gastronómicos, históricos ou ambientais”, afirmou.
A qualidade e competitividade da oferta dos serviços prestados depende da formação dos agentes do turismo, daí o papel fulcral da academia na formação do pessoal, sobretudo de guias turísticos, funcionários hoteleiros, motoristas, intérpretes, além da modernização e criatividade das empresas turísticas.
O académico defendeu a dinamização do marketing turístico para promover os locais e incentivar as pessoas a visitarem as zonas turísticas da província. Adalberto Sukumula defendeu os investimentos de empresários locais, nacionais ou mesmo estrangeiros na execução dos projectos.

Exploração de zonas turísticas

O sector do Turismo é um dos sectores eleitos pelo Governo Provincial, no âmbito do fórum Huíla-Invest, para o desenvolvimento económico, além da agricultura, educação, saúde, indústria, mineração. A meta é mobilizar mais de 500 milhões de dólares de empresas nacionais e estrangeiras.
O Governo da Huíla preconiza a exploração das zonas turísticas de forma eficiente e produtiva para ­incrementar a arrecadação de receitas e a oferta de serviços transversais a esta actividadeeconómica. O vice-governador da Huíla para o sector económico, Sérgio da Cunha Velho, reforçou a ideia durante a cerimónia de abertura do ano académico no Instituto Superior Politécnico Independente.
O Governo Provincial delineou o plano de captação de investimentos e potencialização do empresariado local, afirma o vice-governador provincial para o sector económico, Sérgio da Cunha Velho. O Turismo está projectado para ser um motor fundamental do desenvolvimento socioeconómico, pela importante contribuição no crescimento do Produto Interno Bruto. Tudo começa na captação de investimentos nacionais e estrangeiros para a revitalização da actividade turística nas várias vertentes. “A Huíla está aberta a iniciativas de investidores nacionais e estrangeiros dispostos a aplicar capitais na exploração das potencialidades existentes no sector”, afirmou o vice-governador.
Sérgio da Cunha Velho considera fundamental a participação das instituições do Ensino Superior na análise da conjuntura económica e social vigente e para propor estratégias que permitam contornar as dificuldades e retomar o caminho do crescimento económico.

capa do dia

Get Adobe Flash player




ARTIGOS

MULTIMÉDIA