Reportagem

Um milhão de espécies em risco de extinção

Osvaldo Gonçalves

O mais recente relatório da ONU sobre os animais em vias de extinção é assustador. O documento, elaborado pela Plataforma Intergovernamental de Biodiversidade e Serviços Ecossistémicos (IPBES), refere que cerca de um milhão de espécies se encontram nessa situação, sendo um quarto dos mamíferos e mais de 40 por cento dos anfíbios.

Fotografia: DR

Num vasto documento divulgado na última segunda-feira, o grupo de especialistas da ONU, constituído por 455 peritos de 50 países, reuniu dados recolhidos ao longo de três anos, em que analisa as alterações dos ecossistemas, entre os quais o impacto do desenvolvimento económico no ambiente, e aderte que está em causa a biodiversiodade e a sustentabilidade do planeta.
Além dos mamíferos e anfíbios, o estudo aponta que 10 por cento dos insectos podem ter os dias contados na Terra. Os riscos de extinção é consequência directa da acção humana. Ou seja, a culpa desta situacão é toda nossa, que, dessa forma, ameaçamos o bem-estar das populacões no Mundo.
Ao ritmo rápido que segue a extinção de espécies, o qual deve manter-se após 2050, se não se tomarem medidas para inverter o quadro actual, a sobrevivência do Ser Humano da Terra corre sérias ameaças. Mas ainda temos meios para assegurar um futuro sustentável para as pessoas.
O relatório acrescenta que “só através de uma ‘mudança transformadora’ a natureza pode continuar a ser conservada, recuperada e sustentável”. Tal significa, afirmam,“que é fundamental uma reorganização em termos tecnológicos, económicos e sociais, incluindo a mudança de paradigmas, objectivos e valores”.
Os especialistas afirmam que é preciso ir mais além da elaboração de políticas que zelam pela questão ambiental, como o Acordo de Paris, e adoptarem-se medidas relativas ao uso da terra, à exploração directa dos recursos, ao combate às alterações climáticas, à poluição e às espécies invasoras.
Robert Watson, director do IPBES, afirma: “Não é tarde demais para agir, mas, só se for agora e através dessa ‘mudança transformadora’ na sociedade, que permita desacelerar os motores da perda de biodiversidade que ameaça o homem pelo menos tanto como as mudanças climáticas”. O especialista afirma estarmos “a desfazer as próprias fundações das nossas economias, meios de subsistência, segurança alimentar, saúde e qualidade de vida em todo o mundo”, pois, como é apontado no relatório da ONU, 75% do meio ambiente terrestre “foi severamente prejudicado” pelas actividades humanas, desde a desflorestação, a agricultura intensiva, a pesca excessiva e a urbanização desenfreada. No que diz respeito ao ambiente marinho, 66 por cento dele também foi afectado.
Desde 1960, pelo menos 680 espécies com coluna vertebral já foram extintas e o relatório diz que desapareceram 559 raças domesticadas de mamíferos usados para alimentação, segundo outro alerta preocupante lançado em Março pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), uma organização intertnacional composta por biólogos. Esta mantêm uma lista das espécies ameaçadas, na qual se incluem 27.159 espécies em perigo, ameaçadas de extinção ou extintas na natureza, entre quase 100 mil espécies analisadas em profundidade por estes biólogos.
A organização cita 1.233 espécies de mamíferos, 1.492 espécies de aves, 2.341 espécies de peixes e quase metade das espécies de plantas, dados esses que conferem com os de muitos especialistas, que alertam há anos para o início da sexta “extinção em massa”, a primeira pela qual o homem é responsável.

Girafas africanas

Na sequência de uma petição lançada por uma coligação da ONG do ambiente da conservação, o serviço de protecção da natureza dos Estados Unidos, o US Fish and Wildlife Service, anunciou que está em processo de revisão do estatuto da girafa. O processo deveria estar concluído no prazo de 90 dias, mas vai prolongar-se até ao final de Dezembro do próximo ano, o que já levou as organizações ambientalistas a protestar, segundo a CNN.
De acordo com os números da IUCN, avançados pelas organizações ambientalistas na petição, a população de girafas no continente africano sofreu uma quebra da ordem dos 40% nas últimas três décadas. De cerca de 163 mil efectivos, em 1885, restam agora menos de 98 mil.
"Com menos girafas do que elefantes em África, é imperativo que voltemos a atenção para estes animais únicos, antes que seja demasiado tarde", alertam os autores da petição, na qual estimam que as ameaças à espécies são essencialmente a perda de habitat, as secas que têm afectado o continente, as doenças e a caça, tanto a desportiva, que é legal, como a furtiva, que escapa ao controlo das autoridades locais.
Se a girafa for considerada ameaçada pelo país, todas as actividades de comércio nos Estados Unidos, relacionado com a espécie, deverão ser restringidas e mais controladas.
De acordo com as ONG que fizeram a petição, os Estados Unidos importaram, entre 2006 e 2015, quase quatro mil troféus de girafa, bem como 40 mil artefactos feitos a partir de ossos do animal.
"Estamos muito preocupados com a possibilidade de os ossos deste animal se estarem a tornar no novo marfim", afirmou à CNN Tanya Sanerib, a directora internacional do Center for Biological Diversity, que apoiou a formalização da petição.

À beira do fim

Os animais em extinçãosão todas as espécies que estão em risco de serem extintas do Planeta, devido às intensas mudanças climáticas e por causa do consumo e caça predatória por parte dos seres humanos.
A extinção dos animais significa a morte de toda uma espécie, podendo ser consequência de inúmeros factores, desde os naturais até por acções humanas. Actualmente, cerca de um quarto das espécies de animais correm o risco de desaparecer do seu habitat natural.

Alguns bichos em perigo

Entre as principais espécies de animais que correm o risco de extinção no mundo, estão:
- Tigre (Pantheratigris)
- Urso Polar (Ursusmaritimus)
- Morsa (Odobenusrosmarus)
-Pinguim de Magalhães (Spheniscusmagellanicus)
- Tartaruga-gigante ou Tartaruga-de-couro (Dermochelyscoriacea)
- Gorila das montanhas (Gorillaberingeiberingei)
- Rinoceronte de Java (Rhinocerossondaicus)
- Panda gigante da China (Ailuropodamelanoleuca)
- Borboleta Monarca (Danausplexippus)
- Atum-azul (Thunnusthynnus)
- Elefante africano (Loxodontaspp)
- Baleia-azul (Balaenopteramusculus)

Situação em Angola

O Ministério do Ambiente de Angola divulgou, em Agosto do ano passado, uma “Lista Vermelha” na qual assinalava, além de três espécies já extintas, 30 ameaçadas de extinção, cem vulneráveis e 18 invasoras, num total de cerca de 150.
Aquele departamento governamental apontava como principal factor para a extinção das espécies ou ameaça de tal ocorrer à caça furtiva.
Elaborada de acordo com a Convenção Internacional sobre o Comércio da Fauna e Flora Selvagem Ameaçadas de Extinção (CITES) e a Convenção sobre a Diversidade Biológica (CDB), a “Lista Vermelha” integra répteis, peixes, mamíferos e plantas nessa condição.
A divulgação da “Lista Vermelha” foi considerada, na ocasião, como reflexo da situação de risco e vulnerabilidade das nossas espécies e dos ecossistemas mais degradados, habitat fundamental para a sua perpetuação.

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