Reportagem

Um garoto com problemas, mas multimilionário

Osvaldo Gonçalves (*)

Mais do que um simples e redundante “mal ou bem, falem de mim”, Mark Zuckerberg parece querer partir a loiça toda: falem sim, mas falem bem. O patrão do Facebook faz jus à marca e dá a cara.

Fotografia: DR

Algum leitor pode até sentir-se lesado se dissermos que ele, um jovem programador e empresário nascido em White Pains, pequena cidade do Estado de Nova Iorque, a 14 de Maio de 1984, que ficou conhecido por ser um dos fundadores do Facebook, a rede social com mais acessos no mundo, a partir de Março de 2011, apareceu na 36ª posição da lista das pessoas mais ricas do mundo da revista “Forbes”, com uma fortuna estimada em 17.5 mil milhões de dólares.
Em Junho de 2015, a sua fortuna já estava avaliada em 38.4 mil milhões, e em 2016 o seu património líquido foi estimado em 51,8 mil milhões. No ano passado, aos 34 anos de idade, a sua fortuna era avaliada em 62 mil milhões de dólares.

De suburbano a multimilionário
Para melhor nos situarmos, devemos dizer que White Plains, localizada logo ao Norte de Nova Iorque, 11 quilómetros ao leste do Rio Hudson e 11 quilómetros ao noroeste de Long Island, vizinha das cidades de North Castle, Harrison, Scarsdale, e Greenburgh, é o centro comercial e a sede do Condado de Westchester, lar de quase um milhão de pessoas, fica a 30 minutos de comboio do centro de Manhattan. Apesar da origem suburbana, Zuckerberg frequentou a Universidade de Harvard e em 2004, com os colegas Eduardo Saverin, Andrew McCollum, Dustin Moskovitz e Chris Hughes, lançou o Facebook, que rapidamente se expandiu, com mil milhões de usuários até 2012.
De uma percentagem de 13.4% de internautas a aceder ao domínio facebook.com em 2008, esse valor cresceu até um máximo de 96.4% em 2014, tendo a partir de então mostrado uma tendência de abrandamento para os 93.1% observados ao longo do ano 2017.
Envolvido em várias disputas legais que foram iniciadas por outros membros do grupo, que reivindicavam uma participação na empresa com base na sua colaboração durante a fase de desenvolvimento do Facebook, Mark Zuckerberg foi firmando cada vez a sua riqueza e influência e em Dezembro de 2012, ele e a esposa Priscilla Chan anunciaram que dariam a maior parte da sua riqueza ao longo das suas vidas para “fazer avançar o potencial humano e promover a igualdade”.
A 1 de Dezembro de 2015, os dois anunciaram que dariam 99 por cento de suas acções do Facebook (no valor de cerca de 45 bilhões de dólares na época) para a Iniciativa Zuckerberg Chan.
Nomeado Pessoa do Ano pela “Time” em 2010, figura desde então na lista das 100 pessoas mais ricas e influentes do mundo elaborada por aquela prestigiada revista.

Erros assumidos
Dono de si mesmo, Mark Zuckerberg deu no ano passado uma lição de autocrítica ao admitir ter cometido vários erros quando construiu o Facebook. “Com os anos, cometi quase todos os erros que se pode imaginar”, disse na sua conta pessoal. “Cometi dezenas de erros técnicos e maus negócios. Confiei nas pessoas erradas e pus pessoas talentosas nas funções erradas. Perdi tendências importantes e fui lento com outras”, escreveu.
Com mais de dois mil milhões de usuários, o Facebook foi ao longo dos anos alvo de críticas por facilitar a difusão de informações falsas e a manipulação. Apesar de todas as iniciativas com vista a concentrar-se mais na família e nos amigos, uma das principais críticas tem a ver com o facto de as pessoas passarem demasiado tempo na rede social. Império que detém algumas das aplicações gratuitas mais populares do mundo, como o Instagram, que revolucionou a fotografia e o relacionamento com a imagem, e aplicações de mensagens como o Messenger e o WhatsApp, o Facebook tem hoje todos os seus mais pequenos feitos e gestos “escrutinados e criticados”, diz Debra Aho Williamson, analista da eMarketer, citada pela AFP.

Adolescente com problemas

Para Zuckerberg, tudo passa por uma reavaliação constante de como o Facebook trabalha. “A razão pela qual a nossa comunidade existe não é porque evitamos os erros”, escreveu. “É porque acreditamos que o que fazemos importa-nos o suficiente para continuarmos a tentar resolver os nossos maiores desafios, sabendo muito bem que erraremos de vez em quando, mas é a única forma de progredir”.
Ao completar hoje 15 anos de idade, mais de dois mil milhões de usuários em todo o mundo e um lucro recorde de 22,112 mil milhões de dólares em 2018, mais 39 por cento do que no ano anterior, receitas essas provenientes da publicidade, o Facebook não tem sido imune a polémicas e, por isso, ser comparado a um adolescente com problemas.
Toda esta incrível “história de sucesso” foi, há perto de dois anos, comprometida por um fluxo quase ininterrupto de escândalos e revelações acerca dos métodos utilizados pela rede social. É longa a lista de  críticas feitas à empresa. Muitos utilizadores demonstram inquietação com a desinformação que circula pela plataforma, defensores da vida privada insurgem-se contra a recolha cada vez mais massiva de dados pessoais para deles se retirar proveito financeiro e activistas dos direitos humanos que dizem tartar-se de uma empresa muito poderosa, que criou um produto viciante do qual muitas pessoas estão dependentes, o que implica uma enorme responsabilidade.

(*) Texto obviamente elaborado "através" de alguma procura na Internet

Depoimentos: O que os usuários pensam

A ideia pareceu-nos boa: dizer num jornal impresso o que os usuários do Facebook acham dessa ferramenta. Infelizmente, poucos responderam, levando-nos a questionar sobre a sua forma de estar nas redes sociais.

Manuel Correia, jornalista
“O Facebook é um instrumento importante e poderoso, porque aproxima pessoas ainda que estejam geograficamente separadas por milhares de quilómetros. É também um mecanismo através do qual se pode denunciar irregularidades, alertar para situaçoes de perigo ou outras. Infelizmente, muitas pessoas fazem mau uso dessa ferramenta.”

Raúl Rosário, actor
“Pa
ra já, o Facebook tem sido o canal de informação mais variado, actual e interactivo. As páginas oficiais de partidos, temas (variados) cozinham uma verdadeira informação qualificada e cada um pode procurar o que quiser. Só tem um senão: tenho sempre a sensação de estar a ser espionado pela CIA. Mas memo assim vale a pena.”

Carlos Lousada, repórter-fotográfico
“O jornal em papel é como o carro a gasolina: vai acabar! As plataformas digitais vão acabar com o papel impresso. É esbanjar muito usar papel para transmitir informação, notícias ou ideias.”

João Fracisco, jornalista
“O Facebook tornou-se, actualmente, numa das formas mais expeditas para fazer jornalismo on-line. Mais, sentimo-nos mais próximos e atinge-nos num segundo. Particularmente, tenho curtido bastante, na possibilidade que está ‘num estalar’ dos dedos , de fazer uns directos sem avisar ninguém que se está no ar!”.
Jonuel Gonçalves, jornalista, escritor e pesquisador
“É um bom meio de comunicar com os amigos, receber e divulgar ideias. Também gosto de participar em alguns grupos temáticos. Claro ainda que temos de receber mensagens estúpidas ou insultuosas por frequentadores/as obscurantistas ou doentes mentais. É um dos preços. Há sempre a solução de bloquear esta gente que, no entanto, pode continuar a disparatar-nos pelas costas. O pior é a quebra de privacidade causada pelo próprio Facebook. Foi amplamente divulgada a fuga de informações sobre a vida de milhões de pessoas. Então é bom fazer um balanço e ver até que ponto o usaremos.”

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