Reportagem

Valorização do capital humano com a promoção do emprego jovem

César André |

Uma das consequências do processo de globalização é a grande mobilidade internacional da força de trabalho em consequência da concorrência nos mercados de trabalho nacionais.

Fotografia: Dombele Bernardo | Edições Novembro

Para um país como Angola, o partido maioritário considera que se devem tomar medidas e accionar mecanismos para  evitar que a força de trabalho estrangeira se apresente com privilégios, em detrimento da nacional, quando têm as mesmas qualificações.
A transformação e diversificação da economia, a melhoria da produtividade e da competitividade das empresas do sector económico dependem muito da qualidade do capital humano, dos seus conhecimentos, qualificações e aptidões técnicas profissionais.
A valorização do capital humano e a promoção do emprego qualificado e remunerador vai constar da agenda da próxima legislatura com os objectivos de desenvolvimento e capacitação dos recursos humanos nacionais, promoção do emprego produtivo, bem como a melhoria da organização e das condições de trabalho e das relações laborais.
O partido maioritário defende no seu programa de governação para 2017-2022 a promoção do emprego produtivo, que vai ser prosseguida de implementação de um sistema integrado de incentivo à criação de emprego, a formação técnico profissional, o reforço das medidas de melhoria de emprego e o ajustamento dos mecanismos de acompanhamento da geração de emprego nos sectores primários, secundários e terciários.
Outras acções a executar estão relacionadas com o combate ao desemprego de longa duração de adultos, em particular dos activos mais vulneráveis, implementar acções e programas que proporcionem a igualdade de oportunidades e a escolha livre de ocupação ou emprego, da população activa que garantam a eficácia no trabalho.
Promover a reconversão progressiva do sector informal de trabalho e seu enquadramento na economia formal, apoiar a iniciativa e o espírito empreendedor, para incremento das possibilidades de geração de emprego e das capacidades e competências da classe empresarial, são outras as acções que o MPLA se propõe realizar caso vença as próximas eleições.
Nesta medida de política, o partido dos camaradas compromete-se a criar no mínimo 500 mil novos postos de trabalho, reduzir em um quinto, no mínimo, a taxa actual de desemprego e promover o emprego dos jovens e apoiar a sua transição adequada dos sistemas de ensino para a vida activa.
Com o apoio da sociedade civil e do sector privado, estimular o ensino a distância, estruturar e implementar um sistema de informação sobre o mercado de trabalho e oferta do primeiro emprego.
Quanto a melhoria do funcionamento do sistema nacional de emprego esta vai ser apoiada pela implementação de um programa de revitalização, expansão e modernização dos serviços de emprego com maior enfase para os animadores locais de emprego e centros móveis. 
O candidato do MPLA à Presidente da República, João Lourenço, prometeu no Uíge baixar o índice de desemprego no país caso vença as eleições de 23 de Agosto. Assumiu este compromisso durante um comício e disse que para solucionar o problema, o MPLA vai dinamizar a economia e apostar fortemente no sector privado para que este assuma a responsabilidade de dar cada vez mais empregos aos jovens.
João Lourenço entende que o Estado tem a responsabilidade de criar o ambiente para que o sector privado cresça e cumpra a sua responsabilidade de dar emprego aos cidadãos.
O candidato do MPLA, que se dirigia a milhares de militantes, afirmou que o mais importante é trabalhar para que o país tenha mais cidadãos empregados.
João Lourenço garantiu apostar seriamente na formação do homem e disse que o país conta com os quadros nacionais para deixar de depender dos estrangeiros. "O quadro nacional, para além do saber, sente a pátria e a necessidade de progredir para o desenvolvimento do seu país", disse João Lourenço, para quem a valorização do capital humano é necessária para o desenvolvimento de Angola.
No entanto, reconheceu o défice de quadros que o país tem em termos de qualidade e quantidade para assegurar o desenvolvimento. "Ainda existe um défice de quadros. Precisamos de mais em todas as áreas. Temos de procurar atingir o óptimo em termos de quantidade e qualidade", disse o também vice-presidente do partido maioritário.

Taxa de desemprego

A taxa de desemprego a nível nacional situa-se em 24 por cento e atinge sobretudo a população jovem entre os 15 e os 24 anos, segundo dados estatísticos divulgados durante o Recenseamento Geral da População e Habitação realizado em 2014 pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

Pessoas no mercado de emprego

Mais de 380 mil empregos foram proporcionados nos diversos sectores da actividade económica e produtiva do país, em 2012 e 2013.
Dados do Ministério da Administração Pública, Emprego e Segurança Social  indicam que 380.465 empregos foram criados nos diversos sectores da economia, apenas em dois anos. O Ministério tinha apontado para a criação de um milhão de postos de trabalho.
Nos sectores da actividade económica, para o sector empresarial, os transportes, comércio e energia e águas foram os com maior número de empregos criados, com cerca de 117.776 postos de trabalho no sector dos Transportes e 54.741 no sector do Comércio. O sector da Energia e Águas gerou 52.554 postos de trabalho.
As áreas da Agricultura, Educação, Geologia e Minas, Hotelaria e Turismo e a da Construção surgem abaixo desse número.
Quanto ao sector da Administração Pública, a Educação lidera a lista com 18.832 postos de trabalho e a Saúde com 7.600 postos de trabalho.

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