Reportagem

Viaduto do Camama abre hoje à circulação

Edivaldo Cristóvão |

Mais de 900 carros por hora vão circular no viaduto da rotunda do Cemitério da Camama, uma via que dá acesso às zonas do Talatona, Golfe II, Viana e via expressa. A infra-estrutura é inaugurada hoje em Luanda, depois de sete meses de obras.

Depois de meses o viaduto é aberto hoje ao tráfego rodoviário
Fotografia: Paulo Mulaza | Edições Novembro

A construção do viaduto da Camama esteve a cargo da empresa de construção Mota-Engil, que até ontem fez os últimos acertos de sinalização para melhor regularização do trânsito rodoviário naquela circunscrição.
A obra da infra-estrutura deu emprego directo e indirecto há mais de 800 jovens. O atraso para a conclusão da obra  se deveu a constrangimentos técnicos, como as linhas de comunicação, ligações de água e da  rede eléctrica da  EPAL e da ENDE.
O viaduto tem uma extensão de 493,7 metros de cumprimento, 20 metros de largura, duas faixas de rodagem em cada sentido e uma altura de 5,5 metros, em cada sentido, passeio de dois metros de largura, sistema de drenagem das águas pluviais, iluminação pública e sinalização de trânsito vertical e horizontal.
O viaduto tem um tempo de vida previsto para mais de 20 anos. Com esta obra, os constrangimentos no trânsito automóvel, a nível da zona da Camama poderão reduzir substancialmente nos próximos dias.
Importa realçar, que com a entrada em funcionamento dos viadutos da estrada de Catete, Boa Vista, Zango e Centralidade do Kilamba, os cidadãos já não têm enfrentando longas filas de engarrafamentos.
O jovem Edgar Calonga vive na Centralidade do Kilamba e trabalha na baixa de Luanda, contou à reportagem do Jornal de Angola os transtornos que tem tido durante os últimos meses por usar esta via.
“A minha filha está numa creche da rua da Camama, por isso, sou obrigado a usar esse trajecto quase todos os dias, o tempo do percurso que fazia normalmente era de 45 minutos para chegar até a estrada do Golfe II e depois enfrentar outras filas de trânsito para chegar até à  cidade. É uma situação stressante, espero que com a abertura deste viaduto esse problema esteja resolvido”, disse.
Edgar revelou que a situação por vezes fazia ter um rendimento reduzido no trabalho, porque todos os dias fazia quase ou mais de duas horas no trânsito, tanto para ir trabalhar como para regressar à casa.
Esta história é semelhante a de muitos citadinos que vivem distante das suas áreas de trabalho, como o Edgar, muitos são obrigados a sair de casa às 5H00 e só regressar às 20H00.
As obras dos viadutos da cidade de Luanda foram programadas de forma alargada, com a estratégia de dar prioridade em algumas vias que se enquadram no acesso ao novo Aeroporto Internacional de Luanda (no município de Icolo e Bengo) com objectivo de aliviar o trânsito nestas zonas e oferecer melhor mobilidade e conforto na cidade.
Foram identificados alguns nós que causavam embaraço no trânsito automóvel, como o da Estrada de Catete (Unidade Operativa), Rotunda da Camama, Boa Vista, entrada do Zango e da Centralidade do Kilamba.
Nos próximos dias vão ter inicio os da Corimba (junção da marginal sudeste à estrada da Samba), as obras da estrada 230 ao novo Aeroporto Internacional, entre outras obras que já estão definidas.
O nó da Boa Vista permite o acesso a Norte, via Cacuaco, interceptando a avenida Fidel de Castro para o novo Aeroporto Internacional e constitui igualmente um acesso fácil para o centro de cidade Luanda.
Além das obras em Luanda, a nível nacional existem obras de melhoria das estradas em curso, nomeadamente, a estrada nacional 100 de Cabo Ledo até ao Lobito, a 120 do Alto Dondo até o rio Keve e a 230 no troço Lucala/Malange, constituindo os principais corredores reabilitados no âmbito da linha de crédito da China.

Os projectos
Dos seis nós viários, cuja construção começou em Março, o viaduto de Camama é o último a ser inaugurado. Os 5 entraram em serviço em Agosto deste ano.
Uma nota do Ministério da Construção e Obras Públicas informa que as obras incidiram na construção da via expressa/Camama/Avenida Pedro de Castro Van-Dúnem “Loy”.
A construção incluiu a micro e macrodrenagem, o elevado do nó viário da rotunda do Cemitério de Camama e o binário na Avenida Pedro de Castro Van-Dúnem “Loy”, na província de Luanda.
A via expressa/Camama/Avenida Pedro de Castro Van-Dúnem “Loy” tem aproximadamente 10,5 quilómetros. A sua construção destina-se a beneficiar o tráfego proveniente das diversas localidades vizinhas, para  facilitar a circulação dos veículos, pessoas e mercadorias, além de melhorar, de forma razoável, a mobilidade e acessibilidade da região metropolitana, de acordo com as directrizes no Plano Director Geral Metropolitano de Luanda (PDGML).
A nota refere que a implementação deste projecto motiva-se pela especial relevância enquanto uma das soluções técnicas para facilitar o acesso ao novo Aeroporto Internacional de Luanda. Para o acesso ao novo aeroporto também está a ser construída uma nova linha férrea a partir da Estação ferroviária do Bungo em cerca de 50 quilómetros.
Os viadutos da Boavista, do Sambizanga, Unidade Operativa, Zango e Kilamba foram inaugurados em Agosto.
Além deste, está em construção desde Março de 2015, um viaduto sobre os Caminhos de Ferro de Luanda, na Avenida Hoji Ya Henda, nas proximidades do mercado Tunga Ngó.

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