Sociedade

1.432 enfermeiros com certificados falsos

A Ordem dos Enfermeiros de Angola detectou 1.432 certificados de autenticidade duvidosa, num universo de 43 mil profissionais inscritos na instituição, denunciou, na quarta-feira, em Luanda, o bastonário Paulo Luvualo.

Ainda existe um número elevado de falsos enfermeiros no país, uma realidade que põe em risco a vida de vários doentes
Fotografia: Dombele Bernardo | Edições Novembro

O bastonário, em declarações á Angop, reforçou a denúncia pública com a informação de que existe um número elevado de enfermeiros que exercem a actividade de forma ilegal no país, uma realidade que põe em risco a vida de doentes nas unidades sanitárias.
A descoberta foi feita depois de a Ordem dos Enfermeiros de Angola ter solicitado às escolas onde os enfermeiros dizem ter estudado a lista nominal e detectou 1.432 falsos enfermeiros, alguns dos quais nunca estudaram formalmente enfermagem e outros desistiram do curso.             
“No final de cada ano lectivo, nós pedimos uma relação nominal de todos os formandos e com isso constatamos a existência de certificados duvidosos”, disse Paulo Luvualo, que caracterizou como duvidosos os certificados, cuja autenticidade ainda precisa de confirmação do Serviço de Investigação Criminal (SIC) e da Inspecção Geral da Saúde.
O  envolvimento da Ordem dos Enfermeiros de Angola na detecção de certificados falsos tem como objectivo impedir que falsos profissionais adquiram a carteira profissional.
“Até agora são apenas considerados duvidosos, cabendo à Investigação Criminal averiguar e  confirmar se são ou não falsos, porque houve vezes em que, no contacto com uma determinada instituição de ensino, nos disseram tratar-se de um lapso na  elaboração da lista", adiantou Paulo Luvualo.
O bastonário disse que o exercício ilegal de uma profissão é crime, daí que as pessoas que têm certificados falsos devem ser penalizados de acordo com a lei.

Bastonário insatisfeito
O bastonário da Ordem dos Enfermeiros de Angola manifestou a sua insatisfação com a qualidade dos serviços prestados por alguns enfermeiros, por desrespeito à ética e à deontologia profissional. Paulo Luvualo disse ser necessário que se incuta permanentemente nos profissionais de saúde a importância da ética e da deontologia na exercício da actividade.
Para o responsável, a qualidade dos serviços prestados por profissionais  de enfermagem deixa muito a desejar, além de que “a falta de humanização é uma das razões para o fracasso dos trabalhos prestados” .
“É urgente incutir nas mentes dos profissionais da saúde os  valores éticos e deontológicos, porque todos os dias recebemos queixas dos concidadãos, devido aos maus-tratos que têm sido alvo nas unidades sanitárias", acrescentou o bastonário. 
Paulo Luvualo informou que a Ordem está a realizar campanhas de sensibilização e palestras  a fim de ver melhorado o trabalho prestado pelos profissionais: “A Ordem dos Enfermeiros de Angola exerce  acção pedagógica, pelo que, devido à carência da disciplina de ética no ensino de enfermagem,  foram criados conselhos provinciais e municipais, para orientar os profissionais a promoverem palestras e debates sobre ética e deontologia profissional.”
O Governo está apostado em aumentar o número de profissionais da Saúde para melhorar a qualidade dos serviços e capacitar os recursos humanos.
Com esta medida, o Governo dá um passo decisivo ao levar a saúde de qualidade a todos os municípios, ao fazer a distribuição equitativa dos recursos humanos, melhorando o rácio nacional de acordo com as necessidades de cada província.
Embora a cooperação no sector da Saúde ainda é expressiva, Angola já dispõe de milhares de quadros superiores que, diariamente, contribuem para a melhoria da saúde da população nas áreas rurais e urbanas.

Tempo

Multimédia