Sociedade

17 falsos docentes demitidos de funções

Silvino Fortunato| Uíge

Um total de 17 dos 22 indivíduos acusados de terem apresentado certificados falsos de docentes na Universidade Kimpa Vita, na província do Uíge, foram demitidos, após a conclusão de um processo averiguação iniciado em 2016.

Caso despoletou após denúncias dos estudantes da instituição académica
Fotografia: Euníce Suzana, Edições Novembro

O caso despoletou após denúncias dos estudantes e por suspeita de incapacidade de alguns docentes. Foi daí que foi desenvolvido um trabalho de investigação que envolveu a Universidade Agostinho Neto (UAN) e o Instituto Nacional de Avaliação, Acreditação e Reconhecimento de Estudos do Ensino Superior (INAARES) que culminou no afastamento de falsos docentes.
O director do gabinete de comunicação e informação da Universidade Kimpa Vita, Augusto Munganga, disse que, por se tratar de um caso fraudulento, o assunto foi remetido aos Serviços de Investigação Criminal (SIC), para a possível responsabilização criminal dos falsos docentes.
Augusto Munganga, que falava ontem em conferência de imprensa, a propósito do caso que envolve 17 indivíduos que se fizeram passar de docentes, informou que 11 dos implicados pertenciam à Escola Superior Politécnica do Uige, três à Escola Superior Politécnica do Cuanza- Norte, dois à Faculdade de Economia e um a de Direito.
“Todas as unidades orgânicas da Universidade Kimpa-Vita estavam afectadas com indivíduos que se faziam passar de docentes, apresentando documentos falsos, colocando em cheque o bom nome da instituição”- aclarou.
O responsável adiantou que os que se sentem afectados pela medida têm o direito de recorrer, no prazo de nove dias, e caso provem o contrário, poderão ser readmitidos. O director do gabinete de comunicação informou que a Universidade Kimpa Vita trabalha em sintonia com UAN, que emitia as declarações para a certificação dos documentos académicos das universidades estrangeiras.
Augusto Munganga disse que, ao longo das investigações, os visados tiveram a oportunidade de reunir outros documentos, mas, infelizmente, não o fizeram. Sublinhou que cinco indivíduos foram sancionados com medida de censura registada por, inicialmente, terem apresentado documentos duvidosos.
O Jornal de Angola soube de fonte segura que a instituição académica já recebeu várias petições contestatárias, inclusive muitos dos lesados fizeram-se apresentar com novos certificados.
Boa parte dos indivíduos que se econtram nesta situação alegam terem estudado na República do Congo Democrático (RDC). Insatisfeitos com a posição tomada pela Universidade, subscreveram uma carta aberta a várias entidades, incluin-do ao Presidente da República, apresentando indignação quanto ao desfecho do processo.
Para além dos documentos considerados falsos, muitos destes exibiram documentos equivalentes a recibos de entrada, que não substituem os certificados.
Os documentos são originários de universidades da República Democrática do Congo com 16 casos, Rússia, Marrocos, Argélia, Bulgária, Reino Unido e Congo Brazavilhe com um caso cada. Entre os documentos falsos, 19 são do grau de licenciatura e cinco de mestrado.

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