Sociedade

48 pessoas morrem nas praias de Benguela

Jesus Silva | Lobito e João Upale | Moçâmedes

Quarenta e oito pessoas morreram nas praias de Benguela durante a época balnear 2018/19 e cerca de 100 em iminência de afogamento foram salvas, revelou o comandante provincial da Protecção Civil e Bombeiros.

Autoridades da província preocupadas com os casos de afogamentos que ocorrem na região
Fotografia: vigas da purificação | edições novembro

Ao intervir, no sábado, na abertura oficial da época balnear 2019/20, Valentim Francisco informou que, entre as 130 ocorrências registadas nas zonas aquáticas, 31 foram no mar, cinco nos rios, igual número nas valas de drenagem, quatro em lagoas, dois em reservatórios de água e um no mangal.

O comandante dos Bombeiros referiu-se sobre o perigo que as praias representam, daí ter solicitado às pessoas a acatarem instruções daqueles que se predispõem em dar a sua própria vida para salvar outras.
“Pela importância que é dada a vida humana, a Delegação do Ministério do Interior em Benguela definiu um outro paradigma de asseguramento das praias na província, que passa a contar com a participação efectiva de todas as forças que compõem os órgãos operativos. A ideia é tornar as nossas praias cada vez mais seguras e reduzir, ao máximo, as perdas de vidas humanas e os afogamentos”, salientou.
Valentim Francisco apelou à sociedade a unir-se a essa causa no sentido reduzir os casos de afogamentos. O administrador municipal do Lobito, Nelson Joaquim da Conceição, espera que o acto formal se traduza no prenúncio de uma época balnear em que o nível de organização das estruturas do Estado e privadas, que velam pelo funcionamento das praias, garanta aos seus utilizadores maior segurança de apoio em caso de necessidade, estabilidade e paz de espírito, para uma convivência e recreação condigna.

Trinta mortes no Namibe

A província do Namibe registou, durante a época balnear 2018/2019, 30 mortos por afogamentos, dos 46 casos conhecidos, informou o chefe de Secção de Prevenção.
Falando no acto que marcou a abertura da época balnear, o inspector bombeiro Adriano Chivinda informou que dos 30 mortos 29 são do sexo masculino. Acrescentou que, no período em referência, registou-se ainda dois naufrágios de embarcações de pesca, vulgo chatas, um resgate de embarcação de pesca e outra de viatura emergida no mar, bem como um desaparecimento de embarcação com três ocupantes a bordo.
Neste período, foram ainda removidos 25 cadáveres, sendo 23 no mar e dois em lagoas, cinco em tanques de água, onze salvos por iminências de afogamento no mar.
O comandante provincial da Polícia Nacional destacou o papel dos órgãos de comunicação social pelo contributo na divulgação e sensibilização da população no que se refere às medidas de prevenção e segurança públicas.
Alberto Mendes, que é igualmente o delegado do Ministério do Interior no Namibe, lembrou que o mar é um bem público social e económico, mas alertou para o que pode constituir para a vida humana quando se observa o desrespeito às regras de prevenção durante o seu uso como banhista, pescador e não só.
Para garantir a segurança aos utentes das praias, o comandante provincial recomendou a seguirem os conselhos das autoridades marítimas, para se evitar a perda de vidas humanas e seus bens.
Alberto Mendes esclareceu, por outro lado, que o Comando Provincial tem vindo a desenvolver palestras nas escolas, igrejas, mercados, além de prestar conselhos úteis no sentido de se evitar as mortes por afogamento.

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