Sociedade

Acções para reduzir mortalidade infantil têm o apoio da UNICEF

Angola está na posição 19 da lista dos países com maior índice de mortalidade neonatal, revela o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), num relatório sobre a mortalidade infantil no Mundo, divulgado ontem em Nova Iorque, com o título  "Para cada criança, vida. É urgente acabar com a morte de recém-nascidos”.

A escassez de profissionais de saúde faz com que milhares de recém-nascidos no mundo não recebam o apoio necessário
Fotografia: Domingos Cadencia | edições novembro

No documento, a UNICEF diz apoiar o Governo angolano nas suas acções para reduzir a mortalidade neo-natal com o reforço dos cuidados de saúde e de nutrição da grávida e do recém-nascido, incluindo o programa de prevenção da transmissão do VIH de mãe para filho, a promoção da amamentação exclusiva até aos seis meses, o tratamento da desnutrição, sobretudo em situações de emergência, e a vacinação de rotina. A UNICEF dá assistência técnica à Direcção Nacional de Saúde Pública destinada à revisão e elaboração do Plano Estratégico de Saúde Materno-Infantil e Nutrição, lê-se no relatório da agência especializada das Nações Unidas.
O número de mortes de recém-nascidos a nível global mantém-se  elevado, sobretudo nos países mais pobres do mundo, diz a UNICEF no relatório, exemplificando que os bebés nascidos no Japão, Islândia e Singapura têm a maior probabilidade de sobreviver, enquanto os recém-nascidos no Paquistão, Repú-blica Centro-Africana e Afeganistão enfrentam as piores probabilidades.
“Embora tenhamos reduzido para mais da metade o número de mortes entre crianças abaixo dos cinco anos de idade nos últimos 25 anos, não fizemos progressos semelhantes relativamente à redução da mor-
talidade de crianças com menos de um mês de idade”, disse Henrietta Fore, directo-ra executiva da UNICEF, citada no relatório.
Henrietta Fore acentuou: "Admitindo que a maior parte destas mortes podem ser evitadas, estamos claramente em falta com os bebés mais pobres." No Mundo, o índice médio da mortalidade infantil em países de baixo rendimento é de 27 mortes em mil nascimentos, diz o relatório. Nos países de alto rendimento, esse mesmo índice é de três mortes em mil nascimentos. Assim, os recém-nascidos em países onde os partos são realizados com maiores riscos têm 50 vezes mais probabilidades de morrer do que nos países onde o parto é mais seguro.
“Todos os anos, 2,6 mi-lhões de recém-nascidos no Mundo não sobrevivem ao primeiro mês de vida e um milhão morre no dia em que nasce”, disse Henrietta Fore, que  acredita  que “apenas alguns pequenos passos ajudam a assegurar os primeiros pequenos passos destas novas vidas.” A alta funcionária da UNICEF disse: “Sabemos que podemos salvar a maioria desses bebés com serviços de saúde acessíveis e de qualidade para todas as mulheres e todos os recém-nascidos.”

Assistência a mulheres

O relatório assinala  que "oito dos dez lugares mais perigosos para se nascer estão situados na África Subsaariana", onde a probabilidade de assistência a mulheres durante o parto é menor devido à pobreza, conflitos e fragilidade das instituições sanitárias. A UNICEF diz acreditar que, se até 2030 cada país pode reduzir o seu índice de mortalidade neonatal ao nível médio dos países de alto rendimento, 16 milhões de vidas podem ser salvas.
O relatório salienta que mais de 80 por cento das mortes de recém-nascidos se devem  a nascimentos prematuros, complicações durante a gravidez ou infecções, como a pneumonia e a septicemia.
Estas mortes podem ser prevenidas com o acesso a parteiras bem formadas e a soluções já comprovadas, entre as quais o uso de água limpa, desinfectantes, amamentação nas primeiras horas, contacto com o corpo da mãe e uma boa nutrição.
Para a UNICEF, a escassez de profissionais de saúde e o défice de parteiras bem formadas fazem com que milhares de recém-nascidos não recebam o apoio necessário para sobreviver. Enquanto na Noruega existem 218 médicos, enfermeiras e parteiras para dez mil pessoas, essa proporção é de um para dez mil na Somália, exemplifica o relatório da UNICEF, que lançou este mês a campanha global “Para Cada Criança, Vida”, a fim de exigir e oferecer soluções em prol dos recém-nascidos no Mundo.
Por meio da campanha, a UNICEF  lança um apelo urgente aos governos, prestadores de serviços de saúde, doadores, sector privado, famílias e empresas para manterem todas as crianças vivas através do recrutamento, formação, retenção e gestão de um número suficiente de médicos, enfermeiras e parteiras especializadas em cuidados de saúde materna e do recém-nascido;
A garantia de instalações de saúde limpas e funcionais, equipadas com água, sabão e electricidade, ao alcance de todas as mães e bebés e o fornecimento prioritário de medicamentos essenciais e de equipamento necessário para cada mãe e bebé a fim de garantir um início de vida saudável constam do apelo.

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