Sociedade

Acidente provoca 11 mortos

Joaquim Júnior e Valter Gomes | Uíge

O Governo da província do Uíge manifestou ontem a sua  “profunda consternação” pela morte de onze pessoas por acidente rodoviário, ocorrido na quinta-feira, no troço Uíge/Negage.

Excesso de velocidade e condução sob o efeito do álcool podem estar na base do acidente de viação que vitimou mais de uma dezena de pessoas no Uíge
Fotografia: Mavitidi Mulaza | Uíge

Numa nota de condolências assinada pelo governador Paulo Pombolo, o Governo lamenta o infausto acontecimento e endereça às famílias enlutadas sentidas condolências.
“Estes cidadãos, na sua maioria ainda jovens, poderiam contribuir grandemente, não só para o desenvolvimento da província, mas também do país”, sublinha.
Entre as vítimas mortais encontram-se seis homens, quatro mulheres e uma criança.
O director clínico do hospital geral do Uíge, David Diavanza, revelou que dois dos quatro sobreviventes do acidente rodoviário  obtiveram alta. De acordo com o médico, um dos sobreviventes tem nacionalidade chinesa.
“As duas pacientes que ficaram internadas na cirurgia do hospital apresentam fracturas dos membros inferiores e superiores, mas a situação está controlada”, garantiu.
O acidente resultou do despiste de uma viatura de transporte colectivo que circulava no troço rodoviário que liga a cidade do Uíge a Negage, resultando na morte imediata de dez pessoas. Outra viria a morrer horas depois, na sequência de um traumatismo craniano.
Uma das testemunhas do acidente, José Esteves, 26 anos, disse que o automobilista circulava em excesso de velocidade e o despiste ocorreu depois de uma ultrapassagem perigosa a uma mota de três rodas, a escassos metros da ponte sobre o rio Loé, em cima de uma curva.
“Com a velocidade que trazia, acredito que depois da ultrapassagem, o motorista já não conseguiu controlar a viatura. Depois do acidente, eu e mais algumas pessoas que vimos o Hiace capotar, corremos para socorrer as vítimas, mas a maioria estava morta. Algumas foram cuspidas para o rio”, contou.
Outra testemunha, Gonçalves Sebastião, que realizava actividade agrícola próximo do local onde ocorreu o acidente, lembra que ficou muito assustado depois de ver a viatura capotar até embater contra uma árvore. “Este é o segundo acidente mortal que acontece neste perímetro em menos de dois meses. Os automobilistas devem regular a velocidade para preservarem vidas humanas”, aconselhou.
A contas com a justiça, o motorista da viatura, Cristóvão Alexandre, disse ao Jornal de Angola que circulava a uma velocidade de 80 quilómetros por hora e que o acidente ocorreu depois de ultrapassar um camião. “À minha frente vinha uma motorizada de três rodas e quando tentei desviar-me dela já era tarde. Despistámo-nos”, explicou.
Um dos sobreviventes do acidente, Rui Manuel, que recebeu assistência médica no hospital geral do Uíge, disse que a viagem começou em Sanza Pombo. “Inicialmente, éramos apenas quatro passageiros. O nosso destino era a cidade do Uíge. É evidente que ao longo da viagem o motorista foi fazendo paragens para carregar mais pessoas, nas ele não parava de beber e não quis ouvir os nossos conselhos”, denunciou.
“Eu fui um dos passageiros que tanto chamou a atenção do motorista sobre o seu comportamento negativo de conduzir e beber ao mesmo tempo. Quando nos aproximávamos da ponte sobre o rio Loé senti a viatura a despistar-se. O motorista já estava sob o efeito do álcool. Estando no banco de frente, quando vi o perigo abri a porta e saltei para fora da viatura”, explicou.

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