Sociedade

Admissão de jornalistas exige rigor e qualidade

Ana Paulo

O Ministério da Comunicação Social pretende elevar o nível académico e a qualidade dos profissionais do sector, estabelecendo critérios mais rigorosos para a entrada nas redacções centrais, anunciou ontem, em Luanda, o titular da pasta.

João Melo promete melhorar condições de trabalho
Fotografia: Agostinho Narciso | Edições novembro

João Melo, que falava na abertura do segundo ciclo de refrescamento dos profissionais dos órgãos de Comunicação Social, no Centro de Formação de Jornalistas (Cefojor), disse que uma das exigências do Ministério é a formação superior obrigatória e o curso de extensão universitária de jornalismo a ser implementado em parceria com as universidades.
Para maior rigor profissional e ética deontológica, o ministro da Comunicação Social defende uma acção conjunta com as instituições do Ensino Superior para a revisão e harmonização dos currículos dos cursos de Comunicação Social já existentes.
Os futuros profissionais devem ser submetidos a testes de admissão e depois de aprovados frequentar um estágio técnico-profissional no Cefojor.
Além dos problemas relacionados com os baixos salários, ausência de critérios de recrutamento, existência de trabalhadores fantasma , indisciplina, falta de produtividade, atraso tecnológico e falta de investimentos, João Melo apontou a formação como a segunda maior lacuna do sector da Comunicação Social.
João Melo reconheceu que o nível médio dos jornalistas e outros profissionais do sector baixou consideravelmente desde os anos 80 e 90, salvo excepções pontuais, que apenas confirmam a regra.
Essa degradação, acrescentou, ocorreu ao mesmo tempo que aumentou o número de quadros licenciados. Como prova da fraca qualidade dos quadros licenciados, o ministro disse que falam por si os resultados dos últimos concursos públicos e os exames de admissão ao ensino universitário.
Para João Melo, a gravidade da situação exige medidas globais e estruturantes e os sectores de actividade devem assumir a sua quota parte de responsabilidade. O sector da Comunicação Social, assegurou, vai aumentar a capacitação dos seus quadros, com acções contínuas de formação e treinamento (on job) dos jovens nas empresas do sector.
Vai também realizar, através do Cefojor, ciclos de formação e refrescamento regulares, com ou sem parcerias, e incentivar a participação dos quadros em conferências, palestras, mesas redondas e oficinas temáticas.
Até Dezembro, o ministro da Comunicação Social garantiu que o Cefojor vai realizar mais cursos de Língua Portuguesa, Técnicas de Redacção, Reportagem, Actualidade, Internet e responsabilidade jornalística, e cursos de sonoplastia para os profissionais de rádio e televisão.
“Com um ano e meio a liderar o sector de Comunicação Social, não tenho dúvidas que um dos objectivos fulcrais que precisamos atingir, com urgên-
cia, é resgatar o espírito jornalístico nas redacções”, declarou.
Além de resolver os problemas sociais que afectam os jornalistas, o ministro prometeu que o sector vai criar condições de trabalho adequadas, adoptar medidas organizativas, definição de procedimentos e estimular e incentivar os profissionais que se destaquem. “Todas estas metas exigem uma aposta na formação baseada no rigor e na exigência, sem incidência ao facilitismo, demagogia e ao populismo”, sublinhou João Melo.

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