Sociedade

Adolescente morre por falta de uma ambulância

César Esteves

Tomás Alberto Manuel Lusseico, 13 anos, morreu na terça-feira, 19, no Hospital Geral de Luanda, às 22 horas, depois de esperar oito horas por uma ambulância da instituição que devia o transportar para o Josina Machel, soube o Jornal de Angola junto de um dos irmãos do falecido.

Director do Hospital Geral de Luanda diz que vai averiguar o que aconteceu com o paciente
Fotografia: Santos Pedro | Edições Novembro

Lusseico Alberto conta que chegaram às 8h00 da manhã ao Hospital Geral de Luanda, com o adolescente a queixar-se de fortes dores na coluna, tendo o médico em serviço, conhecido apenas por Jaime, depois de o observar, solicitou duas vezes, que se fizesse exame de TAC, para apurar as causas das dores, mas estes na altura deram negativo.

Em função disso, o médico emitiu às 14h00 uma guia de transferência para o Hospital Josina Machel, para que o menor fosse acompanhado naquela unidade sanitária. A transferência não se efectivou naquele momento por falta de uma ambulância.
Dada a demora, por volta das 15h00, os familiares indagaram a equipa médica, mas sem sucesso. A situação arrastou-se até às 19h00. Desesperados, estes pediram autorização à equipa médica para levar o menino ao Josina Machel pelos seus próprios meios, mas não foi aceite.
“Eles disseram que o pa-ciente só pode ser transporta-do na ambulância do hospital”, contou o irmão.
Segundo revelou, até às 20h00, a ambulância ainda não estava na unidade hospitalar. Por essa razão, imploraram à equipa médica para que permitisse que o doente fosse levado na viatura familiar, o que foi novamente negado. Instantes depois, os familiares do adolescente avistaram uma ambulância estacionada em frente ao Banco de Urgência do Hospital Geral de Luanda, esperançosos de que o seu parente seria transportado por aquela viatura para o Josina Machel.
O grupo aproximou-se da viatura alegremente, mas, para o espanto, foram informados que a mesma não levaria o menor para o Josina Machel, porque já se encontrava morto.
“A morte do rapaz não resultou de uma negligência médica, mas sim administrativa”, disse o médico quando confrontado por familiares, alegando que passou a transferência “há muito tempo” e que se o adolescente não foi levado “a culpa não é minha”.
Abalados com a situação, os familiares prometem levar o caso à PGR, para que os funcionários em serviço naquele dia sejam responsabilizados.

Director desinformado
Contactado pelo Jornal de Angola, por telefone, o director do Hospital Geral de Luanda, Carlos Zeca, revelou desconhecimento total sobre o caso. Ficou a saber dele apenas através do contacto efectuado.
“Eu saí nesse dia do hospital às 19h30 e nenhuma família veio ter comigo a respeito disso”, salientou, para acrescentar que o Hospital Geral de Luanda não tem carência de ambulância.
“Nós temos as três ambulâncias a funcionar. Não aceito que não havia uma naquele momento”, acentuou para acrescentar que às 19h00 havia saído uma ambulância que transportou um paciente para o Aeroporto, mas que as outras duas tinham ficado no Hospital, para acudir eventuais situações de urgência.

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