Sociedade

Agressão a Carla Simões continua sob inquérito

O Ministério Público de Portugal disse, ontem, à imprensa daquele país que prossegue o inquérito instaurado pela Polícia contra Carla Simões, por alegada resistência e coacção sobre um agente.

Fotografia: DR

A investigação deste processo, do qual Carla Simões foi já ouvida pelo juiz de instrução criminal e constituída arguida, foi assumida pelo Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) da Amadora.
Carla Simões, cidadã portuguesa de origem angolana residente na Amadora, fez também uma queixa contra o agente da PSP, alegando ter sido violentamente agredida, mas este processo ainda não terá chegado ao DIAP. Quando isso acontecer será investigado juntamente com o primeiro. O polícia envolvido no incidente, que se encontra, desde então, suspenso, não foi ainda ouvido, nem constituído arguido.
Do ponto de vista disciplinar, o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, determinou à Inspecção-Geral da Administração Interna (IGAI) "a abertura de um inquérito para apuramento dos factos relacionados com a actuação policial ocorrida no do-mingo na Amadora, após o pedido de intervenção do motorista de um autocarro de passageiros".
A mulher detida no do-mingo na Amadora, numa paragem de autocarro, diz ter sido agredida por um polícia e temido pela vida, garantindo que vai lutar com todas as forças contra a violência e o racismo. Num comunicado, a advogada refere que, Cláudia Simões, de 42 anos e mãe de quatro filhos, conta que, no domingo, pensou que ia morrer sufocada na rua diante da filha, de 8 anos, vítima de agressões policiais.
Este caso está a ter uma ampla divulgação em Portugal, com vários partidos a pedirem esclarecimentos ao MAI sobre a actuação da PSP nesta situação. Na pergunta formal subscrita pelos deputados António Filipe e Alma Rivera, o PCP sublinha que a "gravidade das agressões verificadas exige um total esclarecimento e uma pronta averiguação de responsabilidades por parte das entidades competentes do MAI.”

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