Sociedade

Água rara

Osvaldo Gonçalves

Em 2025, ou seja, dentro de seis anos, haverá na Terra 3,5 mil milhões de pessoas afectadas pela escassez de água – que o afirma é o director do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), Lisandro Martin.

Lisandro Martin
Fotografia: Angop

Na abertura do primeiro Fórum Internacional sobre a Escassez de Água na Agricultura, que termina hoje, Dia Mundial da Água, na cidade da Praia, Cabo Verde, ele apelou para uma intervenção contra a escassez de água, referindo que essa será a factura a pagar, “se nada for feito”.

Estes dados podem até aparecer um contra-senso, atendendo à situação de emergência vivida em Moçambique devido aos efeitos do ciclone “Idai”, que provocou uma das maiores catástrofes da história daquele país. A subida repentina dos rios, no centro do país, em particular nas províncias de Sofala, Manica, Zambézia e Tete, onde a intempérie com ventos de 190 a 200 km/h, com chuvas de 250 mm em 24 horas arrasou quase tudo, de acordo com o Governo moçambicano e as agências internaccionais.
Mais de 350 mil mortes foram já confirmadas e pelo menos 350 mil estão em situação de risco. Cerca de 500 mil pessoas ficaram sem energia e linhas de comunicação.
Em face da “situação de risco”, que se vive em toda aquela região,o Presidente da República, Filipe Nyusi, decretou o estado de emergência nacional. O Chefe de Estado moçambicano fala em mais de mil mortos.
As imagens captadas e difundidas em todo o mundo são ilucidaditas quanto à tragédia que aí se vive.
O Fundo das Nações Unidas Internacional de Emergência para a Infância (UNICEF) alerta para a situação de cerca de 260 mil crianças, que perderam praticamente tudo e precisam de apoio humanitário.
O Programa de Alimentação Mundial (PAM) pede cerca de 35 milhões de euros para ajudar o país, numa primeira fase. />A ONU anunciou já a disponibilização de 20 milhões de dólares para apoiar as vítimas do ciclone “Idai “ em Moçambique, no Zimbabwe e Malawi.
A maior parte da verba proveniente do Fundo Central de Resposta a Emergências (CERF) destina-se a “impulsionar a resposta imediata às populações em Moçambique, o país mais atingido”, segundo a página oficial do Gabinete de Coordenação dos Assuntos Humanitários da ONU.
O Conselho de Ministros de Moçambique, que além do estado de emergência nacional e de luto nacional de três dias, estima que mais de 100 mil pessoas precisam de ajuda imediata. Diante de catástrofes naturais como esta, para a qual várias organizações e países se predispuseram a acudir, não faltará quem, revelando a mais obsoluta confusão entre tempo e clima, fale em “ideologias marxistas” e “alarmismo climático”, quando em discussão está o aquecimento global.
O certo é que já estamos a pagar pelo mal que fizemos ao longo de todos estes anos. Lisandro Martin frisa que “a maior parte dos países africanos está exposta à escassez de água.“África tem 37% dos terrenos áridos do Mundo”, disse.
Não há tempo a perder nesta matéria, bem ilustrada em alguns números que apresentou: 1,2 mil milhões de pessoas são afectadas pela falta de água”.“Há uma necessidade de investir em recursos hídricos, porque os alimentos precisam de água”. Da água potável, 70% é utilizada na agricultura. No estilo, Bonga cantou “Água Rara”. Cada um que entenda como quiser...

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