Sociedade

Albinos queixam-se de discriminação e exclusão social no país

Edna Mussalo

A superstição e a discriminação levam à marginalização e à exclusão dos albinos na sociedade, inclusive da sua inserção no mercado do emprego, disse ontem, em Luanda, o presidente da Associação de Apoio de Albinos de Angola (4As).

Manuel Vapor (centro) lidera a Associação de Albinos
Fotografia: DR

Manuel Vapor relatou os casos e situações vividas por muitos albinos nas diferentes áreas sociais decorrentes da falta de uma lei e “por não haver interesse das autoridades pela comunidade albina”. Considerou grave a discriminação a que têm sido sujeitos os albinos um pouco por todo o lado.
O presidente da 4As disse que não há nenhuma lei ou mecanismo criado pelo Governo para facilitar o acesso dos albinos ao ensino, quer a nível de base, médio ou superior, e ao mercado do emprego.
Manuel Vapor disse que nas escolas há casos de alunos albinos que sofrem "bullyng" e são impedidos de se sentar em determinado lugar na sala de aula. “Pela dificuldade de visão que enfrentam, estes são obrigados a estar sempre nas primeiras cadeiras e não o inverso”, disse
Segundo Manuel Vapor, a desinformação da parte pedagógica leva a que muitos não tenham os direitos salvaguardados. Reconhece que no mercado de trabalho houve entidades empregadoras que rejeitaram candidatos depois de constatarem serem albinos.
Relativamente à assistência médica, Manuel Vapor reconheceu a existência de alguns especialistas solidários que facilitam as consultas de dermatologia, mas disse que o grande problema está nas farmácias, onde os preços dos cremes são elevados e muitas vezes inexistentes. “Não há uma orientação a nível superior para se adquirir os medicamentos e tratamentos hospitalares, situação que agrava os muitos problemas de pele entre os albinos, resultando muitas vezes em cancros de pele”, indicou.
O cancro de pele, de acordo com o presidente da 4As, constitui o problema primário que leva à morte de muitos albinos. Manuel Vapor afirmou que o grande aumento do número de mortes de albinos se deve, em parte, a dificuldades no acesso aos protectores solares, cremes e pomadas para atenuar os problemas da pele, por consequência da exposição ao sol.
Para o consultor independente para o desenvolvimento da área social e membro da Associação de Apoio de Albinos de Angola (4As), Guilherme Santos, culturalmente o albinismo é encarado de forma diferente nas regiões Sul e Norte do país.
Guilherme Santos disse que o albinismo em Angola tem características iguais as da África negra, sobretudo na região austral, embora, referiu, ser encarado de uma forma diferente que em outros países. Lamentou que em algumas parte do continente, como Tanzânia, Malawi, Quénia, Congo Democrático e Moçambique, os albinos são perseguidos e às vezes mortos.
Guilherme Santos admitiu haver em Angola ainda muita discriminação e tabus, o que leva o albino a ser excluído das esferas sociais mais elevadas.
Guilherme Santos considera injusto não haver formalmente políticas públicas de protecção social para as pessoas com albinismo em Angola.
“Afirmo não ser justa a inclusão do albino nas várias esferas da sociedade, pois só há uma pessoa na área executiva e dois no parlamento, números que estão aquém das expectativas, se olharmos pelo número de albinos capazes no país”, disse. O albinismo em Angola é assinalado a 13 de Junho, data instituída pelas Nações Unidas para reflexão e consciencialização sobre o tema. O dia foi proclamado para divulgação e informação sobre os problemas que os albinos enfrentam e evitar a discriminação, combatendo ao mesmo tempo a sua perseguição pelo mundo.

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