Sociedade

Americanos rendidos a remédio cubano

Um anticancerígeno cubano está na origem de uma aliança inédita entre Cuba e os Estados Unidos para a promoção de um tratamento contra o cancro do pulmão a pacientes norte-americanos.

A nticarcerígeno origina aliança inédita
Fotografia: DR

A aliança é feita com a criação de uma “joint venture” em biotecnologia entre o Centro de Imunologia Molecular de Havana e o Roswel Park Cancer Center.
Ainda em fase experimental, a CIMAvax-EGF, considerada uma “vacina contra o cancro do pulmão”, é uma “imunoterapia activa” que age sobre a proteína EGF - factor de crescimento epidérmico.
“O cancro do pulmão ne-cessita do EGF para o seu crescimento e proliferação e o que fizemos no nosso centro foi desenvolver um produto que gera anticorpos contra essa proteína”, explica à AFP Orestes Santos, pesquisador do Centro de Imunologia Molecular de Havana.
“É mais uma arma na luta contra o cancro, que se combina com outras armas terapêuticas, como a quimioterapia”, acrescentou o pesquisador.

Doentes tratados
Interessado no tratamento, o Roswell Park Cancer Center, com sede em Buffalo, Nova Iorque, contactou o centro cubano em 2015, durante uma missão comercial dos Estados Unidos a Cuba.
A empresa mista, resultante da aliança entre o Centro de Imunologia Molecular de Havana e o Roswel Park Cancer Center, vai ser instalada em Mariel, a 45 quilómetros a oeste de Havana.
“A empresa cubano-americana tem como intenção financiar o desenvolvimento (do tratamento) e fazer novos ensaios clínicos mais complexos, maiores, no território americano”, indica o vice-director do centro cubano, Kalet León.
O objectivo é o seu “potencial registo pelas autoridades sanitárias americanas e a sua aplicação maciça nos pacientes” desse país, acrescentou Kalet León.
Administrado em forma de injecção mensal nos centros de saúde de Cuba desde 2011, o tratamento já foi testado no Paraguai, Peru, Sri Lanka, Malásia e Bósnia.
“Hoje mais de cinco mil pacientes ao redor do Planeta estão a utilizar a imunoterapia activa com o CIMAvax”, ressalta a médica Soraida Acosta, directora do departamento de ensaios clínicos num hospital de Santiago de Cuba.
O CIMAvax baseia-se num “mecanismo único”, deixando “as células cancerígenas morrerem de fome”, afirma o director de desenvolvimento científico do Roswell Park, Doug Plessinger.
Os resultados dos primeiros testes que foram realizados em 30 pacientes americanos, apresentados no Congresso Mundial de Cancro do Pulmão, realizado recentemente em Toronto (Canadá), são “muito animadores”, “mas sabemos que é necessário produzir muito mais dados” para provar a eficácia do tratamento.

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