Sociedade

“Amigos de Cuba” repudiam o embargo contra o país

Faustino Henrique

A Associação dos ex-Estudantes Angolanos em Cuba (Os Caimaneros) e a Associação de Amizade Angola-Cuba, em parceria com a representação diplomática cubana, decidiram enviar, nos próximos dias, uma nota à Embaixada dos Estados Unidos em Luanda, como “forma de repúdio ao embargo americano” contra o país das Caraíbas.

Este propósito foi manifestado durante a conferência de solidariedade que teve lugar nas instalações da antiga Liga Angolana de Solidariedade com os Povos (LAASP), quinta-feira última, em que intervieram distintas personalidades, entre elas a embaixadora de Cuba, Esther Armentero, e os dirigentes das associações. A iniciativa tem em vista a realização da sessão anual da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Outubro, que segundo a diplomata cubana, repetidas vezes tem servido para condenar o embargo americano contra Cuba por parte da maioria dos Estados membros. Enalteceu o apoio das autoridades angolanas e ressaltou a importância da conferência numa altura em que, disse, há um endurecimento das sanções por parte dos Estados Unidos. “A conferência realiza-se numa fase crucial da História de Cuba, numa altura em que a Administração Trump decidiu incrementar as disposições da Lei Helms-Burton sobre o bloqueio a Cuba”, disse Esther Armentero. A diplomata afirmou que os Estados Unidos encerraram numerosas contas dos meios de comunicação social na rede Twitter, decretaram sanções às empresas que transportam petróleo e derivados para Cuba, além de outras práticas que violam conquistas já alcançadas pela Administração Obama. Hoje, disse a diplomata cubana, o transporte de petróleo da Venezuela para Cuba está três vezes mais caro em razão das sanções decretadas pela Administração Trump. Para Esther Armentero, o reforço das sanções americanas deve merecer de todo o mundo uma condenação expressiva e, nesta altura em que os Estados-membros da ONU se preparam para participar de mais uma Assembleia Geral, têm que cerrar fileiras em torno de uma realidade que configura agressão contra um país independente e soberano. A embaixadora de Cuba reafirmou a abertura do seu país para negociar com qualquer outro país, incluindo os Estados Unidos, desde que o respeito pela independência, pela soberania, não ingerência nos assuntos internos, entre outros, estejam sobre a mesa das negociações. Esther Armentero elogiou o que chamou de “posição diplomática inequívoca de Angola para com Cuba”, nos gestos de solidariedade, no reforço contínuo das relações políticas e no fortalecimento dos laços de cooperação económica. Referindo-se aos passos que Cuba vai dar para resistir ao embargo, disse que o país das Caraíbas vai continuar a lutar como um povo alegre e disposto a não comprometer aspectos que interfiram com a sua soberania e com o seu modelo político e económico. 

Amizade Angola-Cuba
Para Fernando Jaime, secretário-geral da Associação de Amizade Angola-Cuba, ao longo de vários anos, Angola tem jogado um papel importante, em termos políticos e diplomáticos, na ajuda à maior ilha das Caraíbas. “Embora reconheçamos a ajuda que Angola proporciona a Cuba, sobretudo no campo político e diplomáticos nos fóruns mundiais, julgamos que se deve fazer mais ainda”, defendeu o dirigente associativo.
Fernando Jaime disse que a sua organização vai continuar a trabalhar para que, junto do Executivo e da Assembleia Nacional, os gestos de solidariedade, da ajuda política e diplomática que Cuba precisa para vencer o presente estado de coisas se efective na prática.
Jaime acredita que Angola pode jogar esse papel, atendendo as boas relações com Washington, no sentido de um engajamento construtivo que permita a reavaliação dos efeitos penosos do embargo por parte dos Estados Unidos da América.
O embargo dos Estados Unidos a Cuba é um conjunto de sanções económicas, comerciais e financeiras que dura já há 59 anos.
No dia 19 de Outubro de 1960, um ano depois do triunfo da revolução, os Estados Unidos embargaram as exportações para Cuba, excepto alimentos e medicamentos, depois de o país das Caraíbas nacionalizar as refinarias de petróleo, de propriedade americana, sem compensação e como resposta ao papel de Cuba na crise dos mísseis cubanos.
A 7 de Fevereiro de 1962, o embargo foi estendido para incluir quase todas as exportações. Já no ano de 1992, o embargo adquiriu carácter de lei e, em 1996, o Congresso dos Estados Unidos aprovou a chamada Lei Helms-Burton, a qual proibiu os cidadãos americanos de realizar negócios dentro da ilha ou com o Governo cubano, embora desde o início a justificativa para o embargo tenha sido a alegada ausência de liberdades civis e as violações dos direitos humanos em Cuba.

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