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Áreas protegidas no mundo já estão sob pressão intensa

Seis milhões de quilómetros quadrados, o que corresponde a quase dois terços do Brasil, de áreas de protecção ambiental no Mundo estão sob intensa pressão humana, segundo um estudo da Sociedade da Conservação da Vida Selvagem, das universidades British Columbia e de Queensland.

Fotografia: Edições Novembro

O levantamento inédito, publicado na revista Science, mostra que essas regiões, que deveriam ser refúgios ecológicos de diversas espécies animais e vegetais, sofrem impactos de actividades como a construção de estradas e urbanização.
De acordo com os autores, o estudo é um “choque de realidade” para alertar os signatários da Convenção sobre Diversidade Biológica, um tratado internacional celebrado em 1992, no Rio de Janeiro, para monitorizarem mais de perto a protecção de importantes reservas naturais.
Os autores do estudo lembram que, desde o acordo, a extensão das áreas protegidas dobrou, com 15 por cento da superfície terrestre sob algum tipo de legislação e planos para chegar a 17 por cento daqui a dois anos. Mas, de acordo com os especialistas, a conservação de boa parte dessas zonas ficou apenas no papel.
O mapeamento indica que um terço das áreas protegidas (32,8 por cento%) está altamente degradado. Em alguns países da Europa ocidental, do sudeste asiático e de África, mais de metade (57 por cento) de todas as zonas protegidas estão completamente sob intensa pressão humana. Nesses locais, de acordo com Kendall Jones, da Universidade de Queensland e um dos autores do estudo, os danos são marcantes.
“Em lugares muito densamente povoados da Ásia e da Europa, encontramos infra-estruturas de transporte, como estradas, agricultura industrial e mesmo o estabelecimento de cidades inteiras dentro dos limites do que deveriam ser áreas de conservação da natureza”, disse num comunicado. De acordo com Kendall Jones, mais de 90 por cento de zonas protegidas nessas regiões, como parques e reservas naturais, demonstram algum sinal de destruição por actividade humana.
Apesar de as notícias não serem as melhores, o mapeamento também detectou zonas protegidas onde os objectivos de conservação estão a ser plenamente atingidos, como é o caso do Santuário da Vida Selvagem de Keo Seima, no Camboja, do Parque Nacional Madidi, na Bolívia, e da Reserva da Biosfera Yasuni, no Equador.
“Também há muitas áreas protegidas que ainda estão em boas condições e conservam os últimos redutos de espécies ameaçados em todo o mundo”, destacou James Watson, professor da Universidade de Queensland.

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