Sociedade

Associação quer profissionalizar a actividade de táxi em todo o país

Augusto Cuteta

A actividade de táxi no território nacional pode vir a ser profissionalizada, nos próximos tempos, segundo uma pretensão de operadores deste serviço de transporte, anunciada ontem, em Luanda, ao Jornal de Angola, pelo presidente da Associação Nova Aliança dos Taxistas de Angola (Anata).

Taxistas apresentaram uma proposta ao Executivo com vista a uma melhor organização
Fotografia: Vigas da Purificação | Edicões Novembro


Os operadores do serviço de táxi pretendem, nos próximos tempos, profissionalizar a actividade transportadora no país, deu a conhecer, em Luanda, o presidente da Associação Nova Aliança dos Taxistas de Angola (Anata).
Em entrevista ao Jornal de Angola, o presidente da Anata, Francisco Paciente, disse que a agremiação elaborou uma proposta de lei, mas, também, a execução de um trabalho de organização, no sentido de ajudar a identificar os taxistas, bem como a criar mecanismos que facilitem ao Estado atribuir alguns privilégios para os futuros profissionais deste ramo dos transportes.

Entre as grandes regalias, o responsável, que reagia à medida do Executivo de estender o horário da actividade de táxi até às 20h00, neste período de Estado de Calamidade Pública, decretado por causa da pandemia da Covid-19, salientou que a Anata defende uma quota por parte do Estado na subvenção dos combustíveis que beneficie os que desenvolvem a actividade de táxi.

Para Francisco Paciente, o Executivo devia ter algum controlo e subsidiar ainda mais os combustíveis, para as operadoras de transportes públicos e os taxistas devidamente legalizados com seguro, Taxa de Circulação e licença de exploração do serviço de táxi.
“A ideia é que, caso houvesse um aumento do preço dos combustíveis, os taxistas identificados pudessem continuar a pagar o mesmo valor de hoje ou que a taxa de subvenção fosse mais alta, para evitarmos a consequente subida do preço da corrida do táxi”, explicou o presidente da associação de taxistas.

Empregos assegurados

Quanto à garantia dos empregos, em tempo de Covid-19, a associação, com 240 “staffs” ou pequenos grupos informais ligados à associação, só em Luanda, o presidente da Anata realçou que a organização não sofreu um impacto elevado com o surgimento da pandemia.
Francisco Paciente disse que, no princípio da situação do Estado de Emergência, mais de 40 por cento da frota de táxis afecta à associação tinha paralisado a actividade, o que colocou no desemprego temporário boa parte de seus motoristas e cobradores.
“Mas, as coisas voltaram ao normal e os empregos, também, uma vez que, até, os veículos que actuavam nas rotas interprovinciais estão confinados em Luanda e ajudam no reforço da frota que está a transportar os passageiros da capital”, explicou.
O presidente da Anata considerou que o serviço de táxi tem dado um grande contributo para a garantia de 80 mil empregos e do sustento de milhares de famílias de jovens, maioritariamente, em Luanda, tendo em conta que, actualmente, a capital do país controla cerca de 40 mil táxis.
Com quatro anos de existência, a associação, com sede em Luanda, está já representada nas províncias de Benguela, Huambo, Cuanza-Sul, Bengo e Huíla. Até agora, a Anata controla 22 mil associados, 17 mil dos quais concentrados na capital do país.

Resultados da alteração de horários

Antes da declaração do Estado de Emergência, o rendimento global (bruto) feito por uma viatura de marca Toyota Hiace era de 41 mil kwanzas por dia, dos quais 20 mil eram encaminhados para o proprietário do veículo. Do que restava, o taxista cobria despesas com os combustíveis, num valor até nove mil kwanzas, além de fazer outros gastos recorrentes.
A funcionar até às 18h00, já no período do Estado de Calamidade Pública, segundo dados da Anata, o rendimento do mesmo tipo de veículo, com lotação até 50 por cento, ou seja, seis passageiros, chegava aos 25 mil kwanzas.
“Hoje, com a permissão de trabalharmos até às 20h00, a situação pode mudar. Agora, o valor global tende a chegar aos 29 e 30 mil kwanzas, por dia, o que representa um aumento de 16 por cento”, disse o presidente da Anata.

Relação com a Polícia

O presidente da Anata elogiou as mudanças positivas que se registam, nos últimos tempos, na relação entre taxistas e agentes reguladores de trânsito, principalmente, depois da criação, pela Unidade de Trânsito da Polícia Nacional, de um Conselho Consultivo, que reúne os chefes policiais e responsáveis das associações de taxistas.

“É uma iniciativa de louvar, porque temos canais de comunicação abertos para denunciar casos de excessos na actuação policial e de situações de corrupção”, disse para avançar que, apesar disso, ainda estão preocupados com a má actuação dos agentes da ex-Brigada Especial de Trânsito (BET), agora Polícia de Prevenção e Segurança Rodoviária, quanto à interacção com os taxistas.
“Vamos discutir esse problema com os comandantes e, se não sentirmos mudanças, relataremos a situação ao Comando Geral da Polícia Nacional, porque estamos cansados das faltas de respeito ou dos maus-tratos desses agentes”, concluiu.



Em Angola, um dos maiores produtores de petróleo da África Subsaariana, mas que importa quase 80 por cento dos combustíveis, a última actualização do preço desses produtos deu-se há quatro anos, com o litro da gasolina a sair dos 115 para os 160 kwanzas e o de gasóleo de 90 para os 135 kwanzas.

Actualmente, a Sonangol suporta cerca de 60 por cento do custo do litro de combustível, que se estima num valor de subvenções implícitas em 1,39 mil milhões de dólares.
Noutra vertente, Francisco Paciente criticou a quase inexistência da contraprestação do Estado em relação ao pagamento do actual imposto motorizado (antiga Taxa de Circulação), uma vez não ter grandes reflexos no quotidiano dos automobilistas, dado o péssimo estado das vias rodoviárias.

Além das estradas esburacadas, os associados reclamam, igualmente, da falta de vias de acesso automóvel para muitos bairros e da ausência de paragens fixas, situações que embaraçam o trabalho dos taxistas e complicam a vida dos passageiros.
“Se a nossa actividade é impulsionadora do desenvolvimento do país, não entendemos por que razão o Executivo, os governos provinciais e as administrações municipais, dentro das políticas públicas e de construção de infra-estruturas, ignoram a questão das paragens para os taxistas”, queixou-se.

Sobre as vias esburacadas e estreitas, disse que elas causam enormes prejuízos aos taxistas de Luanda. O responsável citou os casos das vias Camama/Calemba 2/Viana, Viana/Zango, Cacuaco/Funda, Cacuaco/Kicolo, Benfica/Ramiros, Benfica/Autódromo, bem como as que de quase todo interior do bairro Boa Esperança (Cacuaco).

Tempo

Multimédia