Sociedade

Aumenta a procura de serviços cardiovasculares

Edna Dala

A procura pelos serviços de cirurgia cardiovascular no país, em particular em Luanda, continua a tirar o sono de muitas famílias, não apenas pela falta de condições financeiras, mas também pela lista de espera na Junta Nacional de Saúde de pacientes de diferentes patologias que aguardam pelo encaminhamento para o exterior.

Especialistas em cirurgia cardiovascular do Hospital Josina Machel durante a feira no Belas
Fotografia: Maria Augusta | Edições Novembro

Em declarações ao Jornal de Angola, o enfermeiro-chefe do Serviço de Cirurgia Cardíaca do Hospital Josina Machel-Maria Pia, lamentou a situação e sublinhou que a maioria das pessoas não tem condições financeira para pagar um procedimento cirúrgico em clínicas privadas, “porque estas chegam a praticar preços exorbitantes de até 90 mil dólares por cirurgia”.
José Lemos explicou que os preços variam de clínica para clínica, pois algumas unidades sanitárias privadas cobram preços que rondam de 70 a 90 mil dólares por cirurgia, quando alguns hospitais públicos, nomeadamente o Josina Machel-Maria Pia, Américo Boavida, Prenda, Hospital Pediátrico e Geral de Luanda, também têm feito cirurgias cardiovasculares com sucesso e a custo zero.
O enfermeiro-chefe garantiu que “as doenças do coração tem solução em Angola”, apontando de seguida como um dos maiores constrangimentos a falta de equipamentos que impede os médicos de aumentarem o número de cirurgias em hospitais públicos.
No entender de José Lemos, os serviços de cirurgia cardiovascular são pouco difundidos no país e muita gente desconhece-os.
O especialista disse que actualmente devido à crise financeira, o Hospital Josina Machel-Maria Pia reduziu o número de cirurgias, estando actualmente a efectuar apenas uma cirurgia por semana, quando até muito recentemente eram realizadas duas cirurgias semanais.
Desde 2003, altura em que o hospital deu início à realização de cirurgia cardíaca, foram efectuados 1.500 cirurgias cardíacas, 500 marcapassos e 300 cateterismos e angiosplastias.

Segundo José Lemos, na unidade sanitária foram feitas cirurgias do coração aberto, implantes do marcapasso, conhecidos também como “pilhas”, cateterismos cardíacos e as angioplastias.
Apesar dos constrangimentos, disse, a dinâmica mantém-se. “Estamos à espera que mais recursos sejam alocados para a nossa área, para voltarmos ao processo normal, pois o número de pacientes na lista de espera é elevado”.
José de Lemos frisou que a Junta Nacional tem tido dificuldades em enviar pacientes para o exterior para realizar cirurgias cardiovasculares, devido ao elevado número de pacientes em lista de espera.
José de Lemos informou que os serviços de cardiologia do Hospital Josina Machel-Maria Pia têm uma afluência muito elevada no tocante ao atendimento público, mas enfrenta uma situação difícil, a julgar pelo número reduzido de profissionais para atender os pacientes que ali acorrem em busca de solução dos seus problemas de saúde.
José Lemos disse que tão-logo as condições sejam repostas, a instituição tenciona aumentar o número de cirurgias por semana, por forma a atender os pacientes internados e aqueles que aguardam pelo procedimento médico.
O hospital conta igualmente com uma unidade de cuidados intensivos , bloco operatório de cirurgia cardíaca e uma enfermaria de cardiologia.

Equipamentos

Durante a exposição na tenda do Centro de Conferências de Belas, José Lemos apresentou alguns equipamentos usados durante o procedimento cirúrgico, como a prótese mecânica e a biológica.
José de Lemos explicou que a prótese biológica é desenvolvida com tecido bovino ou suíno, tem a duração de aproximadamente dez anos, no caso de ser bem cuidada, e ao contrário o paciente corre o risco de ser operado. Já a prótese mecânica é feita de titânio, um material bastante resistente que pode ser usado a vida toda.

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