Sociedade

Avenida Fidel Castro com registo de três acidentes mortais por semana

Edivaldo Cristóvão

Os acidentes de viação na Avenida Fidel de Castro, conhecida por Via Expressa, em Luanda, têm sido uma constante e os dados indicam que, por semana, perdem a vida, nesta via, três pessoas e outras ficam gravemente feridas.

Situação é cada vez mais preocupante
Fotografia: Vigas da Purificação | Edições Novembro

O porta-voz da Brigada Especial de Trânsito (BET), João Pereira, que prestou a informação ao Jornal de Angola, lamenta os casos de atropelamento na Avenida Fidel Castro e lembrou que, na maior parte das vezes, se deve ao excesso de velocidade dos automobilistas.
João Pereira disse que está também na origem dos acidentes a falta de iluminação pública ao longo da avenida e o facto de os peões ignorarem as pedonais. “A maior parte dos acidentes na Via Expressa são fatais, sobretudo quando ocorrem próximo das pedonais.”
O oficial da BET repudia a atitude dos peões que não cumprem as regras de trânsito, referindo que na via existem pedonais, mas ignoram-nas não se sabendo por que razão, preferindo colocar a vida em risco.
Numa ronda feita pelo Jornal de Angola na segunda-feira,16, constatou-se o registo de dois acidentes, dos quais um mortal. Uma senhora, aparentemente de 40 anos, foi atropelada por volta das 6h20 da manhã. O incidente ocorreu próximo do viaduto que dá acesso à entrada do Kilamba, no sentido Benfica Zango.
Quarenta minutos depois do atropelamento, a sinistrada ainda se encontrava estendida no asfalto, vertendo sangue pela cabeça. No local, notava-se a presença do Serviço de Bombeiros, mas, por insuficiência de meios, não foi possível socorrê-la.
Logo após o acidente, o motorista, que não foi possível ser identificado, pôs-se em fuga. A sinistrada suspirava e as pessoas à volta receavam a sua morte no local.
Um dos efectivos do Serviço de Protecção Civil e Bombeiros disse à reportagem do Jornal de Angola que muitas pessoas morreram na via pública por falta de socorro imediato.
“Não podemos fazer nada, pois temos de esperar pela ambulância que vem do Hospital Geral de Luanda ou do Instituto Nacional de Emergências Médicas de Angola (INEMA). Não dispomos de equipamento neste momento”, lamentou o agente que preferiu o anonimato.
Ainda na manhã de segunda-feira, na mesma avenida, um jovem foi atropelado mortalmente nas imediações do Instituto São Francisco de Assis, debaixo da pedonal. A tragédia é apontada como negligência por parte do peão, que não obedecem às regras de trânsito, pois ignorou a forma mais correcta de travessia.
O director do Gabinete de Comunicação Institucional e Imprensa do Serviço de Protecção Civil e Bombeiros, Faustino Sebastião, reconheceu que o posto montado na Centralidade do Kilamba e o destacamento situado no Quilómetro 25 não são suficientes para atender os casos de sinistro na Avenida Fidel de Castro.
Para suprir as necessidades, disse que são necessários, pelo menos, dez serviços, pois com os meios disponíveis é difícil dar resposta aos sinistros que ocorrem naquela zona.
“O papel dos bombeiros é chegar no terreno e prestar os primeiros socorros à vítima. A remoção dos sinistrados depende do estado em que se encontra, para poder prestar um socorro eficaz, porque, muitas das vezes, as pessoas morrem por serem mal retiradas do local do acidente”, explicou.
Muitos casos de mortes nas estradas do país ocorrem por negligência e falta de condições para se socorrer as vítimas de imediato, mesmo depois de o Executivo ter criado serviços, como do INEMA e os destacamentos montados ao longo das estradas nacionais ou vias principais, mas parece que o quadro não melhora.
Edna Lucília perdeu um irmão muito recentemente por falta de socorros, num acidente que aconteceu por volta das 23h00 e, na altura, a vítima estava acompanhada de um tio, numa motorizada. Os dois foram brutalmente atropelados e levou uma hora para serem atendidos pelas equipas de socorro, acabando por falecer no local.
“É preciso que o serviço de assistência trabalhe com eficiência e que estejam à altura das exigências. Muitas mortes poderiam ser evitadas, caso tivéssemos serviços capazes. Por exemplo, em outros países, muitos casos são socorridos, porque a emergência médica está bem distribuída”, desabafou.

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