Sociedade

Avião localizado sem sobreviventes

Rodrigues Cambala |*

Destroços da aeronave que estava desaparecida na Lunda-Norte foram ontem localizados a 320 quilómetros do aeroporto do Dundo, tendo sido reportado um incêndio num dos motores 15 minutos depois da descolagem, na quinta-feira.

Destroços da aeronave da empresa privada Air Guicango foram encontrados ontem à tarde em zona de difícil acesso
Fotografia: Cedida | Angop

Seis angolanos e um sul-africano estão entre as vítimas do acidente aéreo.
A informação foi prestada pelo director do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes Aeronáuticos (GPIAA), Luís António Solo.
A bordo da aeronave, um Embraer EMB 120 ao serviço da empresa privada Air Guicango, que descolou do aeroporto Kamakenzo do Dundo pelas 16h55 de quinta-feira, seguiam três tripulantes de nacionalidade angolana e quatro passageiros, um dos quais sul-africano.
“Há informações que os destroços da aeronave foram encontrados por um caçador no Cuilo, a 320 quilómetros do Dundo”, explicou Luís António Solo.
O director do GPIAA, órgão do Ministério dos Transportes, acrescentou que a Air Guicango, que operava a aeronave, é uma “empresa certificada para operações comerciais não regulares”.
Segundo Luís António Solo, 15 minutos depois de levantar voo da capital da província da Lunda-Norte com destino a Luanda (a 1.100 quilómetros de distância), o piloto reportou problemas no motor da aeronave.
“Uma avaria no motor, seguido de fogo. Foram também reportadas condições atmosféricas adversas”, disse, sem avançar outras razões para o acidente.
Oficialmente, as autoridades apontam para seis angolanos e um sul-africano a bordo da aeronave. No entanto, o Governo português, através de fonte oficial do gabinete do secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Luís Carneiro, já confirmou que um desses sete ocupantes é cidadão portugês. “O português falecido era um paramédico bombeiro de 39 anos”, disse a mesma fonte, referindo também que a vítima não estava ao serviço do Estado português.
Questionado sobre a identidade das pessoas que estavam a bordo da aeronave, Luís Solo avançou ser da responsabilidade da operadora anunciar os seus nomes. A aeronave, com capacidade para transportar 53 pessoas, tinha previsões para aterrar  às 18 horas e 30 minutos no Aeroporto 4 de Fevereiro, em Luanda. 
A administradora municipal do Cuilo, Maria Teresa, disse que as autoridades locais receberam a informação da queda da aeronave da operadora Air Guicango por volta das 20 horas de quinta-feira, momento em que se registava uma chuva intensa na localidade. Acrescentou que as condições atmosféricas adversas na região foram devidamente previstas pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inamet).
Maria Teresa admitiu que algumas pessoas viram os destroços do avião próximo da lagoa de Nacarumbo, que consta da lista das Sete Maravilhas de Angola, na comuna de Caluango, onde a equipa da Comissão de Defesa e Segurança se dirigiu ontem para localizar a aeronave.
Acrescentou que foram constituídas equipas de buscas que se dirigiram ao terreno.  Com o tipo de clima que se apresenta na província da Lunda-Norte, sobretudo no município do Cuilo, com muita chuva, o acesso a algumas localidades está muito dificultado.
A Força Aérea NAcional efectuou as primeiras buscas no local onde se presume ter caído o avião, mas não foi encontrado nenhum destroço. Em função do mau tempo que se faz sentir naquela localidade, as buscas tinham sido suspensas e mais tarde foram retomadas. Estavam  dois helicópteros da Força Aérea disponíveis para efectuar as buscas na lagoa Nacarumbo e nas localidades adjacentes. 
O Instituto Nacional de Aviação Civil (Inavic) havia suspendido em 2011 as operações das companhias aéreas Angola Air Guicango, Air Services, Gira Globo, Mavewa, Air Nave e Diexim. A suspensão deveu-se ao facto da não conclusão dos respectivos processos de certificação técnica nos prazos estabelecidos. Em Fevereiro de 2014, uma falha técnica num dos motores forçou a tripulação do avião de passageiros “Embraer-120” (de fabrico brasileiro) da Air Guicango a efectuar uma aterragem de emergência nos arredores da cidade de Lucapa, também na província diamantífera Lunda-Norte.

 * Com agências e Victorino Matias, no Cuilo (Lunda-Norte)

 
 



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