Sociedade

Biomedicina é aplicada no combate às endemias

Augusto Cuteta

Angola deve adoptar, a médio prazo, a Biomedicina como uma das principais estratégias de diagnóstico, controlo e combate às doenças, recomendou ontem, em Luanda, o especialista  Filomeno Fortes.

Técnicos de saúde vão debater as principais doenças
Fotografia: Kindala Manuel | Edições novembro

Ao falar na abertura das Jornadas dos Serviços de Saúde das FAA, o médico lembrou que o país tem um dos piores índices de tratamento da tuberculose e sugeriu a implementação de dinâmicas biomédicas próprias que outros países já usam, há anos, para resolver os principais problemas de saúde.
Em relação à tuberculose, Filomeno Fortes disse que as técnicas da Biomedicina podem reduzir os actuais 60 mil doentes, dos quais 50 por cento encontram-se em tratamento sem diagnóstico em BCG.
Quanto às infecções sexualmente transmissíveis, o especialista em Biomedicina disse que existem cem mil casos registados no país, enquanto a oncorcecose, segunda causa de cegueira, ameaça milhares de pessoas no território nacional.
A par dessas enfermidades, o país, que é todo endémico, daí os vários surtos, tem registado o surgimento de várias doenças crónicas não transmissíveis, entre as quais as do fórum mental e as cardiovasculares.
Tendo em conta o actual quadro, Filomeno Fortes sugere uma maior aposta em biomédicos. Neste momento, Angola está a formar os primeiros 24 especialistas, que encerram hoje, em Luanda, o primeiro ano do curso de doutoramento na especialidade.
 O professor da Faculdade de Medicina da Universidade Agostinho Neto (UAN), que é especialista em Biomedicina, explicou que os formandos fazem parte da primeira edição do doutoramento na especialidade, ministrado pela Faculdade de Medicina da UAN, num período de quatro anos.
Nos próximos tempos, especialistas vão debruçar-se sobre aspectos de saúde prioritários para o Plano Nacional de Desenvolvimento Sanitário do país, de acordo com as principais doenças que afectam a população.
Filomeno Fortes afirmou que os estudos vão abranger enfermidades como a malária, tuberculose, VIH e Sida, doenças tropicais negligenciadas, meningites, cardiovasculares como a hipertensão, entre outras enfermidades que afectam centenas de famílias angolanas.
O catedrático avançou que, com este trabalho, os biomédicos vão ajudar o Ministério da Saúde a desenvolver políticas em relação a essas doenças mais próximas da realidade científica.
O especialista em Biomedicina revelou que os actuais formandos, depois de terminarem o doutoramento, vão contribuir com o seu saber para a expansão da formação a outros níveis.
“Queremos trabalhar posteriormente para os mestrados, de uma forma mais difusa, e permitir que a UAN avance com licenciaturas de biomédicos, também”, assegurou Filomeno Fortes.
Quanto à importância da Biomedicina, o académico explicou que os dominadores de tais técnicas olham para o doente da malária, por exemplo, não só como um paciente com febre, mas como alguém que tem um parasita em circulação no sangue e esse microorganismo deve ser combatido.
Filomeno Fortes, antigo coordenador nacional do Programa de Combate à Malária, salientou que o biomédico estuda o doente, por saber que este pode ter complicações  e essas devem ser prevenidas.

Tempo

Multimédia