Sociedade

Bispo de Cabinda deplora títulos académicos sem serventia no país

Mazarino da Cunha |

Muitos jovens em Angola ostentam títulos académicos sem sustentabilidade intelectual e inúteis para serem aplicados no desenvolvimento social e económico do país, disse, na sexta-feira, em Luanda, o bispo de Cabinda, Belmiro Chissengueti.

D.Belmiro Chissengueti, bispo da Diocese de Cabinda
Fotografia: DR

Em declarações ao Jornal de Angola, à margem do 1º Encontro Nacional de Dirigentes e Assistentes Católicos, o prelado católico disse que a falta de sustentabilidade intelectual impede muitos jovens de participar na edificação do país.
Para o bispo de Cabinda, é urgente trabalhar para a mudança de mentalidade do jovem angolano e exigir, também, por parte dos dirigentes, patriotismo e responsabili-dade por forma a tirar o país do estado em que se encontra e levá-lo para o desenvolvimento harmonioso.
“A fraca habilidade académica tem alimentado na juventude o gosto pelo di-nheiro, pela boa vida e pelo bem-estar sem fazer nenhum esforço físico e mental”, sublinhou.
No entender do prelado católico, a actual crise intelectual que uma boa parte da juventude vive não é por opção individual, mas sim pela fraca, até inexistência de políticas por parte do Executivo, viradas para a formação sólida capaz de garantir progresso no país.
Um dos exemplos, apontado pelo bispo de Cabinda, que demonstra a fraca política do Poder Executivo em relação à juventude, foi a não criação de universidades de acordo com os recursos naturais existentes no país e a importação de mão-de-obra estrangeira durante o período da reconstrução.
Além dessa lacuna, referiu D. Belmiro Chissengueti, há uma outra, que é a situação social de Cabinda, onde, depois de 50 anos de exploração petrolífera não existe uma universidade de petróleo e gás, muito menos a melhoria da vida das populações, sobretudo em Malembe e Futila, que estão a metros das sondas.

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