Sociedade

Bispos inconformados com a lei sobre o aborto

A Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST) manifestou-se inconformada com a despenaliza-ção do aborto, nos moldes em que está prevista no novo Código Penal.

Fotografia: Edições Novembro

Os bispos da CEAST também mostraram solidariedade para com as vítimas da violência policial.
Na habitual nota pastoral, divulgada ontem no encerramento de mais uma assembleia anual, os bispos da Conferência Episcopal de An-gola e São Tomé consideraram o aborto “um atentado ao quinto mandamento da Lei de Deus.” Os bispos consideram “a vida um dom de Deus, que deve ser acolhida, amada e defendida diante de todas as ameaças.”
O novo Código Penal considera crime a interrupção da vida intra-uterina, mas abre algumas excepções, nomeadamente para os casos em que a mulher grávida corre risco de morte, em que a gravidez resulta de violações e de incesto e ainda quando a vida do feto for inviável do ponto de vista médico.
Os bispos manifestaram também a sua solidariedade para com as vítimas das últimas chuvas no país e ainda do desabamento de uma mina de ouro artesanal no município do Chipindo, província da Huíla, que provocou a morte de 13 pessoas.
Outras inquietações dos bispos estão relacionadas com a “contínua e crescente desflorestação do país” sem um plano visível de reposição, o que contribui para a degradação do ambiente.
Os bispos católicos expressaram preocupação pelo crescente nível de desemprego e da criminalidade no seio da juventude, “que se sente desesperada sem soluções imediatas à vista.” />Também consideram “contraproducente” a “perseguição do mercado informal sem oferecer medidas alternativas de sobrevivência.”

Abuso sexual

Os bispos católicos admitiram ontem que em Angola “não existem dados de abusos de menores na igreja”, indicando que no único caso registado no país, sem especificar quando, o autor foi “entregue à Justiça e julgado.” “Essa pessoa está a assumir as suas responsabilidades. Mas, o facto de não termos dados, não quer dizer que não aconteça. Daí que estamos a tomar as disposições para procurarmos acautelar e prevenir”, disse o presidente da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé, D. Filomeno Vieira Dias.
Falando em conferência de imprensa, em Luanda, no final da primeira assembleia plenária ordinária dos bispos da CEAST, o também arcebispo de Luanda considerou o abuso de menores na Igreja uma “monstruosidade abominável e condenável.”
Segundo o presidente da CEAST, o abuso de menores na igreja é algo que “contradiz, de modo chocante, aquilo que é a natureza, a missão e a vocação da igreja.”
“É um escândalo, a Igreja reconhece que se encontra diante de um escândalo, algo que desdiz aquilo que ela deve ser. Reconhecemos que estes são pecados, porque o padre ou a religiosa comprometem-se a um estilo de vida próprio da castidade.”

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