Sociedade

Bispos rezam no túmulo do embaixador “Negrita”

A primeira missa dos bispos da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST), em visita “Ad Limina Apostolorum” à cidade do Vaticano, que culminou segunda-feira com a audiência do Papa Francisco, foi celebrada na Basílica Santa Maria Maior, onde se encontra o túmulo de Nsaku Ne Vun-da, também conhecido por “O Negrita”.

Bispos angolanos recebidos no Vaticano pelo Papa
Fotografia: DR

Há 400 anos, em 1608, na Basílica Santa Maria Maior, a quarta maior basílica de Roma, foi enterrado Ne Vunda (baptizado como António Manuel), o primeiro embaixador do Reino do Kongo no Vaticano.
Durante a visita, realizada de 9 a 17 de Junho, o Papa Francisco recebeu, segunda-feira, os 18 prelados angolanos com os quais passou em revista a situação da Igreja em Angola e ofereceu a cada um uma cruz peitoral e textos do seu pontificado, entre eles um sobre a convivência com o Islão e a fraternidade.
D. Gabriel Mbilingi, arcebispo do Lubango e presidente do Simpósio das Conferências Episcopais de África e Madagáscar (SCEAM/SECAM), e o bispo do Namibe, D. Dionísio Hisiilenapo, em entrevista à Rádio Vaticano, afirmaram que o encontro foi marcado pela simplicidade, informalidade e profundo sentido de proximidade.
Os dois prelados foram unânimes em afirmar que os bispos sentiram-se interpelados, quando o Papa Francisco insistiu na responsabilidade da CEAST na busca de soluções para os problemas, sem esperar pelo Papa ou algum Dicastério de Roma.
O Papa não pronunciou nenhum discurso durante a audiência, o que pode ser interpretado, segundo analistas, como um voto de confiança “aos irmãos angolanos no Episcopado”. Geralmente, o discurso do Sumo Pontífice nestas ocasiões é uma forma de alerta aos prelados para se encarar uma determinada situação na Igreja local ou mesmo no contexto social, económico e social do país de proveniência dos bispos.
Os bispos angolanos sublinharam, por outro lado, como um grande significado de “comunhão” ao Santo Padre a missa rezada na Basílica de São Pedro, onde repousa o corpo de Simão Pedro, o primeiro Papa. O bispo da Diocese do Luena, D. Tirso Blanco, escreveu, a propósito, na sua página do Facebook, que “na cripta, unidos a Pedro e seus sucessores, oramos pelas intenções de cada uma das nossas dioceses, por todos os que nos pediram orações e bênçãos. Passaram nesses momentos as imagens, recordações de milhares de pessoas, de comunidades, de situações, pedidos de perdão, acção de graças, tudo na mesma prece. Grande graça!”
Durante a visita "Ad Li-mina Apostolorum", a missão episcopal de Angola e São Tomé visitou diversas Congregações e Dicastérios da Cúria Romana, destacando-se, entre elas, a realizada na Congregação para a Causa dos Santos, cujo pre-
sidente é o cardeal Ângelo Becciu, antigo Núncio Apostólico em Angola.
Nesta instituição, decorre a causa de beatificação do “Negro Manuel”, escravo angolano falecido em 1686, em Luján, na Argentina, que durante 40 anos conservou uma imagem de Nossa Senhora, a quem atribuem numerosos mi-lagres por intercessão da Mãe de Cristo. Merece tam-
bém referência a visita à Congregação para a Educação Católica, de quem dependem as escolas, universidades e a catequese católicas.

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