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Bombeiros em Luanda com poucos meios para socorro

Roque Silva |

A maior parte dos 20 quartéis e destacamentos de prevenção e socorro à sinistralidade rodoviária do Serviço de Protecção Civil e Bombeiros, na província de Luanda, não dispõe de ambulâncias nem de viaturas funcionais de extinção de incêndios para acudir situações de emergência, por estes meios estarem avariados.

Vice-governador para o Sector Político e Social inspeccionou o Serviço de Bombeiros
Fotografia: Eduardo Pedro | Edições Novembro

A revelação foi feita ontem à imprensa pelo comandante do Serviço de Protecção Civil e Bombeiros de Luanda, comissário-bombeiro Tito Manuel, no termo de uma visita do governador Sérgio Luther Rescova ao Destacamento de Prevenção e Socorro à Sinistralidade Rodoviária, localizado na Via Expresso, para constatar o grau de operacionalidade do efectivo daquele organismo do Ministério do Interior.
O comissário-bombeiro disse que, neste momento, o Serviço de Protecção Civil e Bombeiros dispõe apenas de nove viaturas operacionais de extinção de incêndio, salvamento, resgate e ambulância, porque 16 outras estão avariadas, o que dificulta as acções da corporação a nível de Luanda.
Tito Manuel referiu que em caso de sinistro em zonas de Luanda, cujos quartéis não dispõem de viaturas, as situações têm sido acudidas pelos efectivos e viaturas de outros destacamentos e quartéis com esses meios disponíveis.
O comandante considerou que a situação é preocupante, uma vez que afecta, em grande medida, a rápida capacidade de resposta em casos de emergência e no combate aos sinistros e calamidades em que as forças são chamadas a intervir.
“Precisamos de meios para alguns quartéis que estão com desfalque. O efectivo, muitas vezes, se desloca para acudir situações em zonas distantes, o que dificulta o rápido combate ao sinistro, pois o bombeiro tem apenas cinco minutos. Caso contrário, a extinção não é feita de forma normal nem se pode evitar prejuízos”, disse.
Como exemplo, Tito Manuel explicou que, em zonas como Benfica e Talatona, os casos são muitas vezes acudidos por viaturas e homens dos quartéis da Cidade do Kilamba, Gamek e Kilamba Kiaxi.
Quanto ao serviço das ambulâncias, referiu haver boas relações com o Instituto Nacional de Emergências Médicas (INEMA), mas defendeu a necessidade dessas viaturas estarem disponíveis pelos bombeiros, nos quartéis e destacamentos dos bombeiros.
O comandante garantiu que já existe um plano de recuperação das viaturas, mas a falta de verbas não permitiu a sua execução. Ainda assim, os 2.867 efectivos do Comando Provincial de Luanda da Protecção Civil e Bombeiros estão sempre prontos para acudir situações em toda a extensão da província de Luanda.

Falta de água
A falta de água nos quartéis é outro “calcanhar de Aquiles” para os efectivos do Serviço de Bombeiros, por os quartéis e destacamentos de prevenção e socorro à sinistralidade rodoviária não disporem de reservatórios com o referido produto.
Tito Manuel disse que algumas estruturas não têm sequer ligação de água canalizada, sendo que, na maior parte dos casos de incêndios, as viaturas que intervêm na extinção são abastecidas com água por uma outra que é preparada para esse serviço.
“Os quartéis não têm tanques, nem a situação da água resolvida”, disse para avançar que os bombeiros estão em negociações com a Empresa Pública de Águas (EPAL), para que os quartéis possam ter acesso à água de forma regular.
Por outro lado, o comandante garantiu que o efectivo tem estado a se preparar para o período chuvoso com os meios que tem disponíveis.
Questionado se os poucos meios disponíveis têm estado a contribuir para dar respostas mais rápidas às solicitações, disse que, por falta de cobertura total de quartéis com os meios necessários, há demora na capacidade de resposta.

Mapeamento em Luanda

O vice-governador de Luanda para o Sector Político e Social, Dionísio Manuel da Fonseca, que falou em nome do governador de Luanda, disse que os bombeiros farão um mapeamento das áreas onde se podem criar condições para que se possa ultrapassar as dificuldades que atravessam.
Dionísio Manuel da Fonseca disse ser necessário que se faça uma abordagem integrada aos problemas dos sinistros de um modo geral porque a prevenção está em primeiro lugar.
“Deve-se fazer uma abordagem integrada de todos os recursos disponíveis nos vários departamentos do Governo Provincial de Luanda e da Polícia Nacional, para que a actuação dos bombeiros seja mais efectiva”.
O vice-governador de Luanda disse também haver necessidade de se criar um plano de emergência, nas praias e nas comunidades, com vista a colocar bocas de incêndios ou reservatórios de água para as situações de calamidades ou sinistralidades.

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